Marcelo Rebelo de Sousa falava aos jornalistas no final de mais uma sessão sobre a situação da covid-19 em Portugal, no auditório do Infarmed, em Lisboa.

Questionado se a baixa literacia de parte da população portuguesa não desaconselha essa "autogestão", o chefe de Estado considerou que, pelo contrário, os portugueses têm demonstrado "uma alta literacia na resposta aos apelos sanitários" para conter a propagação da covid-19 em Portugal.

"Uma coisa é a literacia em termos de escolaridade, que tem vindo a subir, felizmente, na sociedade portuguesa. Outra coisa é em termos de cultura cívica, de experiência, em que os portugueses, independentemente do grau de escolaridade que possuem, têm respondido afirmativamente, mostrando capacidade que eu diria ser para uma alta literacia no domínio da proteção da sua saúde e da saúde dos outros", argumentou.

Tendo ao seu lado o presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, e o primeiro-ministro, António Costa, Marcelo Rebelo de Sousa destacou os atuais "níveis de testagem" no país, "cinco vezes superiores ao que se passava há um ano".

"Isto representa um esforço por parte dos portugueses e a sua capacidade de assumirem o apelo para uma autogestão da pandemia", defendeu.

Segundo o Presidente da República, nesta reunião verificou-se "uma convergência total entre os vários especialistas quanto à análise da situação" da covid-19 em Portugal e "todos convergiram no sentido do que foi definido, e bem, pela senhora professora Raquel Duarte, como uma autogestão sanitária, acompanhada, monitorizada, obedecendo a regras definidas pelas autoridades de saúde, mas no sentido da responsabilização dos portugueses".

"Apesar de Portugal, a seguir à Suécia, ser a sociedade europeia mais aberta em termos de restrições, isso não tem significado uma pressão nos internamentos, nos cuidados intensivos e no número de mortes comparável com o que se verificou há um ano ou correspondente ao crescimento dos contágios ou do número de casos nas últimas semanas e nos últimos dias", apontou.

Interrogado sobre um eventual adiamento do início das aulas previsto para 10 de janeiro, tendo em conta a possibilidade de na próxima semana se atingir um novo pico de contágios, Marcelo Rebelo de Sousa respondeu que "os especialistas apresentaram um modelo matemático, que é diferente de uma projeção, mas naturalmente que o Governo irá ponderar, na sequência do que aqui foi ouvido, o tipo de medidas a adotar".

O chefe de Estado realçou, contudo, que nesta sessão a abertura das aulas não foi questionada e que "não houve aqui nenhuma proposta de nenhum especialista que apontasse para a introdução de restrições significativas naquilo que é situação de abertura económica e social no nosso país".

O chefe de Estado elogiou os portugueses, afirmando que "têm sido exemplares, ao autotestarem-se, ao testarem-se por outras vias, ao respeitarem as regras de proteção, de distanciamento, de uso de máscara sempre que isso for considerado adequado", adotando "comportamentos preventivos para que esta variante [Ómicron], que é muito contagiante, não seja tão grave quanto as variantes anteriores".

"É impossível não agradecer aos portugueses o compreenderem uma a uma as mensagens que os poderes públicos têm dirigindo tendo os portugueses como destinatários nos últimos dois anos. Sempre perceberam e atuaram em conformidade", reforçou.

No que respeita à vacinação contra a covid-19, o Presidente da República salientou a sua importância para evitar doença grave: "Olhando para os valores de internados e internados em cuidados intensivos vacinados e não vacinados, é muito significativo o efeito da vacinação prevenindo a gravidade, os internamentos e as mortes, e é ainda mais significativo em termos de reforço da vacinação".

Na sede Infarmed, em Lisboa, estiveram o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, e o primeiro-ministro, António Costa, a ministra da Saúde, Marta Temido, e os especialistas.

Representantes dos partidos, das confederações patronais, sindicais e membros do Conselho de Estado participaram nesta sessão por videoconferência.

Em Portugal, desde março de 2020, já morreram mais de 19 mil pessoas com covid-19 e foram contabilizados mais de um milhão e 400 mil casos, segundo dados da Direção-Geral da Saúde  (DGS).

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