Desde o início do ano, foram detetados 96 novos casos de mutilação genital feminina (MGF) em Portugal, informa a TSF esta quinta-feira.

Este número foi avançado pela secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, Rosa Monteiro, à referida rádio.

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"Temos tido uma média de 60 casos identificados por ano. Este ano, o número de casos já registados é de 96", disse.

Segundo a governante, a identificação de mais casos este ano mostra que há "maior capacidade de diagnóstico por parte dos profissionais de saúde". São, sobretudo, mulheres mutiladas durante a infância e que, entretanto, imigraram para Portugal.

A secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade indica que 61% dos casos detetados em 2019 dizem respeito a mulheres provenientes da Guiné-Bissau, mas também há alguns casos da Guiné-Conacri.

O que é a mutilação genital feminina?

A MGF é feita de diversas formas: em algumas corta-se o clítóris, noutras os grandes e os pequenos lábios. Uma vez concretizada, é irreversível e se a vítima sobreviver irá sofrer consequências físicas e psicológicas permanentes.

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Além do sofrimento que as mutiladas sente no momento do corte, o processo de cicatrização é acompanhado com frequência por infeções, devido ao uso de utensílios contaminados, e dores ao urinar e defecar. A incontinência urinária e infertilidade são outras das sequelas.

O facto de serem usadas as mesmas lâminas para mutilar várias crianças aumenta o risco de se contrair o vírus da SIDA.

Além da mãe, também os recém-nascidos podem sofrer com a mutilação.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, a taxa de mortalidade infantil é mais elevada em 55 por cento em mulheres que sofreram uma mutilação de tipo III (a infibulação, que consiste em fechar a abertura vaginal).

A MGF pode tornar a primeira relação sexual da mulher muito dolorosa, sendo mesmo perigosa no caso da mulher sofrer um corte aberto. Em certos casos, as relações sexuais das mulheres continuam dolorosas ao longo da vida.

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