Preso desde junho de 2015, o principal arguido, que se fazia passar por psicólogo e que se intitulava como mestre da alegada seita religiosa, responde por dezenas de crimes de violação, lenocínio, pornografia de menores, entre outros. Alguns deles terão sido cometidos contra o próprio filho.

De acordo com a acusação, os arguidos "revelavam um total desrespeito pelas crianças" frequentadoras da quinta, para terem explicações ou participarem em atividades organizadas pelo líder da seita, que as convencia de que as sevícias sexuais de que eram vítimas correspondiam a "atos purificadores".

O líder do grupo também é suspeito de ter cobrado dinheiro a outros pedófilos para abusarem de crianças que frequentavam a quinta dos Brejos do Assa, no distrito de Setúbal. Apesar de os crimes ocorrerem numa zona rodeada por outras habitações, os residentes da área nunca se terão apercebido do que realmente se passava na quinta, uma vez que as vedações altas ajudavam a esconder o interior.

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O caso só chegou ao conhecimento da Polícia Judiciária de Setúbal devido à denúncia de uma pessoa que terá sido maltratada pelo líder da alegada seita religiosa quando mostrou que queria abandonar o local. Poucos dias depois, a PJ efetuou uma operação policial que culminou com a detenção de oito pessoas - cinco homens e três mulheres -, quatro das quais aguardam julgamento em prisão preventiva. Foram apreendidos computadores, colchões, vídeos e fotografias, que constituem elementos de prova dos crimes praticados.

A investigação da PJ terá permitido concluir que a "Verdade Celestial" não era mais do que um instrumento na estratégia de manipulação de crianças e adultos pelo principal arguido no processo.

A primeira sessão do julgamento está marcada para as 13h30 de terça-feira (15/11), no Tribunal de Setúbal.

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