Licenciou-se em Farmácia e no último ano do curso comprou a primeira farmácia. Experimentou jovem a sua veia empreendedora e nunca mais parou.

Atualmente é dona da Ibertronic, uma das mais importantes empresas de equipamentos médicos e estéticos em Portugal, e tem as Clínicas Viver onde pode melhorar e desenvolver os protocolos dos equipamentos que comercializa para poder ensinar os seus clientes. Em casa tem quatro filhos entre os 10 e os 25 anos, a quem transmite toda a sua sabedoria. 

Entrevista:

Estudou onde?
Licenciei-me em Farmácia na Faculdade de Farmácia de Lisboa. Acabei o curso, casei-me e fui para o Alentejo. No último ano do curso comprei a minha primeira farmácia. Tinha 20 anos. O meu empreendorismo já vem daí.

Viveu lá quantos anos?
Cerca de 10 anos. Nasceu lá a minha primeira filha e foram anos muito giros. Para além da farmácia, trabalhei na farmácia do Hospital de Serpa e ainda tinha uma loja de roupa, Stefanel. Entretanto separei-me, vendi tudo o que tinha no Alentejo e com esse dinheiro comprei uma farmácia em Lisboa e fui morar para Cascais.

Recomeçou a sua vida novamente em Lisboa?
Dessa vez sozinha com a minha filha. A minha estabilidade passa por ter muitos projetos ao mesmo tempo, porque não consigo dedicar-me só a uma coisa. Se não tiver ritmo não produzo, não tenho ideias, não me sai nada, fico amorfa...

Para além da farmácia tinha mais o quê?
Como a farmácia era muito antiga, remodelei-a completamente e fiz uma farmácia fantástica que ainda hoje existe na Morais Soares. Quando a farmácia já estava pronta fizeram-me uma proposta para ficar com o master franchising dos restaurantes Lizarran em Portugal.

 Aí os irmãos deram uma ajuda?
Arranquei com os meus irmãos para esse projeto e chegámos a ter 12 ou 13 lojas assinadas. Paralelamente surgiu também a hipótese dos bronzeários, também em franchising, e foi aí que entrei na estética. Na altura os solários estavam na moda e ainda abrimos seis ou sete espaços.

Foi com os solários que ganhou o gosto pela estética?
A partir daí comecei a ter contactos com médicos e a conhecer os equipamentos, até que cheguei a um ponto em que decidi ver-me livre da farmácia e dedicar-me a tempo inteiro à estética. Começou a dar-me muito gozo a parte da formação dos equipamentos e o conhecimento das novas tecnologias e também a parte da comunicação que é uma área que eu gosto imenso.

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Como é que chega aos equipamentos?
Fomos contactados por várias empresas, e, de um momento para o outro, já tínhamos uma série de coisas: os bronzeários, os restaurantes que já era uma coisa imensa, a Ibertronic, empresa de venda de equipamentos de estética, que nessa altura também tinha equipamentos para ginásios.

E quando decidem dividir as coisas?
Foi em 2007. Eu e os meus irmãos decidimos dividir os negócios todos e fizemo-lo de uma forma civilizada e amigável. O meu irmão Pedro ficou com os restaurantes, o meu irmão Jorge com os ginásios, e eu fiquei com a estética.

Desistiu definitivamente dos franchising?
Não acho grande piada. Há sempre muito litígio com a questão dos royalties e da publicidade, mas deu-me sabedoria e ensinou-me a estar de outra forma com os meus clientes, dando apoio contínuo. Todos os meses dou um workshop gratuito aos meus clientes para tirar dúvidas e discutirmos novas ideias.

Conseguiu organizar-se bem com a Ibertronic?
Criei logo quatro empresas fundamentais: a GLnails, que se dedica exclusivamente à comercialização de tudo o que tem a ver com unhas, tem crescido sem parar. Neste momento, e também graças ao gelinho que foi lançado por nós, julgo que fazemos parte das maiores empresas do país nesta área.

