A crise do subprime ainda hoje se faz sentir. Perceba como tudo começou, como se alastrou, de que forma chegou à União Europeia e como é que interfere no seu dia a dia.

Quando Steve Jobs fundou
a Apple, na garagem dos
seus pais, tinha apenas 20
anos. Aliado a um sócio,
Steve Wozniack, fez crescer
de tal forma o projeto que aos 30
acabou literalmente... despedido!

Sim, Steve Jobs
foi vítima do seu sucesso e sentiu-se
tão envergonhado que até lhe passou
pela cabeça desaparecer de Sillicon Valley. Como é
possível ser-se dispensado pela sua própria empresa,
questionou-se. Porém, depressa percebeu que tinha
o bichinho do empreendedorismo e que, para si, o
principal era apreciar o que fazia. Optou por não
baixar os braços, iniciou tudo de novo, fundou a
Next, a Pixar, e resgatou a Apple, que, entretanto,
seguia no caminho do abismo.

Provou a todos que
aquilo que não o deitou abaixo tornou-o mais forte. O mundo está em constante mutação e a mudança
precisa de reações rápidas, certeiras, reinventando-se e
recriando-se continuamente. Foi o que fez Steve Jobs,
é o que fazem constantemente milhares e milhares
de outros empreendedores nos cinco continentes. O ambiente económico que se vive globalmente
causado pela incerteza e as atuais necessidades das
empresas, como a flexibilidade e adaptabilidade, estão
a transformar o mundo do trabalho. O emprego é a
grande incógnita do século XXI.

Acabou o emprego para a vida

As relações laborais não são, hoje, em nada
idênticas às das gerações anteriores. Estudar, fazer
um curso superior, arranjar um emprego para vida
e fazer carreira dentro de uma grande empresa,
reformar-se e gozar o dinheiro amealhado é um
cenário cada vez mais distante. «O emprego, tal
como o conhecíamos, já não existe», refere a
propósito Maria da Glória Ribeiro, fundadora
e managing partner da Amrop em Portugal,
multinacional de executive search.

O grande desafio que se coloca agora é o
da sobrevivência através da adaptação às novas
realidades. «O discurso da empregabilidade em
Portugal criou-nos a ideia que nascemos para
trabalhar para alguém. Por isso, estas mudanças
no mundo laboral acabam por ser positivas, pois
as pessoas conseguem sempre autorrecriar-se,
tornam-se mais responsáveis pela sua carreira e
mais flexíveis», diz.

Como refere Manuel Forjaz, fundador
da Ideiateca, consultora na área de vendas e
gestão, as empresas estão a atravessar grandes
transformações, pois as suas necessidades
alteraram-se. Precisam de adaptar-se a esta nova
conjuntura económica, o que se traduz em
importantes reflexos no emprego. Por um lado, as
tecnologias de informação implicam a necessidade
de menos recursos humanos, permitem o trabalho
à distância e apostar em outro tipo de relações
laborais, como a prestação de serviços. Por outro
lado, assiste-se a um forte expatriamento dos
talentos, devido à facilidade de mobilidade, o que
abre portas à carreira internacional de muitos
portugueses.

Veja na página seguinte: De trabalhador a prestador de serviços

«No futuro, o trabalhador passa a ser o
prestador de serviços e o empregador o cliente»,
diz Maria das Dores Guerreiro, socióloga e
investigadora do ISCTE – Instituto Universitário
de Lisboa.

A investigadora defende que este
novo contexto está a intensificar o número de
horas de trabalho, pois a tecnologia permite-nos
estar disponíveis quase 24 horas por dia.


«Esta intensidade reflete-se também no facto
de desaparecerem determinadas funções, o que
obriga a ter colaboradores que realizem múltiplas
tarefas», diz.

Resultado, o
desemprego é um dos
maiores dramas mundiais
do momento. Segundo os
relatórios mais recentes
da Organização Mundial
do Trabalho (OIT), o
mundo tem um défice de
50 milhões de postos de trabalho. E no que diz respeito ao desemprego
jovem (taxa que inclui ativos até aos 25 anos)
a nível mundial, a situação
agrava-se. Cresceu
para os 12,7%. Em Portugal, esta taxa é muito
mais preocupante, tendo atingido no primeiro
trimestre de 2012 os 36,2%.

Isto é indicativo
de que não se estão a preparar devidamente os
jovens para as reais necessidades do mercado
de trabalho, como já acontece, por exemplo,
no Japão. Neste país oriental, a oferta de cursos
superiores é constantemente ajustada à procura
por parte das empresas, e as escolas são envolvidas
diretamente nas colocações profissionais. A sua
taxa de desemprego é mantida sempre baixa,
situando-se agora nos 4,6%.

