- Imunoterapia

Os medicamentos de imunoterapia, que modificam a maneira como o sistema imunológico funciona para reconhecer as células cancerosas, revolucionaram o tratamento da doença há uma década. Mas só são eficazes em cerca de 25% dos pacientes, com grandes disparidades dependendo do tipo de cancro.

O objetivo é "aumentar" essa percentagem, explica Christophe Le Tourneau, chefe dos primeiros testes clínicos do Curie Institute, um dos principais centros de pesquisa e tratamento do cancro de França.

"Quase 80% das moléculas e vias terapêuticas em desenvolvimento contra o cancro podem ser classificadas como imunoterapia", disse à AFP o geneticista Axel Kahn, presidente da Liga Francesa contra a doença.

Os cientistas estão particularmente interessados na combinação de quimioterapia seguida de imunoterapia, uma vez que a primeira causa mutações nas células cancerosas que se tornam mais facilmente detetáveis pelo sistema imunológico.

A ciência também está a examinar tratamentos chamados de "inibidores de pontos de controlo", que visam ativar linfócitos - células do sistema imunológico - presentes no tumor, mas "adormecidos" por este último. Até agora, essa técnica permitiu melhorar significativamente o prognóstico do melanoma e do cancro do pulmão.

Isso também representa uma esperança para os casos de cancro da mama de "mau prognóstico" de 10-15%, chamados de "triplo negativo", que atualmente não têm tratamento eficaz, de acordo com a Arc Foundation for Cancer Research.

- "Vacina"

Alguns estudos exploram a eficácia de uma vacinação com efeitos terapêuticos e não preventivos. A empresa francesa de biotecnologia Transgene está a explorar especialmente esse caminho, com uma vacina antivírus HPV (papilomavírus humano), combinada com uma imunoterapia clássica.

Este tratamento "consiste em disponibilizar ao sistema imunológico uma espécie de reconhecimento facial", baseado em mutações genéticas específicas do tumor de cada paciente, de modo que "identifique as células cancerosas e ative uma reação imunológica específica".

O termo "vacina" é explicado no sentido de que, ao contrário de outras imunoterapias, "o que se pretende é atacar as proteínas que não se manifestam nas células normais, mas apenas nas células tumorais. É criada uma vacina contra essas proteínas para que o organismo se imunize contra eles ", explica à AFP Eric Solary, diretor científico da Arc Foundation.

- Para cada paciente o seu tratamento

A análise morfológica e, cada vez mais, genética do tumor e das suas células circundantes desempenha um papel importante no diagnóstico dos pacientes e na escolha do seu tratamento.

A presença de certas mutações no ADN das células cancerosas, bem como a distribuição das células do sistema imunológico, especialmente os linfócitos, permitem prever se determinado tipo de tratamento funcionará.

- Nanopartículas

Outra rota promissora é otimizar a eficiência das moléculas existentes encapsulando-as em "nanocápsulas" lipídicas.

Trata-se de "distribuir" melhor o fármco para que "vá diretamente para as células tumorais e evite danificar as células normais", o que limita o seu efeito tóxico no organismo, segundo Solary.

Ensaios clínicos "conclusivos e promissores" conduzidos pelo Instituto Curie também concluem que a injeção de nanocápsulas metálicas no tumor aumenta a eficácia da radioterapia.

Por outro lado, várias equipas de cientistas americanos usam bactérias geneticamente modificadas para levar um "coquetel tóxico" ao centro do tumor, onde não chegam as moléculas de quimioterapia que circulam no sangue.

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