A esterilização é o método mais divulgado de planeamento familiar na Índia e vários Estados organizam programas daquele tipo, criticados por organizações não-governamentais, que consideram que as mulheres não são corretamente informadas dos riscos.

Cerca de 60 mulheres registam complicações devido à cirurgia, das quais 24 estão em estado grave, indicaram hoje as autoridades do Estado de Chhattisgarh.

As causas das mortes ainda não são conhecidas, mas médicos do Estado interrogados pela agência France Presse questionaram o papel dos medicamentos que foram dados às mulheres depois da operação.

As mulheres foram submetidas a uma esterilização laparoscópica, um processo pouco invasivo. A intervenção visa bloquear as trompas de Falópio e é realizada geralmente sob anestesia geral.

Governo está a averiguar o caso

O governo estatal abriu um inquérito e habitantes de Bilaspur, distrito onde se realizou a operação, saíram para as ruas em protesto, pedindo sanções contra os médicos.

O chefe do executivo de Chhattisgarh, Raman Singh, determinou a suspensão de quatro responsáveis do setor da saúde e a polícia apresentou uma queixa contra o cirurgião que realizou as operações.

Segundo o diário Indian Express, as mulheres foram todas operadas no sábado em cerca de cinco horas por um cirurgião e o seu assistente.

A família de cada uma das mulheres mortas vai receber uma indemnização de 400.000 rupias (cerca de 5.200 euros).

As operações de esterilização são organizadas em diversos Estados no quadro do programa nacional que prevê a atribuição de 1.400 rupias (20 euros) a cada mulher voluntária.

O programa de planeamento familiar na Índia é essencialmente centrado nas mulheres e cerca de um terço da população que a ele recorre (54 por cento) opta pela esterilização da mulher, segundo dados oficiais de 2008.

Com cerca de 1,25 mil milhões de habitantes, a Índia poderá ser o país mais populoso do mundo daqui a 20 anos.

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