No ginásio da Escola Rodrigues de Freitas, Luís Buchinho festejou 25 anos de carreira com a apresentação da coleção “Comics”, na qual faz uma análise introspetiva dos motivos que o conduziram ao design de moda. Trata-se então, nas palavras do criador, de revisitar “as razões que me levaram à escolha desta profissão, algo que começou com a minha obsessão, desde cedo, pela banda desenhada, a ilustração e o design gráfico”. Por isso, “a possibilidade de contar uma história graficamente foi o conceito base para toda a coleção, recorrendo a técnicas utilizadas ao longo de todo o meu percurso criativo, tais como a mistura de diferentes materiais, o uso de blocos de cor e uma paleta de cor inusitada”.

Para o próximo outono/inverno, o criador desenhou uma coleção em que o preto e o branco estão em destaque, “reforçando o lado gráfico do tema em silhuetas fortes, por vezes masculinas e sempre afirmativas”. Nos materiais, Luís Buchinho deu preferência ao mohair, combinado com lãs de diferentes texturas e densidades. Lãs, essas, que surgem misturadas com cabedal, seda, jacquards dupla face em algodão e vários complementos em malha. “As silhuetas são ora desportivas, ora românticas, pintadas em azul, azul e mais azul”, revelou o criador.

Após a apresentação de Luís Buchinho, e à semelhança da edição anterior, os desfiles regressaram ao Palácio dos Correios  a partir das 20h30. Merecem destaque as novas coleções de Daniela Barros, Hugo Costa, Katty Xiomara, Júlio Torcato e Pedro Pedro, que regressa ao evento depois de vários anos de ausência. Relembramos que a última participação de Pedro Pedro no certame foi em 2007, na 21.ª edição do evento.

Antes de Pedro Pedro, Katty Xiomara apresentou a coleção ”Revolution”, que, segundo a criadora, “desenha um contorno mais feminino sobre aquela base tão masculina do uniforme militar. E numa visão mais otimista fala-nos da necessidade de respeitar o que é natural e vivo”. Ora, “como resultado desta
mistura militar, revolucionária e naturalista, numa onda de movimentos livres e espontâneos, surgem formas puras, limpas, envolventes e texturadas. Lãs
meltons, tweeds e malhas esponjosas, materializam a ideia de volume e textura. A leveza e as linhas puras ficam ao serviço das rendas e voilles de algodão e
seda”. Nas cores imperam os tons verde da natureza e pequenos detalhes em ambrósia, alecrim e vermelho marsala, que combinam com padrões militares.

A seguir, Júlio Torcato revelou a coleção “Two (2) Collection", que é descrita, pelo mesmo como um “trabalho sobre dualidade e duplicidade, sobre nós e o
outro, sobre diferenças que aproximam, como uma energia que associa conceitos aparentemente antagónicos: claro e escuro, tradição e modernidade, curto e longo”. Predominaram as calças cropped e os casacos longos com materiais como pelos falsos, veludo, pele e lã. Riscas e xadrezes definem silhuetas
contemporâneas e reforçam o look e o statement da coleção. Nas cores dominaram o preto, o navy, o bordeaux e o cinza. “Os materiais, a forma e as texturas são a chave do conceito da coleção”, diz Júlio Torcato.

A encerrar a noite de quinta-feira, Pedro Pedro deu a conhecer uma coleção que teve como ponto de partida conceptual o “ballet como esforço, dedicação,
bravura. A dança antes do glamour do palco. A dança como exercício físico exigente, batalha contra o corpo”. Assim nasceu uma coleção que o criador
descreveu como “brutalista nos cortes e nos acabamentos, contrariada pelos materiais naturais e femininos. Roupa-casulo que contrasta com rachas e
aberturas, sobreposições que não escondem por completo a sensualidade da pele”. Nos materiais, Pedro Pedro privilegiou os feltros de lã, a lã double
face, os bouclés, a jersey de lã e os canelados de jersey estruturados e/ou transparentes. A paleta de cores espraia-se pelas tonalidades de cinzento,
castanho, caqui e rosa, com apontamentos vivos de mostarda e preto. A silhueta é “natural” mas vai-se “descontruindo à medida que se acentua o jogo de
sobreposições”. Os cortes são “longilíneos” e estão “conjugados com peças desestruturadas e volumosas”.

Hoje, dia 27 de março, o Portugal Fashion faz a sua estreia no Palácio da Bolsa, um dos mais monumentais e identitários edifícios da cidade do Porto.
A partir das 17h30, sobem à passerelle as coleções, entre outros, da marca Meam (by Ricardo Preto), dos consagrados Anabela Baldaque, Carlos Gil e Miguel Vieira e dos designers emergentes Diogo Miranda, Susana Bettencourt e Estelita Mendonça.

Durante 4 dias vamos poder ver 13 desfiles individuais de criadores, dois desfiles duplos de criadores, dois desfiles coletivos de marcas (calçado e vestuário), cinco desfiles individuais de marcas de vestuário e nove desfiles do projeto Bloom. Ao todo, o evento reúne 17 criadores, nove marcas de vestuário e seis marcas de calçado, bem como seis jovens designers e quatro marcas de jovens designers.

Veja todos os desfiles no Dossier da 36ª edição do Portugal Fashion.

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