“Os médicos têm de ser cada vez mais interventivos na vida político-económica do país porque é ela que está a condicionar o SNS”, defendeu hoje, em Coimbra, o bastonário José Manuel Silva, no início da conferência que proferiu no âmbito do Dia da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC).

A terminar a sua intervenção, subordinada ao tema ‘O futuro da medicina em Portugal - a sustentabilidade do SNS num país insustentável’, José Manuel Silva, que falava essencialmente para professores e alunos da FMUC, exortou os jovens a, também eles, participarem na vida política e a contribuírem para que o país seja dirigido por pessoas “mais qualificadas”.

O desafio lançado aos atuais e futuros médicos vai no sentido de que compreendam que “a economia, a política e a organização social do país são fatores que influenciam a saúde”, que “condicionam” a prática da medicina, explicitou, à margem da conferência, em declarações aos jornalistas, José Manuel Silva.

Idêntico foi o apelo feito por Adriano Moreira, outro dos oradores das comemorações do Dia da FMUC deste ano.

Adriano Moreira, que falou sobre “A quarta dimensão das universidades”, sustentou que é “um direito e um dever” dos jovens - “particularmente daqueles que, pelo menos teoricamente, têm mais acesso à formação e à cultura”, como os estudantes universitários - intervirem na vida política do país.

Por seu lado, José Manuel Silva considerou que Portugal “tem um grande défice de cidadania”, sublinhando que os políticos reconhecem.

Mas, “quando ela é exercida, há muitos políticos que a receiam, porque efetivamente a intervenção da sociedade pode modular as decisões das políticas dos governantes”, defendeu.

O país está “perante uma situação insustentável” e “não há, de facto, alternativa a, de alguma forma, reestruturar a dívida”, disse o bastonário dos médicos, defendendo que “a sociedade portuguesa deve ser mais exigente perante a governação política do país, no sentido de exigir modificações que são absolutamente essenciais”.

“O atual modelo de governação transforma a democracia numa partidocracia”, na qual a “sociedade civil tem muita dificuldade em intervir” e fazer “ouvir a sua voz”, afirmou o bastonário, frisando que se as pessoas se tornarem “menos passivas” compreenderão que “têm capacidade de influenciar as decisões e de impor um modelo de governação” diferente.

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