A Ibertronic é responsável por quê?
Temos a Reference, para a área da estética, e a Medical Division, só para médicos. Temos lançado os equipamentos israelitas que têm feito o maior sucesso e tem sido uma área de atividade muito interessante porque nos últimos anos a estética mudou muito e houve uma verdadeira revolução.

Quais são os equipamentos mais recentes?
São o Freeze, um equipamento israelita que agora se ouve falar, e mais recentemente o Reaction, também israelita, e ambos destinam-se a resolver os maiores problemas das mulheres: celulite, flacidez e gorduras localizadas. Neste momento a nossa maior aposta é na refirmação da pele, até porque há zonas do corpo em que cirurgicamente é complicado mexer, e estes equipamentos têm tido os melhores resultados.

Entretanto abriu uma clínica?
Fazia-me falta um espaço onde pudesse atender público e essa foi a minha principal motivação para abrir as Clínicas Viver em sociedade Naturomedis, proprietária de uma clínica já existente. Mais tarde acabei por comprar a quota da Naturomedis e fiquei sozinha com as Clínicas Viver.

Para testar melhor os equipamentos?
De facto, só é possível melhorar e desenvolver os protocolos na prática, e é essa ponte que eu faço com as empresas dos equipamentos que eu represento, para além de me permitir perceber as potencialidades dos equipamentos para poder ensinar os meus clientes e ajustar às necessidades do cliente/paciente final.

Ainda tem uma quarta empresa?
Que faz prestação de serviços com alguns equipamentos. Ou seja, centros estéticos que não têm capacidade financeira para adquirir os equipamentos, nós alugamos. Este negócio, que inicialmente também fazíamos dentro da Ibertronic, começou a tomar muito volume e decidi criar a Epistyle, uma empresa só para esta atividade. Neste momento vamos a cerca de 300 centros no país.

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Vai ficar por aqui?
Já tenho um quinto projeto em formação que tem a ver com o Anti-aging e a medicina biológica. Cada vez mais as pessoas se preocupam com uma alimentação que não as faça engordar, mas sobretudo definida de acordo com as suas necessidades metabólicas. Acredito completamente na máxima: “Somos aquilo que comemos!”, e é esse caminho que estamos agora a trilhar.

No meio desta azáfama empresarial, casou-se novamente e teve mais filhos.
É verdade. No total tenho dois rapazes e duas raparigas. Os mais novos são um casal de gémeos com 10 anos e o irmão tem onze. A minha filha mais velha tem 25 anos, é médica dentista e trabalha comigo na Clínica. Como o meu marido já tinha três filhos, no total temos sete, pelo que tivemos de comprar duas monovolumes para nos deslocar todos.

Os seus filhos são a sua motivação?
Sem dúvida. Mas às vezes também sinto necessidade de abrandar o ritmo de trabalho para lhes dedicar mais tempo. No entanto, sempre que estou presente, estou 100 por cento com eles, tento resolver-lhes os problemas e faço questão que eles sintam que têm a mãe presente. Sento-me com cada um deles e identifico os problemas de uma forma individual. E ao fim de semana, eu e o meu marido, optámos por estar sempre com eles.

O seu marido tem alguma ligação às suas empresas?
Não. É administrador do Centro Cultural de Belém e também tem uma vida profissional de grande responsabilidade. É, como costumo dizer, o meu assessor mental porque é a ele que peço todos os conselhos, e ajuda-me imenso em casa, dividimos tudo.

Está satisfeita com a sua opção profissional?
Estou. Não foi fácil quando decidi vender a farmácia e optei por uma vida que eu desconhecia, cheia de riscos. Mas tomei mesmo a decisão de sair da minha zona de conforto e hoje não estou nada arrependida. Acho que cresci imenso enquanto pessoa, acho que consigo dar muito mais aos meus filhos e transmitir-lhes muito mais sabedoria e é esse o legado que lhes vou deixar.

Texto: Palmira Correia

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