“O mais importante na escola é aprender. A aprendizagem é mais importante do que a nota de um teste”, disse o professor da Universidade de Lisboa e especialista em políticas de educação e formação, reconhecendo que as mudanças de mentalidade são sempre processos morosos.

O especialista em avaliação educacional lamentou que ainda haja “uma certa obsessão com as notas. As pessoas ainda querem é saber de números. Não se preocupam se os alunos aprendem ou não”.

Em vez de estarem constantemente a avaliar conhecimentos, os professores preocuparam-se mais com o que os alunos ainda precisavam saber. Nas aulas, trabalharam muito em equipa e, por vezes, a ritmos diferentes.

“Imagine, numa aula de Matemática estão a dar equações de 2.º grau e a professora apercebe-se de que há um aluno que nem sequer sabe fazer equações de 1.º grau. O professor tem duas opções: avaliar negativamente o aluno porque não sabe ou tentar ajudá-lo a avançar”, exemplificou Domingos Fernandes.

A autonomia dada às escolas permitiu adequar o ensino ao grau de dificuldade dos alunos. “Ao conseguirem fazer os exercícios sentem-se automaticamente mais motivados e a assiduidade aumenta”, contou o diretor do agrupamento de Escolas Moinhos de Arroja.

Numa primeira fase, reconheceu Paulo Bernardo, este novo modelo é mais trabalhoso porque a aula passa a estar centrada no aluno e não no docente.

Antes as aulas eram mais expositivas, prejudicando quem não conseguia apanhar a matéria. Ao não perceberem, os alunos acabavam, muitas vezes, por se tornar indisciplinados.

A mudança a que aderiu quase meia centena de escolas de Odivelas foi inspirada no desejo de combater os chumbos e aumentar o sucesso académico. Segundo Paulo Bernardo, em apenas um ano diminuiu a indisciplina e a desistência escolar.

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