“Esta greve foi marcada depois de terem sido esgotadas todas as outras vias para quebrar o bloqueio negocial. Não há reuniões com o ministro da Educação [Tiago Brandão Rodrigues] desde janeiro. Depois disso apareceu um vírus e acentuaram-se os problemas. A lei diz que as questões de segurança e saúde sanitária são de negociação obrigatória com os sindicatos”, disse Manuela Mendonça, representante da Fenprof e coordenadora do Sindicato de Professores do Norte (SPN), à porta da Escola Secundária Clara de Resende, no Porto, onde ao longo das primeiras horas da manhã encarregados de educação foram deixando os filhos num cenário de aparente normalidade.

Cerca das 09:00, Manuela Mendonça considerou ser “cedo” para fazer balanços de uma greve nacional de educadores de infância e de professores do ensino básico e secundário, cujo pré-aviso foi divulgado a 27 de novembro.

“Esperamos uma boa adesão. Embora variável de escola para escola (…). Sabemos que a greve se realiza em contextos difíceis (…). A Fenprof dirigiu-se ao primeiro-ministro várias vezes, inclusive quando foi entregar o pré-aviso de greve e avisou que a greve só se faria se o Governo quisesse. Faltavam 15 dias para a greve e estávamos disponíveis para reunir em qualquer dia”, disse a dirigente sindical.

Manuela Mendonça admitiu que o momento, quer devido à pandemia da covid-19, quer por estar próximo do final do período e da aviação dos alunos, “é muito complexo” e contou saber que “alguns colegas que por força dos feriados e das pontes ficaram com muitos poucos dias letivos e não vão fazer a greve embora se revejam nos motivos” e frisou o porquê da paralisação.

“Não podíamos deixar de tomar uma posição para protestar pelo bloqueio negocial e exigir respeito pelos professores que também estão na linha da frente [do combate à pandemia] a dar o melhor de si aos seus alunos. Estão a permitir, em condições sanitárias insuficientes, que os pais e encarregados de educação estejam a trabalhar a bem da economia do país. Em segundo lugar exigimos respeito pelos sindicatos e pelas leia da República. Nenhum Governo está acima da lei e tem de negociar”, referiu a coordenadora do SPN.

Os professores e educadores exigem “diálogo, negociação e resolução dos problemas que afetam os docentes, mas também as escolas e os alunos”, acrescentou a dirigente sindical, apontando que esses “problemas já existiam antes, mas a pandemia tem vindo a agravá-los”.

“A falta de professores está hoje a deixar sem aulas milhares de alunos. É consequência da degradação progressiva das condições da profissão docente que afasta os jovens da profissão e que provoca níveis de desgaste e de exaustão aos professores que estão no ativo. A profissão envelhece e adoece. Há muitos professores de baixa médica”, disse Manuela Mendonça, questionando a “falta de diálogo” de Tiago Brandão Rodrigues.

“O ministro da Educação não está disponível para discutir soluções. Se o senhor ministro não está preocupado com a falta de professores, está preocupado com o quê?”, sublinhou.

Manuela Mendonça alertou que “ao contrário de outros países” a situação de Portugal “ainda não é tão crítica”, porque “há professores qualificados no país”, mas “não há professores qualificados nas escolas”.

“A carreira não atrai novos profissionais e a renovação não se faz. Se não forem tomadas medidas urgentes que revertam esta situação, a médio prazo a falta de professores qualificados em Portugal pode vir a ser o mais grave problema do nosso sistema educativo. É preciso criar condições para que regressem. E criar condições é dar-lhes estabilidade, abrir vagas nos quadros das escolas, valorizar a carreira e os salários e retirar burocracia das tarefas docentes”, concluiu.

Quase 150 mil docentes desde o pré-escolar até ao ensino secundário estão abrangidos pelo protesto convocado pela Fenprof.

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