Com o panorama económico atual que atravessamos, devido à pandemia e, agora, com o fim das moratórias a chegar, fazer uma revisão dos seus encargos mensais pode (e deve) ser uma medida a tomar para que possa poupar para o que aí vem.

Leia neste artigo algumas opções que pode escolher para que consiga diminuir ao máximo as suas prestações com créditos e, no caso de ter recorrido às moratórias, começar já a preparar-se para quando estas terminarem.

As moratórias terminam e as despesas aumentam

Se recorreu à moratória no crédito habitação, saiba que este apoio está a chegar ao fim. A partir de setembro, quando a sua moratória terminar, os seus encargos mensais vão sofrer um aumento significativo.

Para que tenha noção do valor exato que vai ficar a pagar no fim da moratória, contacte, em primeiro lugar, o seu banco se este ainda não o informou. Isto porque esse valor vai depender do tipo de moratória de que está a usufruir.

Se está a pagar apenas juros e a amortizar capital, a sua prestação passará a ser igual aquela que pagava antes deste apoio. Porém, se não estiver a pagar nada ao seu banco neste momento, o valor total dos juros que deveria ter sido pago neste intervalo de tempo desde que começou a moratória até agora, será acrescido ao valor total do seu empréstimo em dívida. Significando assim que a prestação do seu crédito habitação vai passar a ser ainda mais elevada do que era antes do apoio.

Mas não desespere. Como em tudo, há soluções que podem reduzir este impacto significativo na sua carteira. Para tal, e através de casos reais, trouxemos algumas opções que levaram a que estas famílias conseguissem reduzir as suas despesas e ainda poupar.

Crédito habitação: renegoceie condições ou faça uma transferência de banco

Sabia que se tiver um crédito habitação há, pelo menos, dois anos pode renegociar as condições do seu contrato? O spread está constantemente a alterar-se e, por isso, o seu pode já não estar atual. E pode fazer esta revisão, mesmo se estiver a beneficiar de moratória.

Neste momento, já há bancos a oferecer um spread mínimo inferior a 1%, e as taxas de juro médias rondam os 0,82%, de acordo com os últimos dados de abril do Banco de Portugal.

Mas se, mesmo depois de renegociar as condições do seu crédito com o banco, continuar insatisfeito com o valor que paga, a solução pode passar pela transferência do seu crédito para um outro banco.

Para o fazer é importante que tenha em conta os possíveis custos associados. Contudo, a entidade bancária pode cobrir algumas das despesas, como a comissão por reembolso antecipado (entre 0,5% e 2% do valor em dívida, dependendo se são créditos a taxa variável ou a taxa fixa). De qualquer forma, a poupança mensal e anual que pode vir a ter, possivelmente compensa estes custos.

Antes de tomar a sua decisão relativamente ao que pode fazer para poupar no encargo mensal do seu crédito habitação, ponha todas as opções em cima da mesa e pondere todos os prós e contras. Simule, faças as contas, e tente perceber qual a opção mais adequada para a sua situação. Se preferir, pode pedir a um intermediário de crédito que faça esse trabalho por si.

O impacto da revisão de condições no empréstimo da casa

Tomemos como exemplo o caso da família Rodrigues (nome fictício), para que compreenda o que pode significar fazer, neste caso, uma transferência de crédito habitação.

Com um crédito habitação de 179.411,13 euros ainda em dívida, esta família tinha ainda 348 meses restantes de um contrato com o spread a 1,5%. Isto correspondia a uma prestação mensal de 595,16 euros. A este crédito, tinham ainda associado um seguro de vida com um custo de 9,89 euros por mês, o que dava, no total, uma prestação de 605,05 euros mensais.

Ao fazer simulações e analisar propostas, a família Rodrigues conseguiu uma proposta noutra entidade bancária, com um spread de 1,05%, também a 348 meses, e com uma prestação mensal menor, a 557,80 euros. Fazendo também um novo seguro de vida contratado fora da instituição bancária, conseguiu-o por 6,99 euros mensais. Estas novas prestações significam uma poupança mensal de 40,27 euros, uma poupança anual de 483,24 euros, e uma poupança no final do contrato de mais de 14.000 euros.

Crédito pessoal: consolide os vários créditos

Se tiver ainda, a juntar aos seus encargos mensais, outros créditos, saiba que existe também a solução de consolidar todos os créditos num só, com uma prestação mensal mais baixa e melhores condições.

Além disso, já numa situação de sobre-endividamento, os bancos podem ponderar prolongar o prazo de um crédito pessoal (máximo de sete anos), para 10 anos. Esta não é uma solução disponível para todos, mas apenas para situações excecionais de dívidas acumuladas.

Esta é uma solução muito procurada pelos portugueses uma vez que estes têm, em média, sete créditos (crédito habitação, crédito automóvel, cartões de crédito, cartões de fidelização e créditos pessoais), pelo que a consolidação dos vários é uma solução comum.

Vejamos o seguinte exemplo. Imagine uma família que tem uma dívida total com créditos de 29.000 euros a pagar em 10 anos. E que isto corresponde a uma prestação mensal de 1.300 euros mensais. Após fazerem a consolidação dos seus créditos, e com o respetivo seguro, a família ficou a pagar 450 euros por mês. Neste caso, a poupança que atingiram equivale a 850 euros por mês e 10.200 euros por ano.

Seguros: reveja as apólices dos seguros e avalie se o preço compensa as condições

Sabe quais são os serviços que o seu seguro cobre? Qual o plafond para cada um? E se engloba serviços de que necessita?

Se considera que o preço que atualmente paga por um seguro que tem não é adequado àquilo de que realmente necessita, pode renegociar as condições junto da sua seguradora. Assim percebe quanto pode poupar se fizer uma revisão das apólices.

Caso não fique satisfeito novamente com as condições que lhe foram propostas, procure outras opções junto de outras seguradores.  Fazendo simulações, com ajuda ou não de um intermediário, consegue perceber qual o seguro mais adequado às suas necessidades e à sua carteira.

Além disso, o seguro de vida e o seguro multirriscos estão, muitas vezes, associados ao crédito habitação e esta pode não ser a melhor opção para si ou a mais barata.

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