A intervenção psicoterapêutica junto de pacientes com o diagnóstico de Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA) pretende suprimir as principais carências e dificuldades que surgem nas suas rotinas diárias e que fundamentam as reclamações e o descontentamento. Por isso, pressupõe a gestão emocional no amplo leque de situações que abrangem a vida do jovem, uma vez que a regulação emocional e a tolerância à frustração evitam explosões de raiva.

Inclui também a criação de técnicas de gestão do comportamento para minorar os conflitos e a rejeição pelos outros, pausar para refletir acerca de consequências de ações auto-promovidas ou comentários proferidos, o treino da utilização e aplicação da atenção para diminuir os níveis de distração e rentabilizar a energia, o treino de competências sociais para saber aprender a ler e a dar respostas apropriadas, e a imprescindível promoção da autoestima, do sentimento de competência e de pertença, para que se torne um adulto bem integrado, autónomo e com uma autoestima robusta.

De uma forma geral, o acompanhamento psicológico conjetura ajudar o paciente menor a aumentar a concentração, a resistência a estímulos distratores e o autocontrolo, tomando contacto com aquilo que está a acontecer no momento atual, no seu corpo, na sua mente e ao seu redor, percebendo os pensamentos, as sensações físicas e as emoções, sem julgamento e com curiosidade.

O jovem deve estar envolvido em atividades lúdicas, desportivas, sociais e familiares e todos devem ajudá-lo a fazer uma real compreensão da sua pessoa, ao longo do seu desenvolvimento.

Nesse sentido, a intervenção individual com o paciente com o diagnóstico de PHDA é indissociável da intervenção parental, para a conquista de resultados e avanços no âmbito da perturbação. Em consulta com os pais, é imprescindível conduzi-los à aprendizagem adequada das reais dificuldades do seu filho, bem como das suas reais potencialidades, para saber abordar de forma ajustada e ter da criança a reação mais avançada, melhorando as suas competências parentais, com a promoção de uma atitude consciente, positiva e favorável. Uma postura mais firme e consistente de gestão comportamental, por sua vez, reduzirá os níveis de stress familiar e promoverá no filho os novos padrões comportamentais que os pais tanto almejam.

A importância da parentalidade consciente

Libertar os pais do sentimento de culpa e de frustração e permitir uma atitude de aceitação, minora o impacto daqueles momentos em que ainda se vão continuar a sentir enfurecidos ou abatidos. Os pais devem prestar atenção ao filho e à sua parentalidade de uma forma consciente, intencionalmente, aqui e agora, prestar atenção sem julgar o filho ou a reação, aumentando a consciência do momento presente com o seu filho, e reduzir as reações automáticas prejudiciais ao alcance de resultados construtivos. Devem dar instruções simples, em sequência, evitar dar mais do que uma ordem de uma só vez, as regras devem ser dadas de uma forma clara, direta e imperativa (como instrução e não como pedido). As regras devem ser consistentes entre ambos os progenitores.

Na comunicação, devemos especificar o que queremos, numa linguagem adequada e utilizar um tom de voz calmo, evitando assim momentos de maior tensão ou conflito e dar instruções a curta distância. A voz externa dos pais, tornar-se-á a voz interna nos filhos, os seus pensamentos de comando. Os pais devem certificar-se que o filho está a ouvir e manter o contacto ocular, pedir para que ele repita a regra, para se certificarem que a mesma foi ouvida e compreendida. Reforçar e elogiar os comportamentos adequados, isto é, quando o filho corresponde ao solicitado, aumenta a probabilidade desses se repetirem. Os pais devem promover o auto-cuidado, respirar fundo, relaxar relembrando situações ou locais que proporcionam calma, controlar a ira e reservar algum tempo para si mesmos. Caso se sintam incapazes de lidar com a exigência e dedicação a que esta posição obriga, devem procurar ajuda especializada.

Os resultados terapêuticos são mais evidentes, céleres e perduráveis quando as intervenções são precoces, multidisciplinares e são implementadas de forma apropriada e em simultâneo, quer em contexto familiar, quer também ainda em contexto escolar.

Um artigo de Marta Calado, psicóloga na Clínica da Mente.

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