Falar de uma doença rara como a atrofia muscular espinhal (AME) em Portugal, é o mesmo que falar do mais escandaloso exemplo de desigualdade no acesso à prestação de cuidados de saúde. Se quisermos enquadrar este caso na área de comunicação e literacia em saúde, chama-se iniquidade, ensinada pelo grande nome Sir Michael Marmot. Mas a responsável máxima tem um nome: Marta.

Falar de meninas gémeas ou trigémeas tanto me faz. O que aqui importa é que há seleção adversa na forma como alguns doentes são tratados e isso não é uma inverdade. Mas existe uma grande mentira em torno deste triste e famoso caso, e tem um autor: Marta Temido. A ex-ministra que tem muita ambição política extrema o favorecimento. Todos os portugueses e estrangeiros que por cá residem já perceberam o circuito do “pistolão” – vocabulário que nunca tinha ouvido na vida, e é este: O circuito é tão obvio: filho do Presidente pede ao pai, o pai do filho pede à ministra, e ela deveria ter travado aqui. Dar o exemplo. Mas não! A sua entrevista a esbugalhar os olhos e a esticar os lábios numa face language indescritível de concentração visual de mentira, mostrara, bem o que é a sua conduta: insustentável mentira. Deveria a antiga ministra dar o exemplo e não encaminhar ao antigo secretário de estado, médico. A partir daqui o servilismo da cunha pistoleira continuou. O secretário reúne com o chefe de estado, que depois pede ao presidente do hospital de santa Maria – o qual já tinha recebido pedido da ministra (que aliás o escolheu para aquele lugar), que pede ao diretor clínico e este encaminha ao médico coordenador que por sua vez já tinha recebido pedidos do secretário de estado. É isto o nosso País. À mulher de César, não basta ser. À ministra não bastava ser tão legalista – como perseguidora de médicos – era preciso parecer e não parece nada.

Houve, todavia, quem tivesse – apesar de também socialista e nomeada para o lugar de presidente do outro centro hospitalar que integra o Hospital pediátrico de dona Estefânia, Rosa Matos. Os médicos e a presidente disseram que não. Mas isso não contou. E Temido e Lacerda fecharam-se em copas, digo, rosas.

Se a pandemia a ajudou a ter uma carreira “brilhante” à frente da pasta da saúde, gerindo a vida e a morte dos que por cá estavam por ocasião da crise com mais de 5 vagas de SARS CoV-2, este caso, vergonhoso, para todos nós, queima Marta e nem as suas lágrimas a limpam. Este caso é escandaloso. Três palavras de ordem: acesso, tratamento e equidade. Delas apenas uma: acesso. Em tapete vermelho. A saúde deveria ser para todos e de todos. Mas não é. Alvitram estes senhores de esquerda caviar que a saúde é de todos, mas é mais de uns que de outros. E se há um chefe de estado (que já foi de um partido mais alinhado ao centro direita) melhor, porque assim até parece que se é democrata. Na verdade, é de um radicalismo de esquerda que deveria ser banido. Mas finge-se que nada acontece. E o partido socialista nada diz. Ela espera que um dos dois candidatos à liderança do PS ganhe para tomar partido do vencedor. Esta é a opinião que se tem sobre a pequena Marta. Parece uma jovem nos trilhos da política e comete erros de palmatória que envergonham qualquer líder político.

AME(N) Marta. Vale tudo. Atrofia muscular espinhal tipo 1 (AME) é uma doença neurodegenerativa e é tratada com o medicamento mais caro do mundo, o Zolgensma. Afinal já é para todos e, nos termos do artigo 64ª da Constituição da República Portuguesa, que também já reconhece os mesmos direitos aos estrangeiros não residentes e não pagadores e contribuintes para o sistema, passa de “tendencialmente gratuito” para totalmente oferecido. Acresce que na grande maioria dos Hospitais portugueses, existe uma Comissão de Farmácia e Terapêutica e, em Lisboa, no centro hospitalar universitário de Lisboa Norte, esse serviço tem um diretor, Carlos Manuel Santos Moreira. Além deles, a comissão é ainda constituída pelos nomes Álvaro Pereira, Ana Paula Carrondo, João Paulo Cruz, Isabel Félix, Sónia Bernardo, Sara Azevedo, Sofia Cid Torres. Vanda Pacheco. Terá este pedido sido escrutinado e avaliado nas regras internas e legais? Não parece. Algo diz aos portugueses que terá sido enviado diretamente a pedido do membro do Governo.

