“Eu nunca vi um país comportar-se desta forma. Não se pode gerir serviços a coagir e a intimidar. Devolvo ao ministro, e nunca o tinha feito até hoje, as palavras que nos dirigiu. É imoral, ilegal e ilegítimo o que estão a fazer as enfermeiros”, afirmou Ana Rita Cavaco à agência Lusa.

Um grupo de 17 enfermeiros especialistas do Hospital de Guimarães teve cortes no salário por ter aderido ao protesto de zelo às funções especializadas, segundo noticiou o jornal Expresso, uma informação confirmada à Lusa pela bastonária dos Enfermeiros, que diz até ao momento não conhecer outras situações semelhantes em mais unidades de saúde.

Segundo Ana Rita Cavaco, a Ordem dos Enfermeiros vai dar apoio a estes 17 enfermeiros do Hospital de Guimarães. Em primeiro lugar, um advogado irá tentar fazer a impugnação imediata do ato praticado pela unidade hospitalar. Depois, a Ordem vai acionar o fundo de solidariedade para ajudar os profissionais em causa, que ficaram com os salários reduzidos.

A bastonário contou ainda à Lusa que três dos 17 enfermeiros em causa se encontram de baixa médica "por falta de condições psicológicas e emocionais".

O protesto dos enfermeiros especialistas em saúde materna e obstetrícia, que deixaram de cumprir funções especializadas pelas quais ainda não são pagos, decorre há cerca de um mês.

Este protesto tinha já ocorrido em julho e foi suspenso para negociações com o Governo, mas entretanto os profissionais decidiram voltar ao protesto por considerarem que houve ausência de propostas.

O Ministério da Saúde pediu um parecer sobre o protesto ao conselho consultivo da Procuradoria-Geral da República (PGR), que determinava que os enfermeiros em protesto podiam ser alvo de faltas injustificadas e responsabilizados disciplinarmente.

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