Bernardo é aluno do 8.º ano da Escola Secundária D. Luís de Ataíde, em Peniche, e esteve esta tarde numa sessão de balanço do primeiro ano do projeto-piloto que levou para as salas de aula de cinco agrupamentos escolares da região oeste os vídeos da plataforma Khan Academy, que transformam aulas de matemática num jogo, em que exercícios corretos e matéria aprendida dão pontos, avatares e motivação para continuar a jogar e a aprender.

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“Um dia a professora chegou à nossa sala e mostrou-nos o Khan Academy. Desde aí temos andado a utilizar quando saímos da aula e voltar a praticar os exercícios que fizemos na aula. […] Tem sido útil, porque mostra-nos como fazer e podemos tentar várias vezes até ficar 100% seguros na matéria”, disse Bernardo aos jornalistas, explicando ainda que os vídeos também dão explicações.

Quando os alunos erram têm a opção de ver um vídeo a explicar a resolução correta do exercício ou de “pedir pistas” que lhes permitam, sozinhos, corrigir os erros.

“Falamos já de 65 mil horas, mais de 2.700 dias, o equivalente a mais de sete anos a criar, a pensar, a resolver e a aprender com 21 mil exercícios, parece uma imensidão, quase uma infinitude de exercícios e mais de 1.250 vídeos que mantendo toda a exigência, […] fazem por interpelar as mentes dos nossos alunos de uma forma nova, de uma forma que lhes prova que a matemática já mora neles”, disse o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, numa intervenção na sessão que decorreu na sede da Altice Portugal, parceira do projeto Khan Academy, acessível em português através do site da Fundação PT.

“Vemos como alunos do 1.º ciclo lidam com a matemática de forma absolutamente natural e alunos do 2.º e 3.º ciclos nos dizem que a matemática é discutida na sala de aula com os colegas, muitas vezes sem intermediação dos professores”, acrescentou Tiago Brandão Rodrigues, que destacou o papel destes instrumentos, que “congregam matemática, inovação e literacia digital” para a melhoria do sucesso escolar.

Susana Souzinha, professora de Matemática do Bernardo, diz que este “é um caso especial, porque já era bom aluno”, antes dos vídeos da Khan Academy chegarem à sua sala de aula, mas outros, com mais dificuldades, encontraram aqui “motivação e entusiasmo”.

“A vertente jogo muda tudo. O facto de estarem em frente ao computador a trabalhar muda logo o panorama de exercício. De início senti que começaram a trabalhar à procura dos pontos, dos avatares, e daí surgiu o pequeno vício de trabalhar na Khan Acaademy e aprender, que é o que queremos”, disse.

Do ponto de vista do trabalho do professor, a plataforma tem “ferramentas úteis” que permitem monitorizar o que os alunos fazem em casa e nas aulas, enviando aos docentes relatórios dos resultados que permitem um acompanhamento mais individualizado e resolver dificuldades.

“Tenho caso de alunos que andaram em casa a ver matéria que não faz parte do programa deles, mas que por pura curiosidade já andaram a trabalhar e já me questionaram sobre matéria que eu disse: isso é só para o ano, tenham calma”, contou a professora.

Há um ano que o projeto está presente nas salas de aula de cerca de 800 alunos do ensino básico, integrados no projeto-piloto que, quando apresentado, em fevereiro de 2017 pelo secretário de Estado da Educação, João Costa, pretendia vir a incluir vídeos educativos também de Física, Química e Biologia.

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