O risco inerente à eletricidade, apesar de ser enorme, não se traduz num número de casos de acidentes tão extenso quanto, a priori, poderíamos supor. No entanto, quando há um caso de eletrocussão, a gravidade pode ser grande. O problema não se coloca apenas ao nível da iluminação, mas de todos os outros aparelhos que proporcionam conforto ou facilitam a vida, como é o caso de aquecedores, ventoinhas, aparelhos de ar condicionado e secadores de cabelo ou de roupa.

Mas as ameaças não se ficam por aqui. Abrangem também máquinas de lavar loiça ou roupa, fornos de micro-ondas, batedeiras, máquinas de café, televisão, leitores de DVD, aparelhagem, computadores... A lista é quase infindável. Os vários eletrodomésticos que existem em casa são, de facto, elétricos mas pouco domesticados, tanto que podem ser agressivos e causar problemas aos habitantes da casa, principalmente às crianças.

Protetores de tomadas

Não são garantia de segurança, mas têm um efeito dissuasor. As crianças não gostam de perder tempo a atingir objetivos e a dificuldade de acesso fá-las desinteressarem-se.  Se as tomadas não tiverem um mecanismo de proteção próprio (ou seja, se não exigirem dois movimentos coordenados para ligar uma ficha), será então necessário protegê-las.

De qualquer modo, como adverte Mário Cordeiro, médico pediatra e autor do livro «Crescer Seguro», publicado pela editora Glaciar, é bom ter presente que uma criança pode tirar a tampa de segurança ou que pode, por exemplo, ir a casa de alguém que não tem esse cuidado (estando os pais confiantes de que ela não vai mexer em nada) e ficar com a tarefa facilitada.

Além disso, os protetores devem adaptar-se perfeitamente à tomada e serem difíceis de retirar com os dedos, mesmo para um adulto (de modo a exigir uma chave de fendas ou um instrumento similar). Se estiverem folgados e forem de fácil remoção pelos dedos hábeis das crianças, representam um risco acrescido, porque, em caso de ingestão, podem originar asfixia.

Detetar os perigos em casa

É importante ter método e ver o mundo pelos olhos das crianças, adivinhando-lhes a curiosidade (que é grande), a capacidade de se deslocarem (que aumenta enormemente mal começam a gatinhar) e a ausência de noção de perigo. Não vale a pena dizer que a eletricidade mata quando o bebé não sabe o que é morrer, nem sequer o que é a eletricidade...

Se quiser brincar aos detetives e se se puser de gatas no chão, com a perspetiva de uma criança que começa a gatinhar, verá, por exemplo, que as tomadas estão mesmo na direção dos olhos da criança, e que quer a tomada quer os orifícios onde se introduzem as fichas atraem a atenção. Continuando na investigação, deverá dar atenção ao aglomerado de fichas, muitas vezes pendentes de uma ou mais fichas triplas, as quais constituem um alvo extremamente atraente, a pedir para ser explorado.

Por outro lado, olhando para cima, constatará que pendem vários fios de mesas, armários e outros locais. Apetece puxar! E, atrás do fio poderá vir um candeeiro, um pesado ferro de engomar, uma fritadeira (muitas vezes com óleo quente) ou outro eletrodoméstico qualquer.  E há a acrescentar a curiosidade que é para os mais pequenos ver os aparelhos a funcionar. Uns a girar, outros a cortar e ainda outros a mexer, a fazer barulho.

Também ela, criança, terá vontade de acionar os botões e ajudar no trabalho doméstico. Uma vez desperto para as potencialidades e a criatividade do seu filho, já estará certamente sensibilizado para o assunto, de forma a podermos falar de algumas medidas para evitar as eletrocussões, acidentes estes que têm um grau de gravidade muito grande, podendo causar queimaduras, paragem cardíaca e, muitas vezes, a morte.

Veja na página seguinte: As recomendações dos especialistas para prevenir e evitar acidentes

O que tem de fazer

Estas são algumas das recomendações dos especialistas para prevenir e evitar acidentes:

- Reveja a instalação elétrica. Muitas famílias vivem em casas antigas (às vezes, não tão antigas assim, mas sem respeito pelas regras de segurança), sendo por isso útil rever as instalações e substituir as tomadas e fichas que já se encontram deterioradas ou que oferecem perigo por si só.

- Instale tomadas e fichas de terra nos eletrodomésticos. No caso particular das tomadas, escolha as que têm entradas de segurança, que dificultam muito o acesso e o contacto dos dedos da criança com os fios de passagem.

- Esconda as tomadas. Para evitar despertar a atenção das crianças, opte por instalar as tomadas em locais discretos e fora da vista da criança, embora essa não seja uma garantia de que a criança não mexa.

- Utilize tapa-tomadas. Escolha modelos que só possam ser retirados com a ajuda de uma ventosa ou chave, uma vez que os dedos do bebé poderão arranjar maneira de tirar os modelos em barra. É bom tratar do assunto antes de a criança começar a gatinhar, por volta dos seis meses.

-Evite a sobrecarga das tomadas com muitas fichas. Às vezes veem-se muitas fichas ligadas à mesma tomada, o que leva, especialmente no caso de alguns eletrodomésticos, a um sobreaquecimento que distorce e estraga as fichas e tomadas, a que se soma a ação do peso das várias ligações. O ideal é usar tomadas triplas ou quadrúplas em barra.

- Tenha atenção às extensões. Ao acrescentar mais um elemento de ligação, constitui-se um fator de perigo, principalmente pela exposição. As extensões desdobráveis (redondas) deverão ser sempre totalmente desenroladas porque, a menos que tenham elas próprias mecanismos de segurança, podem aquecer muito se o fio fica enrolado, podendo provocar um incêndio.

- Arrume os eletrodomésticos. Depois de os utilizar, não os deixe ligados ou por arrumar.

- Esteja atento fora de casa. Não deixe de supervisionar mesmo quando não estão em casa, nomeadamente em casa de familiares, amigos e em salas de espera.

- Instale disjuntores de segurança humana. Permitem à eletricidade desviar-se para o quadro em vez de passar pela criança. É talvez a medida isolada mais importante.

Texto: Carlos Eugénio Augusto com revisão científica de Mário Cordeiro (médico pediatra)

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