“Nas escolas públicas falta alguma organização e autoridade do sistema. Quando existe uma situação que não está correta, o diretor [da escola] não tem autoridade nenhuma. Quem tem é a tutela. Mas é a escola que tem de ter capacidade para decidir”, observou Jorge Ascensão, presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), em declarações à agência Lusa.

“Não há uma linha de responsabilidade na escola pública”, acrescentou.

Para o responsável, a agressão de um aluno de 16 anos a um funcionário numa escola de Gondomar, e da mãe de uma aluna a uma professora de um estabelecimento de ensino no Porto foram “casos isolados”, mas também consequência de, na escola pública, “ser muito complicado” colocar os problemas “nos carris” quando “proativamente as pessoas falham”.

“O conceito de serviço público está a ser repensado. Na escola pública tem faltado essa capacidade. Numa escola privada, os pais apresentam um problema e, em último caso, o patrão toma conhecimento. O patrão não quer perder clientes. O cliente é uma pessoa a quem se tem de dar muita atenção e na escola pública continuamos a ter utentes”, observou Jorge Ascensão.

A Confap defende, por isso, que o Conselho Geral das escolas seja “uma espécie de conselho de administração que fiscaliza a escola, e o seu diretor um CEO”, ou seja, um administrador executivo.

Para o responsável, existe na educação “alguma instabilidade emocional, quase epidémica, que pode começar em qualquer um dos pontos”, ou seja, nos pais, nos alunos, nos professores ou nos funcionários.

“Temos relatos de mães e pais preocupados porque um docente do primeiro ciclo segrega e insulta os alunos, chamando-lhes de burros. Quando surge um caso destes, isso equivale logo a 20 ou 30 famílias descontentes”, descreve.

De acordo com o responsável, os problemas que a escola pública enfrenta passam por ter “um universo heterogéneo muito grande” e por uma necessidade de “meios” ou “de outros métodos para trabalhar a formação na escola”.

“Por vezes falta até formação profissional. Isso aumenta o desinteresse pela escola”, lamenta.

Uma mulher de 33 anos, mãe de uma aluna de 12 anos da escola do Cerco do Porto, atacou na terça-feira, pelas 12:45, a professora da filha, disse hoje à Lusa fonte do Comando Metropolitano da PSP do Porto.

A mesma fonte esclareceu que, no local, não registou quaisquer agressões à aluna e que a professora, de 43 anos, se queixou “de murros e puxões de cabelos” por parte da mãe da estudante.

De acordo com a PSP, a professora tirou o telemóvel à aluna por ela o estar a usar na sala de aula e recusou devolvê-lo com base nos procedimentos habituais para o caso, que determinam a entrega do objeto à direção da escola.

Perante a recusa, a aluna pegou no telemóvel de um colega e ligou aos pais a dizer que tinha sido agredida, acrescentou a PSP. ´Também esta semana, mas na segunda-feira, um aluno de 16 anos agrediu um funcionário de 62 anos na escola EB 2,3 do Agrupamento de Valbom, em Gondomar, disse à Lusa fonte policial, indicando que o caso ocorreu pelas 12:30 e o que o trabalhador da escola, apresentava "escoriações no rosto, queixava-se de dores numa perna" e recebeu assistência hospitalar.

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