A poucos portugueses restam dúvidas como o pedido nasceu: claramente foi feito da Presidência da República, pela Maria João Ruela que – superiormente – recebeu instruções sociais. O Chefe de Estado é muito interventivo. Generoso, caraterísticas aliás inatas ao seu filho. Podemos compreender, mas não se aceita. Não há direito que umas crianças que não entram no sistema de forma legal e correta, esmaguem todas as outras com a mesma condição, desrespeitando as sofredoras mães, sem cadeiras de rodas e sem pistolões ou pistoleiras para a cunha presidencial e ministerial.

A balbúrdia com que todos os dias o Povo se confronta é a relação de promiscuidade entre os órgãos de soberania. Registam-se no sistema de saúde por membros de governo que dão ordens a médicos coordenadores. Estes(e bem!) denunciam a vergonhosa iniquidade. Repare-se que existem crianças de primeira e de segunda e até de terceira categoria na forma como acedem ao sistema de saúde. O caso de uma criança (santomense) alegadamente à espera do tratamento idêntico e que não o recebeu. Onde anda o nosso Presidente? Se calhar também era prima de alguém. Em São Tome E Príncipe somos todos primos uns dos outros. Mas ninguém chega ao presidente. Ou se chega, dá-se ao respeito. Tudo depende da cunha que passou a ser o motor que norteia o lobbying em Portugal. Favorecimento e corrupção. Se esta aqui não se aplica, já o favorecimento é claro. Vamos lá ajudar porque assim o chefe de Estado protege-nos quando estivermos nas bocas do mundo.

Não há direito! A inaceitável exposição em que colocaram a professora Ana Paula Martins, presidente do CHLN que nada fez para este favorecimento e herda com esta escandalosa decisão, a vergonha para a instituição que comanda sob imensas e hercúleas dificuldades. A verdadeira responsável, Marta Temido, que finge não perceber do que se trata na entrevista a uma rádio. Como se houvesse muitos casos desta doença rara que afinal passa a comum aos seus olhos e, com muitas gémeas. Haja decoro. A competentíssima neuropediatra, mulher osso duro de roer fez o tratamento, mas não deixou de tornar clara a insustentável mentira da marta e sua equipa.

Não vale tudo. Elementar. Não pode valer tudo. Não se questiona nem discute a necessidade de prestar auxílio na prestação de cuidados a estas crianças, mas elas não são mais importantes que as outras que foram discriminadas negativamente e elas positivamente. As rodas automáticas e esmagadoras em que todas as instituições são postas em causa. A antiga ministra com ambições à liderança do edil ou quem sabe do parlamento europeu, atacou de forma inacreditável os médicos. Agora alvitra dar ordens aos médicos sobre quem deve e não deve receber auxílio? Como é possível que estas meninas – certamente com invocação de razões humanitárias – conseguiram a sua naturalidade/nacionalidade – ius sanguii – em 6 meses. E consulta em curto espaço de tempo, não presencial.

Concluindo, por que razão o Hospital pediátrico dona Estefânia, que integra o Centro hospitalar universitário de Lisboa central rejeitou o tratamento tendo sido encaminhado para o Santa Maria? Santa Maria é um grande hospital e acabou por ser depósito, infelizmente de administradores hospitalares, de assessores contratados de forma enviesada, para não dizer ilegal, com cunhas de Marta que até ingere na forma desigual como se prestam os cuidados milionários de saúde.

Se o famoso caso de BENJAMIN BUTON escandalizou a sociedade mundial com o filme, hoje é arrasado pelo ainda mais famoso caso das gémeas MAITÊ&LORENA.

A CIVICUS organizou recentemente mais uma conferência, com Paulo Macedo como orador. As receitas revertem a favor da Liga Portuguesa contra o cancro. O antigo ministro da saúde que marcou na liderança contra a corrupção na saúde, tal como Adalberto Fernandes, numa resposta à plateia, sublinhou que missão e o cargo mais desafiante que lhe deram foi gerir a pasta da saúde. Num outro contexto disse que não existem bons líderes na saúde. E sublinhou “Se houvesse, afirmo, o então presidente do Hospital de santa Maria nunca teria encaminhado pedido, de Marta. Tê-lo-ia, aliás denunciado e ter-se-ia demitido”. Mas a política bafienta de esquerda falou mais alto. Mas uma coisa é certa, os sonhos de Marta acabaram tremidos e, em breve, mortos. No fim disto tudo, a culpa será do antigo diretor clínico, o Pinheiro. Mas não faz mal, é Natal e enfeitamos com bolas e luzes.

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