Ansiedade generalizada, perturbação de pânico, episódios depressivos e doenças mais graves como a esquizofrenia são as principais patologias identificadas nos estudantes da Universidade do Porto que recorrem à "Consulta do Universitário", disse hoje à Lusa fonte oficial.

“Alguns estudantes, a maior parte, vêm-nos procurar com patologia do foro ansioso e depressivo, sobretudo estudantes que estão deslocados das casas da família de base, mas também temos um grupo bastante representativo de indivíduos que têm patologia mais grave, tipo esquizofrenia”, explicou Celeste Silveira, médica psiquiatra, numa entrevista telefónica à Lusa.

No sábado passado, um estudante universitário de Medicina, com problemas psiquiátricos, deixou de tomar a medicação e agrediu os pais à dentada, obrigando-os a receber tratamento médico por ferimentos ligeiros.

O Hospital de S. João, no Porto, tem desde 2007 a funcionar a “Consulta psiquiátrica e saúde mental do estudante universitário”, um apoio gratuito a que cada vez mais estudantes de todas as faculdades recorrem, sobretudo os alunos de Medicina, pelo facto de estudarem no mesmo local onde é dada a consulta.

“Julgo que tem havido um acréscimo de procura da consulta do universitário. Por um lado, porque há mais informação, por outro, porque essa informação passa de estudante para estudante", afirmou.

A médica psiquiatra considera, todavia, que a procura de apoio da parte dos estudantes ainda não é a suficiente.

“Acho que para a população dos estudantes do Ensino Superior deveria haver uma maior procura, mas os estudos dizem que estes estudantes, por questões de estigma e de sentimento de invasão da sua privacidade, muitas vezes não procuram tanto a ajuda dos serviços de psiquiatria como deveriam”, explica.

Perturbação de ansiedade generalizada, perturbação de pânico, episódios depressivos e perturbações de adaptação são as patologias que mais são identificadas.

Os períodos onde se concentram os pedidos de ajuda são os primeiros anos do curso e o último ano.

Os estudantes que mais têm procurado apoio na área da saúde mental são os de Medicina, mas há alunos de todos os cursos: Enfermagem, Engenharia, Arquitetura, Educação para a Infância, Estudos de Línguas, Engenharia do Ambiente ou Educação Física.

Apesar das patologias identificadas, a psiquiatra Celeste Silveira observou que há ainda poucos universitários a pedir apoio sobre consumo de estupefacientes.

“É uma situação que está subestimada, talvez por questões ligadas ao estigma ou até pela não identificação dos problemas associados”, analisa.

Muitos dos estudantes que são seguidos na "Consulta do Universitário" necessitam de ajuda farmacológica ou de terapia familiar, mas cada caso é um caso, salvaguarda Celeste Silveira, apelando aos estudantes do ensino superior para não se sentirem constrangidos em pedir apoio profissional.

“Gostaríamos que eles nos procurassem quando sentem que precisam de ajuda, porque às vezes são questões de fácil manuseio e que conseguimos resolver com psicoterapia. Gostávamos que eles soubessem que há aqui um serviço, um espaço e um tempo dedicado ao apoio do estudante do ensino superior”, acrescentou.

02 de maio de 2012

@Lusa

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