Citando um estudo recente, o Movimento Cuidar dos Cuidadores Informais refere que há cerca de 1,4 milhões os cuidadores informais em Portugal que “não podem ser esquecidos” pelas tarefas que desempenham.

“As pessoas que, em Portugal, se dedicam a cuidar de outras, os chamados cuidadores informais, tantas vezes invisíveis quando se trata de apoios para a tarefa que desempenham, voltam a ser invisíveis no momento da seleção dos grupos prioritários para a vacinação contra a Covid-19”, refere o movimento em comunicado.

Observa ainda que se os cuidadores informais ficarem infetados ficam impossibilitados de cuidar, sobrecarregando o Serviço Nacional de Saúde, “já de si em grande sobrecarga”.

Por outro lado, “um cuidador infetado aumenta a probabilidade de infeção da pessoa cuidada”.

“Já basta o isolamento, a dificuldade de acesso aos serviços de saúde e sociais, imagine-se agora a angústia dos cuidadores, se ficam infetados pela Covid-19. Quem cuida deles e da pessoa cuidada?”, questiona,

A questão foi colocada, em julho de 2020, ao Ministério da Saúde, a quem se apelou para incluir os cuidadores informais no grupo prioritário de vacinação.

“A resposta chegou em janeiro passado, quando o então coordenador da Task Force do Plano de Vacinação contra a covid-19, Francisco Ramos, informava que estes cuidadores não foram incluídos na primeira fase”, adianta o movimento.

O movimento, composto por quase 30 asociações de cuidadores e doentes de todo o país, pede que se reavalie esta decisão, “numa ótica de uma estratégia de melhor planeamento e alívio da sobrecarga do SNS”.

Bruno Alves, Executive Board Member da Eurocarers, Bruxelas, e coordenador nacional da Cuidadores Portugal, enfatiza: “a confiança que existe no Serviço Nacional de Saúde e que não tem dúvida que todos serão vacinados, a questão é quando. Este timing pode fazer toda a diferença na vida do cuidador, da pessoa cuidada e nos sistemas sociais e de saúde”.

Nélida Aguia, cuidadora informal, considera esta situação “uma afronta e total desrespeito por aqueles que lidam diariamente com inúmeras situações de dependência e limitações, e que são considerados o grande apoio na saúde dos que deles dependem sem serem reconhecidos ou profissionais”.

“Enquanto cuidadora, pesa-me a responsabilidade constante de não poder adoecer, nem ser infetada, por não ter apoio de retaguarda que continue a apoiar os que de mim dependem”, sublinha.

Bruno Alves, Sílvia Artilheiro Alves, presidente da Associação Nacional de Cuidadores Informais, e Nélida Aguiar admitem a dificuldade de vacinar todos os cuidadores informais, tendo em conta os problemas na identificação e reconhecimento dos cuidadores a nível nacional.

“Uma possibilidade para contornar em parte esta situação poderia passar por vacinar todos os cuidadores que recebem o complemento por dependência e subsídio de 1º e 2º grau, bem como os cuidadores que as equipas de saúde identifiquem no domicílio e, em particular, com problemas de saúde crónicos”, defendem no comunicado.

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