O governo dinamarquês anunciou o investimento de mais de 1,25 mil milhões de coroas (168 milhões de euros) para a investigação e avanço científico na área dos alimentos de origem vegetal, como parte de um acordo climático sem precedentes relativo à alimentação e à agricultura.

O acordo, aprovado pelos principais partidos no Parlamento, reconhece que os alimentos de base vegetal devem ser um “elemento central na transição verde” e compromete o governo a criar um plano de acção nacional para incentivo à produção de alimentos de origem vegetal, com objectivos claros em termos de produção e vendas.

Uma investigação da Universidade de Oxford mostrou que o mundo não conseguirá atingir as suas metas climáticas sem transitar de uma alimentação assente na indústria agropecuária convencional para uma alimentação que privilegie a proteína vegetal na alimentação. Uma transição para um modelo alimentar baseado em produtos de origem vegetal poderia reduzir as emissões climáticas até 90%, quando comparada com as emissões produzidas pelos animais de criação.

Ao abrigo do novo acordo, a Dinamarca irá criar um Fundo para Produtos Alimentares de Base Vegetal, que disponibilizará 675 milhões de coroas dinamarquesas (90 milhões de euros) durante nove anos para apoiar o desenvolvimento e promoção destes produtos.

Trata-se de um incentivo à economia de base vegetal, com duração de cinco anos, que pagará um bónus de 580 milhões de coroas dinamarquesas (78 milhões de euros) aos agricultores que cultivarem e produzirem proteínas de origem vegetal para consumo humano.

Será expandido assim um esquema já existente e financiado pela UE, que prevê o financiamento de “tecnologia alimentar sustentável”, que inclua equipamento de processamento de alimentos de base vegetal.

O governo conceberá, igualmente, uma estratégia para a produção de “proteínas verdes” para animais e humanos, apoiada por 260 milhões de coroas dinamarquesas (35 milhões de euros) ao longo de cinco anos. Este financiamento é suscetível de apoiar proteínas fabricadas por fermentação e carne cultivada (produzida a partir de células), bem como ração animal.

"É inédito, não apenas o facto de estarmos a preparar um plano de acção nacional para alimentos de origem vegetal com objetivos específicos, mas também o montante que a Dinamarca irá investir: mais de mil milhões de coroas nesta área. Esta é uma das maiores quantias jamais investida, por um país, no desenvolvimento de produtos de origem vegetal", disse Rune-Christoffer Dragsdahl, Secretário-geral da Sociedade Vegetariana da Dinamarca.

"Este acordo agrícola irá criar milhares de postos de trabalho no sector de origem vegetal. Se mais tarde forem reservados mais fundos, como parte das negociações em curso relativas ao investimento na investigação, poderemos ver dezenas de milhares de novos postos de trabalho", acrescentou o Secretário-geral.

Entretanto, a Directora de Políticas do Good Food Institute Europe, Acacia Smith, já veio dizer que "com este anúncio, a Dinamarca reconheceu o enorme potencial das proteínas sustentáveis para reduzir as emissões agrícolas".

“Enquanto se preparam para a COP 26 [Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas], os governos de todo o mundo devem incluir a carne de origem vegetal e cultivada nos seus planos climáticos. Se estão seriamente empenhados em cumprir o Acordo de Paris e em construir economias fortes e verdes, devem seguir a liderança da Dinamarca e investir em formas de colocar as proteínas sustentáveis nos pratos dos consumidores”, concluiu Acacia Smith.

Veja o artigo original no site da Associação Vegetariana Portuguesa

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