Cuidamos cada vez mais dele. Está a transformar-se numa segunda pele. Já ninguém questiona uma rotina de cinco cuidados cutâneos e o mesmo começa a acontecer com o cabelo. A sua manutenção está a tornar-se cada vez mais envolvente e conta com uma enorme dedicação da nossa parte. Tomemos como exemplo os esfoliantes para o couro cabeludo, os tratamentos antienvelhecimento ou os BB Creams capilares.

As inovações estendem-se ainda aos novíssimos anti-champôs com óleos na base das suas fórmulas ou com texturas em creme... Se investir tempo no cuidado capilar é a moda mais recente, talvez seja altura de reavaliar o champô tradicional. Veja também a galeria de imagens com as novas tendências de penteados da estação.

Novas fórmulas sem sulfatos

Será que os champôs da velha-guarda, carregados com o tão mal-afamado lauril sulfato de sódio (detergente responsável pela espuma) danificam realmente o cabelo? Sim e não! Segundo Joana Nobre, mestre em ciências farmacêuticas, pós-graduada em dermocosmética e diretora técnica e de formação no Ales Groupe Portugal, «alguns sulfatos podem ser bons, outros não».

«Atualmente, temos conhecimento das diferenças entre os tipos de tensioativos», disse à revista Saber Viver a especialista. «Devemos privilegiar os de origem natural como as saponinas, e/ou os anfotéricos, por exemplo. Mas o facto de o consumidor ser informado não significa que tenha a informação correta», recomenda ainda Joana Nobre.

«Muitas vezes há pequenas diferenças na terminologia usada nas rotulagens e o consumidor percebe mal a mensagem. É muito importante percebermos se estamos perante marketing infundado ou evidência científica. Há imensos mitos associados às formulações dos cosméticos, concretamente dos champôs», acrescenta ainda a especialista.

As muitas confusões que ainda se geram

E aqui reside o princípio da nossa confusão, porque apesar de nos rendermos às novidades cosméticas, não nos informamos convenientemente... Confesse lá, quantas vezes comprou um champô porque viu num anúncio que tinha mil e uma propriedades e depois foi confirmá-las lendo o rótulo? Pois... A verdade é que acreditamos, muitas vezes ingenuamente, nas promessas das campanhas publicitárias.

Mas depois não comprovamos a sua eficácia e o fator diferencial de outros cosméticos. De qualquer maneira, «é importante não definir um cosmético pelo que não tem, mas sim pelo que tem e pelo valor que realmente aporta ao utilizador», sublinha. «Não é por fazer espuma que o champô vai obrigatoriamente fazer mal», diz ainda a diretora técnica.

Veja na página seguinte: Anti-champôs e champôs 2 em 1

Os anti-champôs

Muitas marcas têm vindo a apostar em champôs sem espuma, alargando as gamas disponíveis no mercado. «Há agentes espumantes suaves de origem vegetal, por exemplo», explica mesmo Joana Nobre. Em agosto de 2014, Michael Gordon, fundador da conhecida marca Bumble & Bumble, teve a ousadia de dizer que daqui a cinco anos, até 2019, ninguém iria usar um champô comum.

Isto a propósito do lançamento de Purely Perfect, um anti-champô que não faz espuma e promete preservar a coloração, respeitar o ambiente e minimizar o tempo despendido no duche. «Normalmente, as pessoas gastam dinheiro num champô, num condicionador e numa máscara. Com Purely Perfect, só é necessário um produto», assegurava o responsável.

Isto «independentemente do tipo de cabelo, o que pode ser muito libertador», disse Michael Gordon numa entrevista à edição britânica da revista Vogue. Este produto de limpeza capilar é um creme sem detergentes que, em contacto com o cabelo, limpa mas não faz espuma. A sua ação de limpeza é garantida pelo extrato de aloé vera que lava o cabelo sem lhe roubar os seus óleos naturais.

Para Joana Nobre, esta é uma realidade ainda distante, considerava a especialista em declarações à Saber Viver. «Cinco anos é pouco tempo para mudar os hábitos de todos os consumidores. Teremos sempre consumidores early adopters, que trocam qualquer produto pela novidade mais recente. Mas há também os laggards, que vão sempre oferecer uma tremenda resistência à mudança », alertava.

«São aqueles que, basicamente, só mudam quando não encontram o que procuram de todo», acrescenta ainda. Mas não é só. Não nos podemos esquecer que o fator preço também tem muito peso no momento da compra e, para a maioria das pessoas, um champô que custe mais de 15 € não é, de todo, considerado uma compra prioritária. Pelo menos, para a maioria.

Os 2 em 1

A universalidade do novo produto da Bumble & Bumble criou um enorme burburinho e os condicionadores de limpeza, outrora reservados para o cabelo africano, seco e difícil de domar, renasceram das cinzas. Assistimos, hoje em dia, ao regresso dos famosos 2 em 1 à prateleira dos supermercados, das farmácias e das perfumarias. Nos anos das décadas de 1980 e 1990, os 2 em 1 fizeram furor por facilitarem a rotina de beleza.

Contudo, os seus tempos áureos duraram pouco, uma vez que as consumidoras começaram a dar mais importância ao cuidado, em vez da conveniência. Resultado? Esta categoria de produtos desapareceu do mercado até... agora! Convém salientar que os champôs de que falamos não são iguais aos daquela altura. Aliás, tecnicamente nem sequer são champôs.

