A flor branca de laranjeira floresce nos dias frios de inverno e invade os jardins de um perfume agradável e intenso. A mudança de estação é celebrada com as primeiras flores como a aveleira, o crocus e a violeta-de-cheiro. São assim os dias frios, perfumados e a cores do inverno. Duas arquitetas paisagistas explicam quais são as variedades botânicas a que pode recorrer para dotar o seu jardim de mais verde mas também de outras cores.

1. Crocus

Crocus sp. é o nome científico de uma herbácea bolbosa originária da região mediterrânica, com um período de floração desde o inverno até ao verão. As flores podem ser de várias cores, sendo as mais comuns brancas, azuis e cor de rosa. Da família das Iridaceae, atinge uma altura entre os 0,15 a 0,20 metros. Divisão de cormos que se formam em volta do cormo principal é a sua forma comum de propagação.

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A época de plantação é o outono. Em termos de condições de cultivo, prefere sol e/ou meia-sombra com luz e temperaturas frescas, além de solos arenosos e com boa drenagem. Esta planta, em termos de cuidados de manutenção, precisa também de rega moderada.

Outra das coisas a fazer é retirar o crocus do solo depois da floração, guardar em turfa seca num local fresco e seco. O açafrão, uma especiaria de sabor marcante muito apreciada e muito utilizada pelos grandes chefs de cozinha, rica em nutrientes benéficos para a saúde e para o organismo, provém de uma espécie de crocus, o Crocus sativus.

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 2. Aveleira

Corylus avellana L. é um arbusto alto ou árvore pequena, de folha caduca. É originária de Portugal, da Europa e da Turquia. Com um tronco de cor parda-avermelhada, brilhante e liso em jovem, apresenta folhas, com forma ovalada, têm uma dimensão de cerca de 10 a 15 centímetros. É uma espécie monóica, que apresenta flores femininas e masculinas no mesmo indivíduo, com época de floração entre janeiro e abril.

As flores masculinas agrupam-se em inflorescência, conjunto de flores, em espiga alongada ou cacho pendente até 8 centímetros, de cor verde clara. As flores femininas estão agrupadas em inflorescência com o eixo principal de crescimento limitado, terminando numa flor. O seu fruto é a avelã.

Da família das Betulaceae, atinge uma altura de oito metros. A propagação faz-se por estaca. A época de plantação não está limitada temportalmente, podendo ser feita em qualquer altura do ano. Em termos de condições de cultivo, prefere zonas húmidas e sombrias. Cultivada como ornamental em sebes, é utilizada principalmente pela sua semente comestível, a avelã.

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3. Violeta-de-cheiro

Também apelidada de violeta perfumada, a Viola odorata L. é uma herbácea vivaz, originária do norte da região mediterrânica oriental e da Ásia menor. Constitui um excelente revestimento do solo para um recanto ensombrado. A Viola odorata distingue-se das restantes espécies devido ao aroma doce das flores, que podem ser de cor roxa ou branca. As flores, semelhantes às orquídeas, são compostas por cinco pétalas desiguais.

Além de duas pétalas superiores eretas, apresenta uma pétala inferior e duas pétalas laterais. As folhas, de cor verde claro, são lisas e de forma oval. A Violeta odorata L. é muito semelhante à Violeta africana. Podem distinguir-se através da flor e da folha, sendo que a Violeta africana, outra das variedades da família Violaceae, não apresenta flores aromáticas e as folhas apresentam uma textura aveludada.

Com uma altura de 0,1 metros, a propagação faz-se por sementeira ou divisão de rizoma. Para floração na primavera, as violetas devem ser plantadas no verão. Quanto à divisão do rizoma, esta deve ser feita no outono ou logo após a floração. Em termos de condições de cultivo, prefere climas frios e locais ensombrados, além de solos férteis, ricos em húmus e húmidos, desde que com boa drenagem.

De forma a obter um maior número de flores, é aconselhável ir fazendo progressivamente a divisão dos rizomas. Expor as plantas ao frio durante o inverno, outro dos cuidados a ter, torna-as mais robustas e resistentes. As flores, além de apresentarem propriedades medicinais, são comestíveis, muito utilizadas em decoração culinária. Para estes usos, as flores devem ser colhidas logo após a sua abertura.

