“Pretendemos que o sistema de saúde seja cada vez mais pensado, centrado no cidadão, que se comecem a encontrar mais mecanismos e a fazer mudanças para que os serviços de saúde se aproximem e sejam mais ‘friendly’ do cidadão”, sublinhou Eurico Castro Alves.

A Lei de Bases da Saúde e “outras mudanças que poderão ocorrer” na área da saúde estarão também em discussão na conferência de sábado, organizada pela Universidade do Porto em articulação com a Convenção Nacional da Saúde, que tem por objetivo reunir contributos para um debate alargado sobre o futuro da saúde em Portugal.

“Temos um bom Serviço Nacional de Saúde (SNS), um sistema que funciona muito bem, também muito à custa da complementaridade, ou seja, tem havido lugar e espaço para todos participarem nos serviços de saúde em Portugal”, disse Eurico Castro Alves, que defende “o princípio da complementaridade”.

Portugal tem “um dos melhores serviços de saúde do mundo, mas há imensos problemas por resolver e imensas falhas por colmatar”, notou.

“Queremos pôr as pessoas das diferentes áreas politicas, das diferentes ordens profissionais, dos diferentes interesses, a conversar, de forma a que se possam chegar a alguns consensos e progredir em acordos de mudança mais centrados no cidadão e, sobretudo, para que haja um minimizar de extremar de posições”, frisou.

Assim, entende que, “se calhar, a principal preocupação não deveria ser só criar mais serviços do Estado porque, eventualmente, o Estado pode não conseguir cumprir. A preocupação deveria ser criar os melhores serviços, a serem feitos por quem os pode fazer, umas vezes será o Estado mas, noutras vezes, se calhar, as coisas podem ser mais bem feitas e com maior eficiência pelo setor não público, nomeadamente o setor social e o setor privado”.

Eurico Castro Alves frisou: “A nossa ideia é que há lugar para todos, desde que cada um saiba ocupar o seu lugar e que a prioridade seja o cidadão”.

“Nos últimos 40 anos, os diferentes governos, de diferentes quadrantes políticos, conseguiram manter um bom SNS, porque souberam não se afastar demasiado uns dos outros, em termos ideológicos e de opções estratégicas. Queremos que nada mude nesse sentido, que continue a haver uma boa confluência de ideias e opiniões, com algumas diferenças, naturalmente, mas sem as extremar demasiado para não comprometer o futuro do SNS”, considerou.

Em declarações à Lusa, o reitor da Universidade do Porto, António Sousa Pereira disse também esperar que o encontro, no qual deverão participar o Presidente da República e a ministra da Saúde, contrarie “o que tem acontecido nos últimos tempos, com a discussão mais centrada nos pontos de divergência”.

“Portanto, a ideia desta convenção é explorar os pontos positivos de contacto entre cada um dos vários ‘players’ e tentar inverter o que vem sendo a corrente dominante, que é explorar diferenças e conflitos. Está na altura de tentar parar com isso e tentar ver o que nos une em vez de ver o que nos divide”, frisou.

A conferência “O Sistema de Saúde para o Cidadão” conta “com mais de 700 pessoas inscritas, de todos os setores, de todas as idades, de todas as profissões e dos mais diversos pontos do país”, concluiu Eurico Castro Alves.

Participam representantes de grupos parlamentares, bastonários das ordens profissionais, presidentes das principais associações do setor e líderes de entidades públicas, privadas e do setor social.

O sistema de saúde para o cidadão, os novos modelos de financiamento para a sustentabilidade e a Lei de Bases da Saúde são alguns dos temas que estarão em discussão por um painel alargado de especialistas e responsáveis políticos.

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