“Neste momento, pelo menos em três salas, sendo que cada sala tem entre 22 e 23 meninos, dos 3 aos 6 anos, têm uma assistente operacional que não tem competências. É inseguro para os miúdos, é ilegal e não nos dão qualquer tipo de explicação”, referiu à agência Lusa Rodrigo Dâmaso, que tem um filho naquele estabelecimento de ensino do Agrupamento de Escolas das Laranjeiras (AEL).

De acordo o encarregado de educação, o filho de 4 anos não tem educadora de infância e, segundo o AEL, não há forma de a substituir.

“Um dia antes de começar as aulas, iria haver uma reunião numa plataforma digital, com a educadora e todos os pais […], seria na quarta-feira às 16:30. Nessa quarta-feira, recebi um ‘mail’ às 17:30, uma hora depois da suposta reunião, da adjunta da direção do agrupamento, a dizer que a educadora estava de baixa e que não havia ninguém para a substituir”, disse.

Rodrigo Dâmaso afirmou ainda que as assistentes operacionais têm almoçado na sala, porque não há ninguém para tomar “conta dos miúdos durante o almoço”, ressalvando que não há “supervisão”.

“Temos enviado ‘mails’ quer para escola, quer para o agrupamento, e até agora não nos disseram nada. Na sexta-feira, liguei para o agrupamento para falar com diretor e atendeu-me a adjunta, à qual lhe coloquei imensas questões que não me respondeu”, salientou, referindo que lhe foi dito que “esta semana haveria uma reunião com a coordenadora da escola”, mas sem revelar mais pormenores.

Também Helena Sousa, encarregada de educação de gémeos, revelou que os pais receberam um ‘mail’ na véspera do início do novo ano letivo a dar conta que as crianças começaram as aulas sem educadora.

“Eu tenho gémeos, um deles está na sala quatro, e são 22 meninos para uma assistente operacional, que não é educadora, é uma auxiliar. Portanto, são 22 meninos só com uma pessoa. Aparentemente, a senhora está de baixa e, portanto, os meninos estão só com uma pessoa, muito embora eles [a escola] digam que as outras educadoras vão rodando para irem às salas de vez em quando”, realçou.

De acordo com Helena Sousa, o estabelecimento de ensino diz que não consegue resolver a situação, mas que ia procurar soluções.

“Disseram-nos que, quando resolvessem o problema, nos diziam. Não reuniram connosco. Não deram satisfação nenhuma. A comunicação foi sempre, além de escassa, pouco atempada. Eles dizem resolvem quando poderem resolver, não adiantam mais nada”, sublinhou.

Por seu turno, a mãe de uma criança de quatro anos que frequenta aquele jardim de infância, Bárbara Cabral, revelou que a falta de educadoras de infância na Escola Básica1/Jardim de Infância (EB1/JI) das Laranjeiras é um problema antigo.

“Isto já é uma coisa repetida de há vários anos. Nós entramos na escola e a professora que está colocada está de baixa e, portanto, para todas as crianças daquela sala, este é o segundo ano consecutivo, que entram e não têm uma professora”, disse.

Segundo a encarregada de educação, trata-se de “uma situação complicada”, ressalvando que a escola não dá informação.

“Os miúdos ficam com as assistentes operacionais e nós não sabemos qual é futuro deles”, frisou.

A agência Lusa tentou contactar a Escola Básica1/Jardim de Infância (EB1/JI) das Laranjeiras e o agrupamento, mas ainda não obteve respostas.

No entanto, numa nota enviada na segunda-feira aos encarregados de educação dos alunos da Escola Básica1/Jardim de Infância (EB1/JI) das Laranjeiras, a que a Lusa teve acesso, o Agrupamento de Escolas das Laranjeiras explicou que as crianças “estão com uma assistente operacional destinada à educação pré-escolar e são supervisionadas pelas restantes educadoras”. De acordo com o agrupamento, as educadoras de infância “têm momentos em que se deslocam às salas”.

Além das queixas dos encarregados de educação do Jardim de Infância de falta de educadoras, a Escola EB1/JI das Laranjeiras está também confrontada com um problema de falta de assistentes operacionais, um dos quais testou positivo para a covid-19, o que levou a direção escolar a suspender as aulas do 1.ª ciclo.

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