Certo é que a perda de benefícios é já uma
realidade a que não conseguimos escapar. «O
mercado de trabalho tem seguido
uma tendência de contenção
salarial e de redução de direitos
devido à crise económica
dos Estados Providência e à
concorrência de países com mão de obra abundante. A flexibilização
das condições de trabalho tem
conduzido a um maior desemprego,
mesmo dos mais qualificados, a
uma maior precariedade e à perda
de rendimentos do trabalho», diz
Mário Caldeira Dias, presidente
do Observatório do Emprego e
Formação Profissional.

A importância de investir (bem) em si

Perante tal cenário, não lhe resta senão
arregaçar as mangas e criar as soluções
que a ajudarão a encontrar o seu caminho
profissional. Um curso superior já foi garantia
de emprego, mas hoje não é mais. Se pensa
que terminou de estudar quando acabou a
sua licenciatura, então não leia mais, pois
este artigo não é para si.

Vivemos na era do
conhecimento, da informação e, com a rapidez
com que as coisas mudam, o profissional do
futuro tem de estar sempre atualizado, investir
na aquisição e competências, quer técnicas,
quer nas chamadas soft skills – características
mais latas como a capacidade de liderança, de
inovação, de comunicação, o foco no negócio e
a orientação para os resultados.

Em Portugal, as universidades começam
agora a investir mais no ensino destas soft
skills, preparando os seus alunos para mais
do que a função para a qual o seu diploma o
habilita. O ensino para o empreendedorismo, que não deve ser visto apenas como a criação
de negócios próprios mas também como
a capacidade de ter iniciativas inovadoras começa a ser uma constante e é uma das
formas de combater a falta de emprego.

Veja na página seguinte: A dura realidade que os novos profissionais enfrentam

Manuel Forjaz diz que, se há pouco mais de
uma década apenas 1% dos recém-licenciados
portugueses queriam abrir o seu próprio
negócio, hoje são já 15 vezes mais.

Tal como as empresas, também as pessoas
devem investir em si, estabelecer a sua rede de
contactos, assumir riscos calculados e tornar
a incerteza e a volatilidade numa vantagem
comparativa.

O profissional do futuro terá de
enfrentar uma dura realidade. As empresas não
oferecem emprego. Compram trabalho. Tão simples quanto isso!

Por isso,
quem quer vencer
tem de pensar no
produto que está a
oferecer. O currículo
é a porta de entrada
para uma entrevista
de trabalho, logo
tem de investir
tudo nele. Não
basta ser bom,
tem de conseguir
distinguir-se. O
primeiro passo é
saber o que vale,
o que traz para o
mercado. Se não
souber isto, não se
consegue vender,
seja ao empregador
seja ao cliente. Estar cinco anos
na universidade já não
chega para se distinguir
no mercado saturado.
Vivemos num contexto
de inflação académica, em
que as licenciaturas só por
si já não têm valor.

O que o
mercado procura não é
só apenas a competência,
mas, sobretudo o foco
para o negócio. Maria das
Dores Guerreiro defende
que a grande incerteza
que se vive no mundo,
gera alterações constantes
no dia a dia do trabalho,
por isso o profissional
tem de «preparar-se o
mais possível para estas
mudanças, ter espírito
de iniciativa e saber dar multi-respostas aos problemas, com inovação
e criatividade».

É isto que faz a diferença no
futuro. A verdadeira revolução será quando
as pessoas perceberem que trabalham para si
próprias e não para os outros. Foi também a pensar nas novas formas de
divulgação de currículos, que Leonor Gomes
transformou em negócio uma ideia que há
algum tempo maturava, nascendo assim a CV
Film. Habituada a receber currículos, depressa
notou que havia espaço para uma forma
alternativa de apresentação dos candidatos.

Empreendedora desde sempre (criou a rede
Easy Bus) aliou-se ao filho, Diogo Braz,
recém-licenciado e surgiu a CV Film, empresa
especializada na realização de currículos em
vídeo. «O vídeo vai dominar a internet e esta
é uma nova ferramenta que abre as portas do
mundo laboral», diz. A empresa não se limita a
fazer o currículo do candidato, mas a apoiar na
valorização e promoção pessoal.

Redes sociais são um poderoso aliado

Tal como as empresas estão a transformar-se,
também o processo de recrutamento se alterou.
A internet é já a ferramenta mais utilizada para
a divulgação de currículos e procura de ofertas
de emprego. Nos últimos anos as redes sociais,
como o LinkedIn e o Facebook, começaram a
ser utilizados pelas entidades de recrutamento
para identificar possíveis candidatos. Armando
Vieira, consultor na área das redes sociais,
acredita que estas estão a ligar pessoas e
empresas de uma forma inimaginável.

