O Herpes Zoster é uma doença dolorosa e debilitante que afeta cerca de uma em cada quatro pessoas ao longo da vida. Ocorre com maior frequência em indivíduos com mais de 50 anos e pode ter complicações graves, tais como a Nevralgia Pós-Herpética.

A Nevralgia Pós-Herpética foi definida como dor presente por mais de 90 dias após a erupção cutânea e é causada pela lesão dos nervos pelo vírus, sendo por isso considerada como dor neuropática. O risco e a gravidade do Herpes Zoster e da Nevralgia Pós-Herpética aumentam com a idade.

O estudo “Custos e Qualidade de Vida em doentes com Zona ou Nevralgia Pós-Herpética seguidos em Unidades de Dor em Portugal – Estudo Observacional Multicêntrico”, a que a Lusa teve acesso, foi desenvolvido por investigadores do Centro Nacional de Observação em Dor e da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

Um dos resultados mais significativos foi “a elevada utilização de serviços de saúde por parte destes doentes” e o subsequente e “muito relevante” impacto económico desta doença. Durante o curso do episódio de Herpes Zoster ou Nevralgia Pós-Herpética a média dos custos totais por doente são estimados em 3.331 euros.

Os autores do estudo referem que “para este valor contribuem sobretudo os custos diretos (medicação, consultas médicas, atendimentos em serviços de urgência, hospitalizações) que são estimados em 3.043 euros e dos quais dois terços representam unicamente custos com medicação. Os custos indiretos são relativamente baixos, mas devem ser encarados no contexto de uma população idosa, maioritariamente reformada e onde apenas 60% reporta ter um cuidador dedicado”.

O trabalho teve ainda como objetivos avaliar os sintomas e as características da dor associada ao Herpes Zoster e à Nevralgia Pós-Herpética e o respetivo impacto na qualidade de vida do doente, quer ao nível das atividades diárias, quer ao nível da utilização de cuidados de saúde.

Relativamente às características da Nevralgia Pós-Herpética, 28% dos doentes que participaram no estudo referiram dor durante um período de 7-12 meses, 23% durante 1-2 anos e 12% durante 2 a 3 anos. Cinquenta e cinco por cento referiram que a dor é constante e 34% que a mesma é diária. Para 26% dos doentes a intensidade da dor foi classificada como grave e muito grave e para 22% como moderada.

Na fase aguda do episódio de Herpes Zoster 55% dos doentes relatou dor intensa e muito intensa e a localização da erupção cutânea foi sobretudo na região torácica e abdominal.

O estudo conclui ainda que 50% dos doentes já tiveram que recorrer a uma urgência hospitalar pelo menos uma vez e 7% permaneceram internados, em média por cerca de 10 dias.

A investigação foi elaborada através de um questionário presencial, a doentes com diagnóstico de Herpes Zoster ou Nevralgia Pós-Herpética, seguidos em 18 Unidades de Dor em Portugal. A recolha de dados decorreu entre janeiro 2010 e julho 2011, para uma amostra global composta por 91 indivíduos residentes em Portugal, 87 dos quais com 50 anos ou mais (idade média de 72 anos), 45% dos inquiridos são do género feminino e 55% do género masculino.

Qualquer pessoa que tenha tido varicela (mais de 95% da população europeia) está potencialmente em risco, dado que esta doença resulta da reativação do mesmo vírus que provoca a varicela.

Atualmente já é possível prevenir o Herpes Zoster e a Nevralgia Pós-Herpética através de uma vacina indicada para indivíduos com 50 ou mais anos.

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