Era um clássico entre as crianças dos anos 80: uma hora e meia ou duas debaixo do chapéu de sol à espera de fazer a digestão para poder dar um mergulho no mar ou na piscina. Pois todo esse sacrifício foi desnecessário. “As pessoas, crianças incluídas, não precisam de esperar hora e meia depois de comer para entrar na água”, garantiu o médico Michael Boniface, da Mayo Clinic, em Minnesota, EUA, ao Daily Mail Online, revelando que “alguns atletas profissionais até comem enquanto nadam longas distâncias”.

“Pensava-se que, depois de comer, parte do sangue seria desviada para o intestino de modo a facilitar a digestão, desviando a corrente sanguínea dos braços e das pernas. Com isso, a pessoa ficaria mais cansada e por isso teria mais hipótese de se afogar”. A verdade, porém, não é essa. “Pode-se ficar com dores de estômago ou ter uma cãibra muscular, não mais do que isso. Ao que tudo indica, “nem sequer há provas que sugiram que o exercício após uma refeição provoca cãibras. Pode, isso sim, causar náuseas”.

O artigo do Daily Mail refere ainda que está provado que nadar no mar britânico aumenta em 70% o risco de contrair uma doença e tomar banho ou participar em algum desporto aquático 77%. Contactar com águas costeiras aumenta em 29% a probabilidade de desenvolver problemas gastrointestinais, como diarreia, náuseas, vómitos e dores abdominais.

Estudos mais antigos descobriram que a água do mar britânico pode conter bactérias como a E. coli, suscetíveis de provocar diarreia com risco de vida, e a enterococo faecalis, associada a infeções e feridas.

Citada pelo diário britânico, Anne Leonard, investigadora da Universidade de Exeter, explicou que em países ricos como o Reino Unido crê-se que a ligação ao mar implica poucos riscos para a saúde. “No entanto, este estudo mostra que entrar no mar aumenta a probabilidade de desenvolver doenças, ter problemas nos ouvidos e no sistema digestivo, nomeadamente dores de estômago e diarreia.”

Embora a maioria dos indivíduos recupere facilmente de tais doenças, os cientistas avisam que a situação pode ser grave se as vítimas forem pessoas idosas ou muito jovens.

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