O fast parenting dos dias que correm está a prejudicar o desenvolvimento das crianças. "Parecemos o coelho da Alice no País das Maravilhas, sempre a correr de um lado para o outro", alertou hoje a psicóloga clínica Rita Coelho, fundadora e diretora técnica do centro de desenvolvimento Maria Cegonha, na Amadora, durante a sua intervenção no evento de apresentação dos novos produtos de uma linha de cuidados dermopediátricos.

Adepta da calma do slow parenting, a psicóloga clínica mostrou-se critica das opções de muitos pais que, por falta de tempo e de disponibilidade, inscrevem os filhos em tudo o que são atividades extracurriculares. "Como trabalham muitas horas, têm de arranjar uma forma de manter os filhos ocupados mas, na prática, o que eles querem é ter tempo para estar connosco", garante a especialista, que é mãe de duas meninas.

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A exigência atual acaba por refletir-se no comportamento dos mais novos. "Não há crianças difíceis, o difícil é ser criança num mundo de gente cansada, ocupada, sem paciência e com pressa", afirma Nuno Pinto Martins, especialista em disciplina positiva, outra das correntes que a psicóloga clínica subscreve. "Os centros de ocupação de tempos livres são espaços com mesas e cadeiras para onde as crianças vão depois de saírem da escola, onde passam o dia sentadas em cadeiras, rodeadas de mesas. Os meninos precisam de brincar", afirma Rita Coelho.

"Devemos dar tempo às crianças para crescer ao seu ritmo, valorizando cada etapa do crescimento. Eu não sugiro uma mudança radical de um momento para o outro, mas é preciso encontrar um equilíbrio para arranjar esse tempo", defende a especialista. "Eu recebo muitos pais que vêm com os filhos às consultas [de psicologia] mas, depois, não são as crianças que ficam [para serem acompanhadas], são eles", refere.

"A cultura das multitarefas e das multiatividades está a transformar os pais de hoje em pessoas que se sentem insuficientes, preocupadas e com baixa confiança, pais que educam uma geração de crianças que não têm possibilidades de autodescoberta e de autoexploração", condena. "Eu digo isto para os filhos e para nós. Também precisamos de tempo, que é uma coisa que nos falta, para respirar. É preciso desligar", adverte.

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