
Os exames de anatomia patológica revelaram que Serena, a menina portuguesa que foi escondida pela mãe na mala de um carro durante quase dois anos, em França, foi medicada com analgésicos e anestésicos. Quando foi encontrada, a menina não conseguia sequer levantar a cabeça. Foi diagnosticada com autismo irreversível.
"Nenhuma dessas substâncias é indicada para crianças com menos de seis anos e é discutível o uso em menores. E quando ela foi encontrada tinha 23 meses", esclareceu esta segunda-feira no tribunal de Tulle, França, o pediatra que observou a menina nas horas seguintes à sua descoberta, em outubro de 2013.
O perito explicou que "só viu crianças no estado de Serena nas guerras do Leste da Europa" e que o caso o deixou chocado: "Já vi muito raquitismo, mas nunca nada como esta menina. Em França já não há nenhuma criança assim há muitos, muitos anos", afirmou. Agora, Serena já corre, salta e anda de bicicleta, como qualquer criança de sete anos. Só não fala, "emite sons".
Encontrada por mecânicos
A menina foi encontrada por mecânicos de uma oficina de Terrasson, na Dordogne, que desconfiaram da mulher que lhes trazia um Peugeot 307 com "problemas", mas que não queria abrir a mala de onde vinha um barulho. Alertaram, de imediato, as autoridades.
"Descobri a menina no fundo da mala, nua, ao lado de uma alcofa podre, nojenta. Dei um salto para trás tal era o cheiro", recorda Denis Latour, funcionário da garagem.
A portuguesa Rosa Cruz disse estar arrependida, na segunda-feira, no início do julgamento.
"É muito duro ser confrontada com esta realidade, com o mal que lhe fiz. Não li a acusação, não queria saber o mal que lhe tinha feito. Lamento imenso", afirmou a arguida, de 50 anos, citada pelo Correio da Manhã. Desempregada, a mulher tem outros três filhos, com idades compreendidas entre os 9 e os 17 anos.
Rosa Maria da Cruz, natural de Póvoa do Lanhoso, pode passar os próximos 20 anos encarcerada. Serena está numa família de acolhimento e tem horror a espaços fechados.
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