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 4. Rosa

São uma das flores preferidas dos portugueses. Há colecionadores de roseiras em todo o mundo. Uma das maiores pode ser visitada na Madeira, na Quinta do Arco, onde florescem cerca de 17.000. Esta flor, da família das Rosaceae, confere um ambiente romântico a qualquer jardim. A exposição solar deverá ser de sol pleno, uma vez que as rosas são inimigas da sombra e precisam de, pelo menos, seis a sete horas de sol por dia.

Só assim se desenvolvem de forma saudável e conseguem atingir a plena floração. O local deverá ser arejado, para evitar o aparecimento de fungos nas folhas e nas flores. As roseiras dão-se bem em qualquer tipo de solo mas têm alguma preferência por solos mais argilosos e ricos em matéria orgânica. Gostam muito de húmus. O solo deverá ser sempre bem drenado, pois não suportam o encharcamento.

Em termos de pH, gostam de solos com um pH neutro. Devemos ter o cuidado de cavar o solo alguns dias antes da plantação para garantirmos que este está destorroado, o que vai facilitar o enraizamento e a drenagem. Não gostam de exposições excessivas ao vento. Quando estão em floração, também deveremos ter o cuidado de ir cortando os ramos que não interessam para estimular a floração.

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 5. Flor de laranjeira

A Citrus sinensis (L.) Osbeck, nome científico da laranjeira-doce, é um árvore de porte médio, com copa arredondada ou oval, originária do sudeste da Ásia, do nordeste da Índia e do sul da China, com folhas simples, de forma elíptica e coriáceas. As flores, brancas ou rosadas e aromáticas, despontam em março. O fruto, comestível, é a laranja. Da família das Rutaceae, atinge facilmente uma altura de 10 metros.

A propagação faz-se por estacaria e por enxertia. A época de plantação ideal é a primavera, para garantir a recuperação das raízes antes do inverno. No que se refere às condições de cultivo, pede um local ensolarado, abrigado dos ventos e da geada, além de solos ricos e profundos, de textura arenosa, tendencialmente arejados. Em termos de manutenção, também exige alguns cuidados.

Para evitar a ocorrência de cochonilhas, pulgões e ácaros, convém aplicar, todos os meses, cinco colheres de sopa de sabão líquido num litro de água morna com um spray na folhagem. Do género Citrus existem várias espécies, como é o caso da Citrus aurantium L. (laranjeira-azeda), da Citrus deliciosa Ten. (tangerineira) e do Citrus limon (L.) Burm. (limoeiro). Todas elas são cultivadas na região mediterrânica.

Tal sucede quer pelo seu valor ornamental quer pelos frutos comestíveis e óleos essenciais extraídos de flores e frutos, muito utilizados na indústria de perfumaria. Apesar de a laranjeira-azeda já ser conhecida na Europa desde a Idade Média, só no início do século XVII é que há registos históricos do cultivo da laranjeira-doce pelos portugueses em várias partes do país.

Esta espécie passa, na altura, a ser conhecida em diversas partes do mundo, e geralmente com o seu nome vulgar associado a Portugal, como pourtegalié na região feancesa de Nice, portugaletto na região italiana de Piemonte e portugalês, na Grécia. Como esta espécie é sensível à geada e difícil de cultivar no norte da Europa, foram adotadas estratégias para a sua produção e utilização como planta ornamental.

Nos jardins, isso foi feito com a criação de estufas, as chamadas orangeries, onde, no verão, as laranjeiras em vaso são colocadas no exterior e no inverno recolhidas para a estufa. Estas estruturas, as famosas orangeries, também são utilizadas nos jardins para protegerem outras espécies botânicas também sensíveis ao frio e à geada em países do centro da Europa, como é o caso da França.

5 plantas que tornam os dias frios mais perfumados e mais floridos

Texto: Ana Luísa Soares (arquiteta paisagista e professora no Instituto Superior de Agronomia) e Ana Raquel Cunha (arquiteta paisagista) com Luis Batista Gonçalves (edição digital)

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