27 de fevereiro de 2013 - 15h48
A ministra da Agricultura, Assunção Cristas, reafirmou hoje que não está em causa a segurança alimentar nos produtos com vestígios de carne de cavalo, destacando que se trata de uma questão essencialmente de rotulagem.
"É essencialmente uma questão económica e a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) está a tratar dessa parte. Todavia, há um plano desenhado pela Comissão Europeia, que Portugal está desde já a cumprir, para também garantir que, do ponto de vista da segurança alimentar, não haja problema nenhum e estamos a fazer essas análises", disse Assunção Cristas.
A ministra falava aos jornalistas no final da reunião interministerial para os Assuntos do Mar, na qual foi aprovada a estratégia nacional para o Mar entre 2013/2014.
A ASAE confirmou, na terça-feira, a presença de carne de cavalo em lasanhas, canelones, hambúrgueres e almôndegas em 13 amostras de produtos produzidos pela indústria de transformação portuguesa.
Cinco processos-crime foram instaurados contra empresas, mas a ASAE garante que “não existe perigo” para a saúde pública.
António Nunes, inspetor-geral da ASAE explicou que 13 de 134 amostras recolhidas deram resultados positivos à presença de carne de cavalo em carne processada.
Além disso, avançou que já foram retirados do mercado 79 mil quilos de carne processada, congelada, produzida a nível nacional e 18.839 embalagens de alimentos de origem internacional.
"As apreensões foram efetuadas em estabelecimentos industriais de preparação, embalamento e distribuição de carnes no comércio a retalho" e "no comércio de retalho e distribuição", explica em comunicado da ASAE.
"Estamos perante uma situação em que não há perigo para a saúde pública, mas de fraude sobre mercadoria com crime associado que pode ir até um ano de prisão”, frisou António Nunes.
O inspetor-geral da ASAE referiu também que os processos estão agora no Ministério Público, realçando desconhecer se esta carne de cavalo é de origem nacional porque o que foi analisado foi carne processada que pode vir de outros países europeus, “normalmente via Espanha”.
“As análises detetam só o ADN de cavalo”, disse, sublinhando que a monitorização vai continuar.
A fraude da carne de cavalo começou em janeiro, quando se descobriram no Reino Unido lasanhas da marca Findus que deveriam ser de carne de vaca, mas que tinham 100% de carne de cavalo.
À medida que se foi encontrando carne de cavalo em alimentos transformados noutros países da Europa, como na Alemanha e na França, foi-se percebendo a dimensão da fraude, que torna a produção destes alimentos mais barata.
Lusa

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