Caro leitor, se ultimamente tem sentido que as pessoas à sua volta estão cada vez mais insatisfeitas, não pense que está tudo perdido. A verdade é que estamos todos, sem  expeção, a atravessar fases de mudança, de uma busca interna. Note, quando refiro todos, estou a inclui-lo.

Precisamos de reformas nos sistemas, precisamos que sejam tomadas medidas mais alinhadas com o equilíbrio emocional dos cidadãos do século XXI. As crianças que atualmente têm dois anos de idade, e às quais se lançam críticas de que já nascem ensinadas, que aprendem mais depressa, que respondem com imensa agilidade aos estímulos tecnológicos, já estão a necessitar que o ensino seja adaptado à sua evolução. Como é que podemos aceitar que as crianças, que já se encontram na pré-primária, passem meia dúzia de horas sentadas, em salas fechadas, onde os próprios professores apelam a melhores condições, por forma a eles também se sentirem dignos e motivados?

Se cabe aos pais educar os filhos, transmitir valores e princípios, dos professores é expectável que formem as mesmas crianças com garra, entusiasmo, e de forma personalizada. Todos fazemos parte de um sistema maior, estamos conectados, e existem duas coisas que precisamos, independentemente do género, raça, situação sócio-económica, nacionalidade ou credo: sentir amor e sentido de pertença.

Sabemos (acredito que sim) que temos características singulares, que somos distintos nas diversas personalidades. Qual é o objetivo de educar de forma generalizada, não apelando e cuidando do lado emocional e criativo de cada criança? Já existem algumas opções educacionais que promovem o ensino mais prático, onde as crianças são estimuladas, participam de forma ativa, onde é privilegiado o contacto com a natureza, não sendo, por tal, confinadas a caixas de quatro paredes.

E se as crianças precisam que o ensino passe por uma transformação profunda, os adultos andam à procura de empregos que lhes dêem alento para sair da cama, onde se sintam úteis, onde reconheçam que os seus dons estão a ser usados e estão ao serviço dos outros. O horário laboral generalizado, das 09h00 às 18h00 (que muitas vezes se estende às 20h), faz de nós ratos na roda do hamster. Os dias são todos iguais mas podem mudar algumas pessoas - com quem nos possamos cruzar nos transportes, no café onde paramos também religiosamente antes de picar o ponto - por exemplo, mas os dias são maioritariamente frustrantes. Andamos cansados, desmotivados, e cheios de medo de perder  'o emprego para a vida'. Mais parece que estou a escrever em 1990, mas não, estamos em fevereiro de 2020.

Reconsidere as suas prioridades, assuma um compromisso consigo próprio. Acredite e recorra aos seus dons.

Claro que todos precisamos de ganhar dinheiro para nos sustentarmos, mas não seria mais inspirador para os seus filhos - se for o seu caso - dar o exemplo de que podemos honrar a nossa natureza e ser recompensados por tal?

Faça um exercício:

  1. Enumere quais são os seus sete/oito valores norteadores;
  2. Reduza a sua lista a três valores apenas.

Note que para reduzir terá que ir excluindo. Poderá ter uma surpresa ao constatar que o que o mantém no seu emprego, na sua relação, não é necessariamente aquele valor que contribui para a sua felicidade. Por outro lado, poderá perceber que afirma estar insatisfeito mas que afinal tudo o que identificou como sendo necessário está presente. Neste caso, tente reconhecer o que é que não identificou e que ainda assim faz com que fique (seja no seu emprego atual ou numa relação).

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