“Infelizmente perdemos nas últimas 24 horas 221 dos nossos queridos compatriotas por causa da doença COVID-19 “, afirmou a porta-voz do Ministério da Saúde iraniano, Sima Sadat Lari, em declarações transmitidas na televisão estatal.

Com estes novos óbitos, o Irão, o país do Médio Oriente mais afetado pela atual pandemia, registou até à data um total de 15.074 mortes.

Desde junho, a República Islâmica tem verificado um progressivo aumento da mortalidade diária associada ao novo coronavírus, tendo registado, na terça-feira, um novo máximo diário (229 óbitos) desde o início da crise sanitária em fevereiro.

A porta-voz do Ministério da Saúde iraniano avançou igualmente que 2.621 novos casos de infeção foram diagnosticados no país nas últimas 24 horas, elevando para 284.034 o número total de infetados.

“Estamos a assistir a um aumento de casos da doença, de hospitalizações e de mortes em todo o país”, indicou Sima Sadat Lari, precisando que os internamentos de doentes com COVID-19 tinham recentemente duplicado nas províncias de Fars (sul) e Khorassan-e-Razavi (nordeste).

Segundo a porta-voz, a situação é atualmente preocupante em 25 das 31 províncias do país, que até ao início de maio apresentava um decréscimo significativo nos números diários de vítimas mortais e de novos contágios, mas volta a ser confrontado com um ressurgimento de casos, aumentando os receios de uma segunda vaga epidémica.

Perante a atual situação, a porta-voz do Ministério da Saúde pediu aos iranianos para que evitem qualquer deslocação desnecessária e lugares com muitas pessoas, bem como apelou à não realização de cerimónias fúnebres e de casamentos.

O Presidente do Irão, Hassan Rohani, disse hoje que o país irá assinalar a ‘Ashura’, a celebração da morte do imã Hussein (no século VII), neto do profeta Maomé e uma das figuras mais veneradas do Islão xiita, a partir de 21 de agosto.

Durante estas celebrações, que deverão durar dois meses, nenhum casamento será celebrado.

Os novos números do Irão relacionados com a pandemia são conhecidos numa altura em que a população ainda está a tentar digerir, com alguma inquietação e perplexidade, as recentes declarações de Hassan Rohani sobre o potencial número de infetados no território iraniano.

No sábado passado, o Presidente do Irão revelou que possivelmente 25 milhões de iranianos podem ter sido infetados com o novo coronavírus desde que começou a pandemia.

A revelação de Hassan Rohani foi avançada precisamente cinco meses depois do anúncio dos primeiros casos no país: duas vítimas mortais na cidade santa xiita de Qom.

“A nossa estimativa é que, até ao momento, 25 milhões de iranianos tenham sido infetados com este vírus”, disse Rohani diante do Comité Nacional de Luta contra a pandemia, referindo-se a um relatório do Ministério da Saúde.

E alertou na mesma ocasião que outras “30 a 35 milhões” de pessoas corriam o risco de contrair a doença COVID-19, sugerindo que as autoridades iranianas estariam à espera de que uma “imunidade de grupo” pudesse travar o novo vírus no país.

Segundo o vice-ministro da Saúde iraniano, Réza Malekzadeh, as estimativas mencionadas por Rohani foram sustentadas num estudo datado de março que envolveu “cerca de 10.000 pessoas em 13 a 14 províncias”.

Optar pela imunidade de grupo “não faz parte da política (iraniana) e os países que o fizeram acabaram por se arrepender”, observou, por sua vez, outro vice-ministro da Saúde iraniano, Aliréza Raïsi.

“Não existirá imunidade até que tenhamos uma vacina”, reforçou o mesmo vice-ministro.

Nas ruas da capital iraniana, Teerão, as declarações do Presidente iraniano suscitaram confusão e preocupação.

“Da forma como Rohani falou, significa que toda a população iraniana foi ou será infetada”, disse Ashrafi, um empresário de 50 anos, citado pela agência France Presse (AFP).

“Portanto, respeitar as recomendações de saúde não serviu para nada?”, questionou o empresário, classificando como “aterrorizantes” os números revelados por Rohani.

Para Ashkan Daliri, um cabeleireiro na casa dos 20 anos, os números são muito reais e “um pouco assustadores”.

Segundo o jovem, as declarações do Presidente iraniano pretendiam “consciencializar as pessoas da realidade, para que tenham medo e respeitem as recomendações sanitárias”.

Desde que o novo coronavírus foi detetado na China, em dezembro do ano passado, a pandemia da doença COVID-19 já provocou mais de 627 mil mortos e infetou mais de 15,2 milhões de pessoas em todo o mundo, segundo o balanço mais recente feito pela agência AFP.

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