São os tais condicionadores de limpeza, muito na linha do Purely Perfect. O que fazem é limpar o cabelo e dar-lhe um banho de hidratação, sem recorrer a sulfatos ou surfactantes. Não vai ver muita espuma, mas vai ficar com um cabelo limpo e macio. Lembre-se que os 2 em 1 atuais, pelo menos a maioria, são mais indicados para cabelos secos, encaracolados e frisados.

Veja na página seguinte: Óleos que lavam e novas fórmulas anti-caspa

Óleos que lavam

Em 2103, o lançamento de Cleansing Oil Shampoo, da Shu Uemura, mudou completamente a forma como vemos um champô. Tudo graças à sua fórmula de base oleosa. A versão anticaspa deste óleo lavante e calmante do couro cabeludo, que já testámos, vem numa embalagem de 400 ml que dura uma eternidade e limpa o cabelo suavemente, envolvendo-o numa onda de frescura.

Seguiu-se a Kérastase, com Chroma Sensitive Baume Lavant Caresse, o primeiro produto da marca que, para além de prolongar a cor, faz muito pouca espuma. Mas como lava um champô se não faz espuma? Esta é uma pergunta absolutamente legítima. «É a química das coisas. Gordura dissolve bem gordura. Este é um princípio básico da química», refere Joana Nobre.

«Posto isto, com alguns óleos, conseguimos remover o excesso de sebo do couro cabeludo sem que para isso seja necessário usar um tensioativo espumante ou adicionar algum agente que faça espuma», desmistifica a farmacêutica. A procura por este tipo de cosméticos já se faz sentir. Até os homens, geralmente mais de hábitos, que os experimentam ficam rendidos.

E, «em determinados mercados como o da farmácia, é normal que os consumidores procurem cuidados mais naturais, associados a uma maior suavidade e a fórmulas melhor toleradas, adaptadas aos couros cabeludos mais sensíveis ou com patologias», avança a especialista.

Os novos anti-caspa

Há coisas que não podem ser ignoradas. E a caspa é um deles! Nos últimos anos, tem crescido em Portugal a consciencialização para a situação, o que se tem refletido nas vendas de tratamentos específicos para o problema. «Embora a etiologia da doença não esteja completamente definida, os estudos apontam o stresse e a irritação do couro cabeludo como fatores que podem despoletar a caspa e as suas recidivas.

E, apesar de a caspa ser uma afeção semicrónica, a utilização regular de um champô anticaspa pode melhorar muito (diminuindo as recidivas) ou até mesmo eliminar o problema», explica a especialista, que partilhou connosco a boa notícia de que «existe uma nova geração de champôs anticaspa que, para além da ação terapêutica, garante a beleza dos cabelos, permitindo uma utilização regular».

O champô de peónia da Klorane é um bom exemplo. Com a sua textura rosada e fragrância deliciosa, é eficaz, fica lindamente na prateleira da casa de banho e faz-nos esquecer que temos um amontoado de células mortas a bailar no nosso couro cabeludo. A Phyto foi outra marca a aliar tecnicidade a beleza, e acabou de lançar uma linha de cuidados que é o reflexo desta nova geração.

Phytosquam elimina a caspa em tempo recorde, luta contra o seu reaparecimento, suaviza o couro cabeludo e deixa o cabelo suave e brilhante. Nos últimos anos, muitas marcas investiram em fórmulas inovadoras para mulheres e para homens, como a Johnnie Black Cosmetics, que lançou Shampoo Oil Control, um champô com ação sebo-reguladora, anti-bacteriana, anti-caspa e anti-seborreica.

BC Scalp Genesis de Schwarzkopf Professional, que também tem uma gama anti-caspa, criou o primeiro sistema holístico detox com o seu complexo exclusivo StemCode e poderosas vitaminas, indicado para couro cabeludo desequilibrado. Localiza de maneira precisa os desequilíbrios do couro cabeludo, enquanto atua com efeito detox profundo e assegura as células estaminais e o metabolismo celular.

Veja na página seguinte: Os ingredientes a evitar

Os ingredientes a evitar

Também são muitos e é preciso conhecê-los. «Atualmente definimos mais um cosmético pelo que não tem do que pelo que tem, o que pode ser contraproducente», partilha Joana Nobre, que, para não nos tornar obcecadas pela formulação dos champôs que usamos, deixa uma série de conselhos:

- Privilegie as fórmulas de origem vegetal e natural. As plantas são poderosas e têm, sem dúvida, enorme compatibilidade com a biologia do ser humano. O Shampoo Oil Control da Johnnie Black Cosmetics, por exemplo, integra óleos essenciais de alecrim, sálvia, menta, óleo de semente de abóbora, camomila e pantenol.

- Use um champô adaptado à frequência da lavagem e à natureza, mais ou menos oleosa, do couro cabeludo, mesmo não tendo nenhum problema.

- Evite champôs que contenham nas bases lavantes lauril sulfato de sódio.

- Intercale os champôs direcionados para manipulações estéticas (alisamentos ou brushings) com cuidados mais neutros.

Texto: Madalena Alçada Baptista e Luis Batista Gonçalves (edição digital)

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