"Não podemos dar passos ao contrário. O primeiro passo é promover um debate alargado na sociedade, o referendo estará em aberto e poderá ser uma opção, a questão é que não podemos precipitarmo-nos, achando que a discussão é sobre uma iniciativa legislativa ou um referendo. O que tem de acontecer é um maior esclarecimento dos portugueses", afirmou a deputada Isabel Galriça Neto, quando questionada sobre um eventual referendo.

Para a deputada do CDS, "o central é não fugir ao debate", frisando que nas recentes campanhas eleitorais nenhum dos partidos apresentou nos programas eleitorais ideias sobre a questão.

"Achamos que o debate tem de existir de forma serena na sociedade e não pode reduzir-se de forma autossuficiente a um parlamento que não está mandatado para o fazer, porque não o apresentou aos seus eleitores", declarou.

Deputada do CDS, médica, a favor da eutanásia

Em declarações aos jornalistas no parlamento, a deputada do CDS, que é médica especialista em cuidados paliativos, disse que os centristas são pela "dignidade em fim de vida, sem eutanásia", pediu um debate "com objetividade, sem eufemismos, sem distorções, ouvindo as pessoas que estão verdadeiramente envolvidas nestas matérias e, portanto, ajudar a sociedade a ter uma ideia serena sobre estas matérias".

"Trazer a bandeira do sofrimento intolerável? Eu não conheço ninguém de bom senso que seja a favor do sofrimento intolerável. Eu não sou e trabalho com estes doentes todos os dias. Sobre a questão da morte digna e da morte assistida, eu não sou a favor da eutanásia e quero dignidade e assistência na minha morte", argumentou.

A deputada sublinhou que o CDS defende "uma resposta clínica hoje humanizada para evitar que o sofrimento se torne intolerável" e que esta não é uma matéria exclusivamente de liberdade individual.

"É preciso ter em conta que há sempre consequências das nossas opções em matéria de liberdades individuais e quando essas consequências têm que ver com questões como a morte como uma ação irreversível, o Estado não pode dizer que isto não lhe diz respeito e que é uma matéria de indivíduos", declarou.

"Não, isto diz respeito ao Estado. Há as consequências aos resultados de uma lei que, nos casos em que falam muitas vezes, da Bélgica e da Holanda, permitem que milhares de pessoas por ano, não casos excecionais, estamos a falar de milhares de pessoas por ano, morram por eutanásia e até sem terem pedido para tal, o que já é homicídio", apontou.

No sábado passado, Expresso e Público divulgaram na íntegra um manifesto do Movimento Cívico para a Despenalização da Morte Assistida, assinado por 112 personalidades, e que defende ser "urgente despenalizar e regulamentar a Morte Assistida".

Entre os signatários contam-se políticos de vários quadrantes, como os socialistas Álvaro Beleza, Isabel Moreira, Elisa Ferreira e Helena Roseta, os antigos dirigentes do Bloco Ana Drago e Daniel Oliveira, os ex-coordenadores deste partido Francisco Louçã e João Semedo, os ex-candidatos presidenciais António Sampaio da Nóvoa e Marisa Matias, a deputada do Partido Ecologista "Os Verdes" Heloísa Apolónia, os sociais-democratas Paula Teixeira da Cruz, Rui Rio e Pacheco Pereira, o fundador do Livre Rui Tavares e o antigo capitão de Abril Vasco Lourenço, entre outros.

Médicos, investigadores e personalidades ligadas à cultura completam a lista de signatários do manifesto que defende que, tal como o direito à vida está consagrado em lei, também "o direito a morrer em paz" o deve ser.

"É imperioso acabar com o sofrimento inútil e sem sentido, imposto em nome de convicções alheias. É urgente despenalizar e regulamentar a morte assistida", defendem.

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