A gravidez é sempre um período muito sensível da vida da mulher, quer no plano físico quer no plano psíquico. Quanto menos sobressaltos existirem durante a gravidez, mais calma e saudável estará a mãe e, necessariamente, o bebé.

A gravidez não é contraindicação para viajar. O problema de hoje tem a ver com vacinas e medicamentos que pode ser necessário administrar a uma grávida (e não só à que viaja) que exigem precaução.

As vacinas

Existem diferentes tipos de vacinas, para diferentes tipos de agentes infecciosos (sobretudo vírus, mas também bactérias). Os estudos das vacinas na grávida são, na maioria dos casos, limitados ou inexistentes. Assim, a informação passada às mulheres que querem engravidar é, também, incompleta e, por isso, susceptível de más interpretações. Regra geral, desaconselha-se à grávida a fazer vacinas, exatamente por essa falta de informação.

Sabemos que as vacinas com vírus vivos, atenuados (como é a vacina da febre amarela) podem dar origem a potenciais riscos para a mãe e para o filho, mas também sabemos que algumas vacinas recombinantes (como a da hepatite B) podem e devem ser efetuadas, mesmo durante a gravidez, se existir risco de doença para o bebé. A decisão de efetuar a vacinação numa grávida deve ser sempre do seu médico obstetra.

Caso a caso

No caso de vacinações em Medicina do Viajante, exceptuando a vacina da febre amarela, obrigatória para a entrada em países endémicos, todas as restantes vacinas podem ser avaliadas segundo o princípio do risco/benefício.

Se o risco de transmissão da doença é baixo, ou pode ser evitado com outras medidas preventivas (alimentares, no caso de doenças transmitidas por águas e alimentos, proteção individual e repelentes no caso de doenças transmitidas por insetos), a viajante grávida, sempre por decisão médica, poderá viajar sem vacinas.

Se existir risco elevado de transmissão da doença e a viajante grávida não puder evitar viajar, será tomada a decisão de vacinar, em função do tipo de vacina, trimestre da gravidez e sempre de acordo com o médico obstetra.

Medicamentos

No caso das medicações, a única que é importante em medicina do viajante é a profilaxia da malária.

Tal como para as vacinas, também os estudos destes medicamentos na grávida são limitados e/ou incompletos.

Alguns não podem ser administrados durante toda a gestação ou apenas no primeiro trimestre, outros podem ser usados mas têm menor eficácia ou a posologia é incómoda.

Mas para a viajante grávida que vai fazer turismo, o problema pode ser resolvido facilmente escolhendo um destino onde não haja malária. O problema coloca-se nas viajantes grávidas que, por motivos pessoais ou familiares, necessitam de se deslocar a zonas de transmissão dessa doença. Mais uma vez a escolha do medicamento terá de ser feita pelo médico especialista em Medicina do Viajante, de acordo com o médico obstetra.

Mesmo sem vacinas nem medicamentos, é mais seguro para a gravidez que a conceção aconteça no nosso ambiente do dia a dia. Será idílico engravidar numa ilha paradisíaca mas a probabilidade de risco é maior que no local onde vivemos que, por sua vez, também poderá ter riscos mas os quais identificamos e controlamos mais facilmente.

Se estiver grávida ou se quiser engravidar:

- Escolha um destino onde não necessite de vacina contra a febre amarela nem de profilaxia da malária. Se existirem outros riscos (alimentares, doenças transmitidas por insectos como o dengue) consulte o especialista em medicina do viajante.

- Se tiver de viajar para destinos de risco de febre amarela e/ou malária deve, obrigatoriamente, consultar o especialista em medicina do viajante. O seu caso tem que ser avaliado em função dos riscos do destino, fase da gravidez, vacinas e medicação necessárias.

- Não faça viagens onde pode estar sujeita a riscos físicos (caminhadas, viagens de automóvel por estradas difíceis, montanhismo, mergulho). Escolha destinos mais calmos e repousantes. O seu bébé agradece.

Texto: Jorge Atouguia (médico infecciologista)

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