Quando se fala em mamoplastia de aumento com colocação de próteses, ainda persistem alguns mitos que podem levar a que esta decisão seja adiada. Com a ajuda do cirurgião plástico António Conde, saiba que tipos de próteses existem, as vantagens da colocação de próteses, os cuidados a ter e quem pode submeter-se a esta cirurgia. Para o aumento mamário existem, sobretudo, dois tipos de prótese, próteses de gel de silicone redondas e anatómicas.

De acordo com a indicação e as expetativas da paciente, escolhem-se os diversos tamanhos e formatos existentes no mercado. "A utilização de um tipo de prótese em detrimento de outro baseia-se sobretudo na experiência e preferência do cirurgião. Não há evidência de melhores resultados de um tipo de prótese versus outro tipo, em situações específicas", explica António Conde, cirurgião plástico.

As respostas de um cirurgião plástico às dúvidas mais inquietantes sobre o aumento de peito
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O aumento mamário com próteses permite a "obtenção de um aumento de volume mamário imediato", refere. "Imediato e permanente", sublinha. "O ganho é imediato e duradouro", acrescenta o especialista. No entanto, há mulheres que ainda receiam aumentar o seu peito através de cirurgia e da colocação de próteses, procurando alternativas menos invasivas.

"Uma vez que o material não é biológico, um dos inconvenientes da introdução deste no organismo é o risco de infeção e a contratura capsular", alerta António Conde. Ainda assim, é de salientar que, atualmente, com "as próteses de última geração, a taxa de complicações é muito baixa", assegura o cirurgião plástico português.

A escolha das próteses

No que respeita à escolha das próteses, muitas doentes solicitam "um tipo de prótese dita anatómica, com a expetativa que, dessa forma, a sua mama ficará natural". Tal ideia constitui um mito. "Tanto se pode obter uma forma anatómica com uma prótese redonda como com uma forma não anatómica ou artificial", refere. A escolha da prótese mais adequada passa muito pelas opções do cirurgião e pela sua experiência.

"Há que verificar o estado da pele, o invólucro cutâneo da mama, as dimensões do tórax e por aí fora... O mesmo raciocínio aplica-se à abordagem retromuscular ou retroglandular", explica o cirurgião plástico, que refere, ainda, ter preferência pela posição retroglandular. "Em suma, mais importante que a técnica é o técnico que a exerce", defende.

A via de colocação das próteses mamárias e a posição em que são colocadas é, então, o resultado da preferência do cirurgião versus preferência da paciente versus tipo de mama. "Assim, as próteses podem ser colocadas por via axilar, periareolar, submamária ou abdominal, nos casos de abdominoplastia concomitante", sublinha.

"As próteses podem ser colocadas à frente ou atrás do músculo grande peitoral", acrescenta o especialista. "Na minha prática, geralmente opto por colocá-las à frente, excetuando nos casos de doentes francamente magras", sublinha ainda o cirurgião plástico.

Próteses (mais) seguras

Nos últimos anos, houve uma polémica relacionada com próteses mamárias, da marca PIP, que colocariam em risco a segurança das pacientes. Esse facto originou algum receio por parte de mulheres que gostariam de aumentar o seu peito mas que não estariam absolutamente seguras em relação ao procedimento. António Conde dá-nos a sua opinião.

"Em relação a essa situação específica, tratou-se mais de um problema de qualidade da prótese do que uma questão de risco para a saúde, pelo que acabou por não ter impacto prático relevante. Contudo, serviu, sobretudo, para alertar as pacientes para procurarem cirurgiões credenciados utilizadores de produtos certificados, de qualidade, e nos locais adequados para se proceder a este tipo de intervenção", considera.

Assim, quando decidir submeter-se a esta cirurgia, procure locais devidamente equipados e certificados, com apoio de todas as especialidades (incluindo unidade de cuidados intensivos) e de enfermagem 24 horas por dia. "Não é minimamente aconselhável a realização desta intervenção sem essas condições estarem devidamente reunidas", sublinha o cirurgião plástico António Conde.

A mamoplastia de aumento passo a passo

Esta intervenção consiste na introdução de implantes mamários de silicone, "de formas redonda ou em gota, de conteúdo altamente coesivo, através de incisões areolares, inframamárias ou axilares", salienta o especialista. Na maioria das vezes, recorre-se à anestesia geral e o procedimento tem a duração de cerca de uma hora para a mamoplastia de aumento bilateral.

Depois da incisão, "disseca-se o plano (retromuscular ou retroglandular, conforme os casos) formando-se uma bolsa onde será colocada a prótese. Após a sutura, é feito o penso com adesivos especiais", explica o especialista. "A paciente tem alta no dia seguinte levando consigo os drenos que retirará dois dias depois", refere ainda António Conde.

Os cuidados pré-operatórios que a intervenção exige

Além da abstinência de nicotina, aconselha-se que a paciente "não tome medicamentos que contenham ácido acetilsalicílico, pois os mesmos afetam o tempo de hemorragia e de coagulação", alerta o médico. Recomenda-se ainda a interrupção de medicamentos para emagrecer e o consumo de bebidas alcoólicas dez dias antes da cirurgia.

Se estiver com gripe ou alguma indisposição no dia da cirurgia deve comunicá-lo ao médico, bem como qualquer alteração do seu estado físico. Deve também fazer uma refeição leve na véspera e respeitar o jejum absoluto a partir da meia-noite do dia da cirurgia.

Os cuidados pós-operatórios que a cirurgia reclama

É pouco comum haver dor intensa no pós-operatório. Caso haja, pode controlá-la com analgésicos prescritos pelo seu médico. Após a cirurgia e durante duas semanas recomenda-se evitar levantar ou abrir os braços e dormir de bruços. "Os edemas e as equimoses são comuns mas desaparecem com o tempo", explica António Conde. Pode ocorrer ainda a "perda temporária de sensibilidade ou hipersensibilidade do mamilo".

Caso siga a medicação prescrita e as orientações recomendadas pelo seu médico, "a ocorrência de complicações é rara", salienta António Conde. No entanto, em alguns casos, pode haver um "encapsulamento (retração da cápsula fibrosa que envolve a prótese), em consequência da cicatrização interior excessiva". Para prevenir esta complicação e o desconforto que a mesma provoca, o seu médico recomendar-lhe-á massagens regulares e procedimentos clínicos e cirúrgicos, conforme os casos.

Outra complicação possível mas muito rara é a infeção. "Nesse caso, o tratamento passa sobretudo pela remoção da prótese", explica o cirurgião plástico. Uma intervenção deste género ronda, em média, os 3.900 €. Um valor que pode, contudo, variar em função do tipo de implantes a colocar, da clínica seleccionada e/ou do profissional escolhido.

Texto: Cláudia Pinto

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