Segundo a organização, um terço dos voos que operam na União Europeia (UE) faz rotas que podem ser substituídas pelos comboios, uma alternativa mais ecológica.

“A indústria da aviação é uma das indústrias mais prejudiciais ao clima”, disse a Greenpeace em comunicado, observando que as emissões de gases com efeito de estufa do setor da aviação na UE aumentaram 29% entre 2009 e 2019.

Mais de metade (51,9%) das emissões comunitárias atribuíveis à aviação são geradas em voos de longo curso, com mais de 400 km, de acordo com dados do Eurocontrol correspondentes a 2020, mas cerca de um quinto (20,6%) deve-se a viagens de entre 500 e 1.500 km e 4,3% a viagens de distâncias inferiores a 500 km.

O estudo, divulgado dias antes da cimeira da ONU sobre mudanças climáticas (COP26) – que começa em Glasgow, Escócia, no domingo -, destacou algumas rotas aéreas particularmente problemáticas, com voos que, segundo os autores, podem emitir uma dúzia de vezes mais dióxido de carbono do que os comboios.

Entre as rotas mencionadas, o destaque é dado às de Madrid-Barcelona, Frankfurt-Berlim e Bruxelas-Amsterdão que, refere a análise da Greenpeace, podem ser percorridas de comboio em duas a quatro horas.

“A Europa poderia substituir quase todos os 250 principais voos de curta distância e economizar cerca de 23,4 milhões de toneladas de CO2 por ano, ou seja, tanto como as emissões anuais de CO2 da Croácia”, alertou a organização ambientalista.

O relatório adianta que uma ajuda crucial para esta mudança seria a promoção pelos governos da União Europeia de viagens de comboio, especialmente nos comboios noturnos.

As companhias aéreas, por seu lado, contestam esta posição, argumentando que alguns voos de curta distância são necessários por se tratar de ligações essenciais para viagens de longa distância.

A Cimeira do Clima das Nações Unidas (COP26) decorre entre 31 de outubro e 12 de novembro em Glasgow, na Escócia, e vai procurar pôr em prática os compromissos do Acordo de Paris, alcançado em 2015, sobre redução de emissões de gases com efeito de estufa e tentar que a temperatura global não aumente mais de 1,5 graus centígrados até ao fim do século relativamente aos valores da era pré-industrial.

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