Há mil silêncios diferentes. Há silêncios amigos, companheiros. Há silêncios que, numa troca de olhares, dizem mais do que um longo discurso. Há silêncios ternos; boémios; entendidos. Há silêncios artísticos, de comunhão plena...e que esplendorosos são! Há silêncios potentes e potenciadores. Há silêncios robustos, cimentados em telepáticas ondas que atravessaram os tempos. Há silêncios que são ruidosos de gargalhadas e gozo. Silêncios orgásmicos. Agradecidos. Brutais. Inesquecíveis.

E depois há os silêncios pesados, vazios de tudo, cortáveis a golpe de adagas que já não se embaínham. Silêncios empedrados num intransponível muro que se desistiu de derrubar.

Sim, o pior dos silêncios é o do olhar: o olhar que não mais se cruza nem fala.

As unhas secaram e eles ainda em silêncio. Num silêncio triste. Vazio. Sem nenhuma história a contar.

Ana Amorim Dias

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