Marrão: Só dás por ele se lhe deres um encontrão por acaso. É que o marrão normalmente não é lá muito sociável. É óbvio que ele não pode ir ao cinema, jogar às cartas ou passar o fim-de-semana fora quando tem uma frequência dali a dois meses! O que acaba por acontecer é que de tanto dizer «não posso», os amigos vão deixar de convidá-lo. Assim, não é de estranhar que na Faculdade quase ninguém se lembre dele. Ele nunca foi ao jantar do caloiro, à Festa do Caloiro, à Semana do Caloiro, ao Batismo do caloiro... Enfim, ele nunca foi a lado nenhum e pergunta-se como é que os que vão passar o ano. Mas o marrão não se importa com isso. Aliás, ele nem sabe bem o que é ter amigos, porque o que tem mais próximo dessa definição são os professores com quem ele se encontra sempre que pode para discutir a verdadeira importância dos Mamelucos na Revolução americana. Como é óbvio é sempre o melhor aluno da turma e quando andava no secundário figurava no Quadro de Honra. Dares-te com um marrão podia ter a vantagem de lhe pedires os apontamentos emprestados, mas o que acontece é que ele acha que cada um só tem o que merece e por isso não gosta lá muito de emprestar uma coisa feita com tanto amor!

Baldas: Passa a vida no bar, em festas e jantares. Falta a pelo menos 50% das aulas e nunca sabe muito bem que professor é que dá o quê. Aliás, muitas vezes nem se consegue lembrar de todas as cadeiras que tem. Os colegas mais certinhos, que vão sempre às aulas, nunca percebem muito bem se o baldas faz mesmo parte da turma ou se está só a fazer algumas disciplinas. Aliás, quando se fala no nome dele eles têm alguma dificuldade em lembrar-se de quem é – a não ser que também costumem ir às festas. Estudar, só nas vésperas das frequências, e é só se não houver mesmo mais nada para fazer. Mas, curiosamente, o baldas acaba sempre por passar de ano. Uma aulita aqui, uma olhadela de alguma coisa ali, um olhito para o teste do lado... Enfim, pode não estar entre os melhores alunos da turma, mas safa-se sempre. Até entrar no mundo do trabalho (se isso algum dia chegar a acontecer!).

Cábula: Copiar está-lhe no sangue. É um verdadeiro profissional, que não adormece à sombra da bananeira e se preocupa em ir renovando conhecimentos – por isso mesmo sabe sempre as últimas novidades na arte de bem cabular. Já aprendeu a só pôr nas cábulas o que é verdadeiramente importante, por isso quando está nas frequências perde muito menos tempo a tentar encontrar o que precisa. Além disso, sabe fazer cábulas com arte: tudo dividido por matérias e feito a computador. E se é um mestre a fazê-las, também o é na hora de as usar. Não fica nervoso e se o professor olhar para ele fica a pensar que ele está super concentrado na prova. A única altura em que pode entrar em pânico é quando apanha a vigiar a prova um daqueles profs lixados que pensa que ainda estamos na época da PIDE. Aí entra em desespero porque, como é óbvio, não estudou absolutamente nada. E a partir daqui tudo pode acontecer: finge que se está a sentir mal, inventa que estão a bombardear a Faculdade, que há uma bomba...

continua

Palhaço: tem a mania que é esperto, mas só raramente o é de verdade. Nas aulas é ele que faz rir o pessoal, na maior parte das vezes com bocas parvas mas que ajudam a descontrair. Os professores detestam-no porque ele os põe muitas vezes a ridículo e por isso optam por deixá-lo falar e rezar para que não sobre para eles. Estuda quando o rei faz anos, por isso não é o melhor aluno, mas também não é dos piores: dá para ir passando sem grande ondas... Como é óbvio, gosta de gozar mas não gosta de ser gozado. Por isso, quando alguém lhe tenta fazer o que ele faz aos outros fica com cara de parvo e esforça-se por mudar o rumo da conversa. Não vá aquilo pegar...

Burro: 2+2=4
Certo? Pois é, para os burros isto não é assim tão linear. 2+2=4? E provas disso? Os burros não têm culpa de ser assim. Eles até se esforçam mas a cabeça é que não dá para mais. Até nem queriam estudar, mas os pais embirraram que o filho havia de ser doutor nem que para isso tenham que trabalhar que nem cães para ele perderem oito anos da sua vida (ou mais!) para tirar um curso de quatro. E é assim que quando precisamos dos serviços de um psicólogo, arquitecto, advogado e etc., nos deparamos com excelentes profissionais!

Reprodutor: Não conhecem muito bem a palavra raciocínio, mas decoram cinco páginas de texto em menos de nada. Nas cadeiras em que basta empinar são capazes de tirar grandes notas. Mas se depois tentares ter uma conversa com eles ficam atrapalhados e só respondem com monossílabos. Como não nunca aprenderam a folhear um jornal, normalmente não sabem nada do que se passa no mundo, excepção feita ao Jet-7. O quê, o Cavaco Silva já não é Primeiro Ministro? Estás a brincar? Quando é que foi isso?! Com tudo isto tu só te podes sentir bem, porque mesmo que não sejas um grande génio ao lado de uma pessoa destas és o máximo!

Normal: não se mata a estudar mas também não vai para as frequências a zeros, vai às festas mas não todos os dias, faz cábulas mas só da matéria em que está menos à vontade. Enfim, é o mais equilibrado e, sobretudo, o que olha com menos escárnio para os outros todos. Nas aulas não é de falar muito, mas também não se importa de dar umas risadinhas. Não arranca grandes notas mas também não é isso que lhe tira o sono. O único problema é que se for assim tão normal em tudo corre sérios riscos de morrer de tédio.

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