Descobrir a história judaica na história de Portugal é uma das missões da Rede de Judiarias de Portugal - Rotas de Sefarad, uma associação de direito privado com caráter público. No seu site, esta organização apresenta uma lista com 37 aldeias, vilas e cidades onde a presença judaica se fez mais sentir. Dessas, no âmbito do Dia Europeu da Cultura Judaica, que em 2017 se celebra a 3 de setembro, elegemos uma dezena.

1. Belmonte

É uma das vilas com maior presença e tradição judaica em Portugal. Pertence ao distrito de Castelo Branco e abrigou muitas famílias de judeus a partir do século XVI. Em 2005, foi inaugurado o Museu Judaico de Belmonte, uma das principais atrações turísticas da localidade. Um espaço museológico que retrata a longa história da comunidade judaica na região. Não deixe, também, de visitar o castelo e o Museu dos Descobrimentos.

2. Évora

A Judiaria de Évora, uma das maiores, mais importantes e mais ricas judiarias do país, desenvolvia-se perto da grande praça da cidade, a famosa Praça do Giraldo. Nalgumas ruas, ainda são visíveis portais ogivais góticos que pertenceram a casas de judeus. Durante o século XV, chegaram a existir lá duas sinagogas. Em Évora (na imagem superior), esteve também sediada uma das sete ouvidorias jurídicas, tribunais judaicos portugueses.

3. Tomar

A Sinagoga de Tomar é monumento nacional desde 1921. Localizada na antiga judiaria, em pleno centro histórico da cidade, foi encerrada no final do século XV. Hoje, alberga o Museu Luso-Hebraico Abraão Zacuto. Depois de visitar aquele que é o único templo judaico da proto-renascença atualmente existente no país, deambule pela antiga Corredoura e aproveite para dar um salto até ao Convento de Cristo.

4. Bragança

Muitos judeus expulsos de Espanha em 1492 refugiaram-se em Bragança (em baixo na imagem). Na altura, a cidade terá recebido 3.000 pessoas. A Rua dos Gatos é um dos locais que terá acolhido a sua judiaria. Depois de a descobrir, pode visitar a Igreja de Santa Maria, a Torre de Menagem e o Castelo de Bragança, além da Casa do Arco - Solar dos Pimentéis, um edifício apalaçado de arquitetura civil seiscentista.

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Veja na página seguinte: Os vestígios judaico-religiosos e cruciformes que ainda pode ver

5. Sabugal

Nesta cidade que faz fronteira com Espanha, localizada junto ao rio Côa, viveram judeus desde o século XIII. Dezenas de vestígios judaico-religiosos e cruciformes persistem no centro histórico intramuralhas da cidade, muito próximo do castelo. Também na parte exterior, em Vila Maior, tal sucede. Em Vila do Touro, a 10 quilómetros do Sabugal, a Rua Direita e a Rua D. Pedro Alvito exibem várias janelas manuelinas e portas biseladas.

6. Vilar Formoso

Almeida é um apelido de origem judaica e também o nome de um município português do distrito da Guarda onde está integrada a vila raiana de Vilar Formoso. No segundo semestre de 2017 está prevista a abertura do Museu de Vilar Formoso - Fronteira da Paz, Memorial aos Refugiados e ao Cônsul Aristides de Sousa Mendes. Um espaço museológico que pretende relembrar uma importante fase da história mundial.

7. Castelo Branco

A Judiaria de Castelo Branco (na imagem inferior) situava-se entre a Rua D' Ega e as muralhas. Os seus dois eixos fundamentais eram precisamente essa artéria e o troço norte do que é hoje a Rua da Misericórdia a partir do cruzamento com aquela rua. Depois de as percorrer, aproveite para visitar a Casa da Memória da Presença Judaica em Castelo Branco, um espaço museológico inaugurado em novembro de 2016.

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Veja na página seguinte: Os itinerários que pode percorrer em Leiria e Lisboa

8. Leiria

A primeira referência documental à presença de judeus em Leiria data de 1219. Jucefe de Leirena terá sido o primeiro cidadão de origem judaica a instalar-se na cidade. Em 1337, já se faz referência à Rua da Judiaria. A judiaria local abrangeria a área hoje ocupada pela Rua Dom Afonso Henriques, pela Rua Dom Dinis, pela Praça de São Martinho e pelo Largo da Sé. Um itinerário que pode percorrer antes de ir visitar o castelo da localidade.

9. Figueira de Castelo Rodrigo

A Judiaria de Castelo Rodrigo estava situada a 820 metros de altura. De lá podia vislumbrar-se a Serra da Marofa, a vila de Figueira e as sedutoras paisagens que se estendem até Espanha. Além desta pitoresca aldeia altaneira que conserva a traça medieval de praça circular rodeada pela cintura de muralhas, pode percorrer vários trilhos. Contornando a Serra da Vieira, existem 12 quilómetros de caminhos rurais e florestais.

10. Lisboa

A capital do país foi, ao longo dos séculos, palco de feitos extraordinários mas também de desgraças e de malogros. Um deles ocorreu quando o Largo de São Domingos, no Rossio, em Lisboa (na imagem inferior), foi palco de um massacre que roubou a vida a milhares de judeus na Páscoa de 1506, como se pode ver no memorial entretanto erguido no local. Um dos pontos de passagem obrigatória que quem se interessa pelo tema não pode deixar de contemplar.

Em Alfama, o Largo das Alcaçarias é outra das memórias desses tempos. Era ali que, no século XVI, estava situada a Pequena Judiaria de Lisboa. Antes do terramoto de 1755, no espaço existente entre a Rua dos Fanqueiros e o Elevador de Santa Justa, ficava o cemitério judeu, um dos muitos equipamentos da Grande Judiaria de Lisboa. Hoje, no seu lugar, existem artérias comerciais repletas de cafés, hotéis e restaurantes.

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Texto: Luis Batista Gonçalves