O caso, recentemente apresentado na revista científica European Journal of Medical Research, demonstrou que estas células têm a capacidade de restaurar o equilíbrio do sistema imunitário, contribuindo para o controlo da infeção, explica a Crioestaminal em comunicado.

Na origem deste diagnóstico de síndrome da dificuldade respiratória aguda (ARDS, do inglês Acute Respiratory Distress Syndrome), cuja taxa de mortalidade pode ultrapassar os 40%, estava um tipo de pneumonia, a pneumocistose, provocada por um microrganismo comum que pode residir nos pulmões de indivíduos saudáveis sem causar qualquer problema, mas que frequentemente se torna patogénico em indivíduos com o sistema imunitário debilitado. Após 30 dias em estado crítico, e esgotadas todas as opções de tratamento sem sinais de melhoria, foi proposta a realização de um tratamento experimental com células estaminais do sangue do cordão umbilical, para tentar reverter a situação.

“A opção pela aplicação de sangue do cordão umbilical esteve relacionada com o sucesso da sua utilização noutras doenças, com um perfil de segurança favorável, e ainda com o facto de ter estado anteriormente associada a melhorias na função pulmonar em bebés prematuros, com redução da necessidade de suporte respiratório”, explica Bruna Moreira, investigadora do Departamento de I&D da Crioestaminal.

Além disso, o sangue do cordão umbilical contém, entre outros tipos de células, células estaminais mesenquimais, cujo potencial para o tratamento de ARDS induzida pela infeção por SARS‑Cov-2 tem vindo a ser evidenciado em algumas publicações recentes, o que pode ter constituído também um fator decisivo nesta escolha, explica a especialista.

Ao fim de cinco dias após a administração intravenosa de sangue do cordão umbilical, uma radiografia aos pulmões revelou melhorias ao nível pulmonar, marcando, assim, o início da recuperação da criança, que continuou a evoluir favoravelmente, tendo recebido alta 71 dias depois da hospitalização. De acordo com os autores, a função pulmonar melhorou significativamente nos 7 meses de acompanhamento que se seguiram e o tratamento foi considerado seguro, não tendo sido observados quaisquer efeitos adversos decorrentes da sua administração.

Tendo em conta o sucesso deste tratamento, os autores sugerem que o sangue do cordão umbilical pode ser uma opção segura e eficaz para o tratamento de doentes com ARDS e salientam a necessidade de realização de estudos mais alargados que permitam confirmar estes resultados.

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