"É um teste para o regresso à normalidade", disse Federica Trotta Mureau, editora-chefe da revista de moda italiana Mia Le Journal, à AFP.

A fórmula "híbrida" simboliza um primeiro retorno às sensações despertadas pelos desfiles ao vivo: "As luzes que tiveram que ser apagadas voltam a ser acendidas, a música volta a acompanhar a entrada das primeiras modelos (...) é uma emoção que o digital não pode transmitir", afirma Mureau.

A famosa marca italiana Armani foi a primeira a anunciar em maio o regresso do público aos desfiles depois de ter sido a primeira a abrir mão das passerelles em fevereiro do ano passado, quando o coronavírus começou a espalhar-se por Itália.

"Dá-me medo, como acredito que dê a todas as pessoas", confessou na época o estilista Giorgio Armani, de 86 anos.

Seguindo os desfiles presenciais estão as marcas Dolce & Gabbana e Etro. Por enquanto, serão presenciais apenas três dos 47 desfiles da temporada Primavera-Verão 2022 programados para acontecer em Milão durante cinco dias.

A grande maioria optou pelo formato virtual, com desfiles gravados ou curtas na plataforma da Câmara Nacional de Moda Italiana, apresentados nos próprios canais de comunicação ou nas redes sociais.

Liberdade de movimento

Foi o caso de Ermenegildo Zegna esta sexta-feira. Num cenário que passeava entre o ecológico e o urbano, a marca mostrou preferência por materiais e volumes fluídos. Tecidos leves associados a cortes simples, casacos tipo quimono, casacos sem gola, sobretudos e bermudas soltas, chinelos de couro entrelaçados...

"É o renascimento do luxo artesanal, um movimento que liberta o homem preservando a sua singularidade", explica o diretor artístico da marca, Alessandro Sartori.

Para esta coleção, Zegna trabalhou com fibras vegetais, como cânhamo ou linho, cores naturais, jogando com as nuances das matizes do branco, tons de castanbo e verde mineral.

Depois do período sombrio da pandemia, trata-se de homenagear a natureza e as suas cores, "a sua capacidade de renascer e florescer após um inverno frio", explicou Federica Trotta Mureau.

Essas tonalidades "duradouras" passam uma mensagem de "admiração pela resiliência da natureza, capaz de renascer e florescer após o inverno frio", explicou a especialista em moda que vê nela "uma mensagem de esperança" após tempos difíceis.

"Adeus às cores sóbrias e castigadas! O verão de 2022 para a moda masculina será marcado por cores e exageros", disse.

'A retoma do setor'

O mercado italiano da moda recuperou-se e prevê um aumento de 17% no volume de negócios para este ano, perto de 80 mil milhões de euros, impulsionado principalmente pela China, segundo a entidade responsável.

Estima-se que as exportações de moda "Made in Italy" aumentem 13%.

"O facto de o governo nos ter ouvido e dar um sinal verde ao nosso pedido de autorização da presença do público a partir de 15 de junho constitui um sinal importante para a retoma do setor", garantiu com otimismo o presidente da Câmara Nacional de Moda, Carlo Capasa.

No entanto, a indústria dr moda italiana estima que regressará aos níveis pré-pandémicos apenas em 2022, porque os pedidos durante os primeiros meses de 2021 não registaram mudanças e, ao contrário, continuaram abaixo das expectativas.

O ano de 2020 foi calamitoso para a moda desse país, com uma queda de 26% nos lucros, por causa do confinamento, encerramento de lojas e conexões internacionais, além do colapso do turismo.

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