“Não desistiremos de nenhum esforço para garantir o acesso acessível e equitativo (às vacinas, testes e tratamentos, nota da redação) para todos”, está escrito no texto consultado pela Agência France-Presse (AFP).

A cimeira das 20 maiores potências económicas mundiais realiza-se, este ano, num formato virtual que retira muito do seu brilho, e acontece sob a presidência da Arábia Saudita, o que suscitou críticas das organizações da defesa dos direitos humanos.

Com início no sábado, por videoconferência seguida com mais ou menos assiduidade — o presidente dos EUA, Donald Trump, por exemplo, deixou rapidamente o debate para ir jogar golfe — a reunião está prevista terminar hoje com a publicação desta declaração final.

Enquanto a pandemia continuar a alastrar, com mais de 12 milhões de casos nos EUA, os chefes de Estado e de Governo optaram por um tom resolutamente consensual.

Eles dizem “apoiar totalmente” os mecanismos postos em prática pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para garantir que as futuras vacinas não sejam reservadas para os países prósperos e prometem “atender às necessidades de financiamento ainda existentes”.

“Mesmo que a concorrência seja inevitável aqui, devemos guiar-nos, acima de tudo, pelo aspeto humanitário”, disse no sábado o presidente russo, Vladimir Putin.

Os laboratórios dos estados do G20 competem por anunciar a vacina, seja a Pfizer (EUA), a BionTech (Alemanha) ou a sociedade americana Moderna, as experiências massivas na China ou as pesquisas realizadas em ritmo acelerado na Rússia.

Mas o G20 não menciona explicitamente o montante de 28 mil milhões de dólares (23,6 mil milhões de euros), incluindo 4,2 mil milhões em emergência reclamados por organismos internacionais para fazer face a uma doença que já matou mais de 1,3 milhões de pessoas.

Outro assunto sobre o qual era esperada uma reviravolta do G20: a dívida dos países pobres que está a aumentar devido ao cataclismo económico causado pela pandemia.

Os dirigentes do G20 “prometem implementar” a suspensão do serviço da dívida (ISSD/DSSI). Através deste mecanismo, 29 dos estados mais favorecidos vão permitir que os países pobres que estão em dívida para com eles suspendam o pagamento de juros da dívida até junho de 2021.

Enquanto as Nações Unidas esperavam que este período fosse alargado até ao final de 2021, o G20 conta com os seus ministros das Finanças para “examinar” esta questão na próxima primavera.

Também não mencionam outra ação solicitada pela ONU, e por muitos países em desenvolvimento: o recurso a direitos especiais de saque, espécie de moeda criada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), para apoiar países em dificuldade.

Além da pandemia, este rascunho da declaração final destaca um tom mais harmonioso nas questões conflituosas dos últimos anos como o clima e o comércio, os cavalos de batalha favoritos de Donald Trump, atualmente mais ocupado em contestar a sua derrota nas eleições presidenciais dos EUA.

Sobre o meio ambiente, saiu, por exemplo, o parágrafo que os EUA inseriram no texto da conclusão da reunião do G20 no ano passado, em Osaka, para marcar claramente a diferença nesta matéria.

Assim, as grandes potências do G20, sob a presidência saudita, prometem “enfrentar os desafios ambientais mais prementes”.

O resto da declaração diferencia cuidadosamente entre os signatários do Acordo de Paris e os outros e, portanto, os EUA, embora o presidente eleito, Joe Biden, tenha prometido trazer o seu país de volta ao sistema.

O comércio permanece, depois de a administração Trump iniciar um confronto aberto com a China sobre esta questão, mas também com os seus parceiros europeus.

É mais importante do que nunca apoiar um sistema comercial multilateral” e garantir “condições equitativas”, escrevem os líderes do G20.

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