O presidente do Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT) avisou hoje que as dificuldades económicas poderão fazer aumentar os consumos de álcool e heroína e levar pessoas a dedicarem-se ao pequeno tráfico de droga para subsistirem. “Nós sabemos que o momento social e económico que vivemos é propício a um recrudescimento do fenómeno [consumo de heroína] em termos da sua associação aos fenómenos de marginalidade e exclusão”, afirmou José Goulão, à margem da apresentação do relatório sobre “Evolução do Fenómeno da Droga na Europa” da agência da União Europeia de informação sobre droga. O relatório destaca que, “na atual conjuntura financeira é prioritário assegurar a mais elevada qualidade e os melhores resultados do tratamento com os menores custos possíveis”. José Goulão reconheceu que “é difícil” manter a qualidade dos tratamentos com menores custos e alertou para o risco do aumento dos consumos. “Haverá algum decréscimo dos usos recreativos, presumivelmente, mas os usos mais complicados, semelhantes àquilo que conhecemos há 10 ou 15 anos, têm condições para recrudescer não só porque as pessoas têm tendência para usar mais substâncias, nomeadamente o álcool, mas também tranquilizantes, anti-depressivos e outras substâncias como a heroína, que estava classicamente associada a este tipo de situação”. Por outro lado, alertou, “mais pessoas terão a tentação de se dedicar à atividade de pequeno tráfico para subsistirem e, neste contexto, um desinvestimento em termos das repostas instaladas no terreno, não só a nível do tratamento, mas também da redução de danos”, poderá conduzir “a um recrudescimento importante do fenómeno”. O relatório aponta que Portugal, apesar se encontrar em quarto lugar nos cinco países com maior número de novos casos de VIH entre os consumidores de droga injetável, é um dos três que regista um decréscimo de infeções provocadas por novos casos. Para João Goulão, estes dados resultam da intervenção que tem sido feita a este nível: “A população toxicodependente foi aquela, comparativamente com outras, que mais desceu nos números globais da sida em Portugal”, o que indica que as políticas tomadas devem prosseguir. João Goulão ressalvou que os dados do relatório referem-se a 2009 e que, em breve, será divulgada a situação em Portugal em 2010, que “não têm nada de espetacular em termos de evolução”. “Mantém-se uma tendência de decréscimo dos problemas ocasionados pela heroína, um ligeiro aumento da cocaína e um aumento maior da cannabis”, avançou. A fase ascendente do uso da cocaína deve-se também ao facto de Portugal estar na rota de entrada desta droga no mercado europeu, observou. “A cocaína circula muito mais nos meios recreativos”, embora comecem a circular nos meios de marginalidade formas mais baratas de apresentação da cocaína, como a pasta base, referiu. Sublinhou também que “o crack ainda não é uma realidade muito pesada” em Portugal, mas também é preciso estar atento a esta situação. Há ainda um “fenómeno emergente” das ‘smart shops’ – lojas que vendem novas drogas -, que apesar de ser “um problema que preocupa”, as autoridades devem ser “contidas” no alerta social.
Fonte: Lusa
15 de novembro de 2011

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