«O
rasto digital do que fizemos e do que dissemos
fora e dentro do local de trabalho permite
obter uma fiel radiografia interativa da nossa
personalidade. Se soubermos ler os detalhes
dessa massa de dados, será, para o empregador,
mais valioso que qualquer entrevista e, para
os candidatos, o melhor passaporte para uma
oferta de trabalho», sublinha ainda.

Veja na página seguinte: Casos de sucesso nas redes sociais

Sónia Costa, de 31 anos, é disso exemplo.
Licenciada em jornalismo na Universidade
do Porto e com uma pós-graduação em
marketing digital, no IPAM, foi através
do Facebook que conseguiu a função que
desempenha atualmente na Abreu Viagens.

Teve
conhecimento da oferta pelo grupo de partilha
de informação, o Facebuzz, em que participava. Enviou o currículo, foi chamada para a
entrevista e conseguiu o lugar de community
manager. «Estar presente nas redes sociais é
fundamental, sobretudo pelo networking que se
consegue», explica.

Já João Dias Amaro, de 24 anos, licenciado
em Engenharia de Redes e com um mestrado
em Engenharia Informática de Computadores,
tira o melhor partido possível do LinkedIn. Em
apenas seis meses recebeu mais de 10 pedidos
de entrevista através desta rede profissional.
«Penso que tenho um perfil muito completo,
com todos os projetos em que participei. Além
disso, é muito coeso com as outras redes a que
pertenço, o que é fundamental, pois as empresas
fazem cruzamento de informação», diz.

A euforia das redes sociais é tal que
Paulo Fernandes e Fernando Correia, dois
empreendedores de Braga, desenharam a
desempregados.net, uma comunidade de
partilha online de oportunidades de trabalho
e frustrações próprias de quem passa pelo
desemprego. No fundo é um espaço de suporte emocional e de apoio entre as pessoas,
explica Paulo Fernandes. Com cerca de 2.500
membros, a marca está já a internacionalizarse
para o Brasil.

Combater o desemprego a ferro e fogo

Felizmente o desemprego começa agora
a ser visto com menos estigma social do que
há alguns anos. Serve até de motivação para
muitos projetos de empreendedorismo, que de
outra forma não aconteceriam. Veja-se o caso
de António Quina, fundador da Vida é Bela,
que afirma que o desemprego foi a melhor
coisa que lhe aconteceu. Se não tivesse ficado
sem o seu posto de trabalho na agência de
publicidade que liderava nunca teria iniciado
um projeto no mundo do marketing de
experiências, criando o negócio da sua vida,
que já fatura mais de 50 milhões de euros.

Mas para quem não consegue dar a volta
tão facilmente à situação, existem já grupos
de apoio, que se destinam a incentivar
e estimular os participantes a procurar
emprego. O Instituto Padre António Vieira
criou os GEPE, Grupo de Entreajuda na
Procura de Emprego, em que os membros se
reúnem semanalmente, orientados por um
animador devidamente formado para o efeito.
Pedro Salgueiro, responsável pelos GEPE,
afirma que já se reúnem cerca de 18 grupos,
9 em Lisboa, 7 no Porto e dois em Coimbra.

A Caritas, que apoia também os GEPE, tal
como o banco Montepio, tem um outro
projeto similar, designado GIAS (Grupos de
Interajuda Social), que apoia não só a procura
de emprego como deteta situações de sobreendividamento
ou que necessitam de apoio
jurídico. José Manuel Cordeiro, responsável,
afirma que é fundamental que as pessoas
tenham a noção que não participam para
serem ajudadas, mas para ajudar os outros.

O combate ao desemprego é uma luta difícil,
mas que tem de ser ganha individualmente.
«As pessoas não podem ficar à espera que o
Estado social lhes
resolva a vida. Têm
de encontrar em si
as suas mais-valias
e seguirem os seus
sonhos», afirma
a especialista em
executive search
Maria Glória
Ribeiro.

Veja na página seguinte: 8 mudanças a ter em conta no mercado de trabalho

8 mudanças no mercado de trabalho

A ideia não é assustá-la mas despertar-lhe
a atenção para as mudanças que se
avizinham:

1. Fazer mais com menos. O profissional
só com uma tarefa deixou de existir.

2. Uma licenciatura já não é garantia de emprego. Tem de apostar em formação contínua.

3. O trabalhador tenderá a ser um prestador
de serviços e o empregador um cliente.

4. Com as dificuldades em arranjar emprego, aceitar
estágios é uma excelente oportunidade para os
recém-licenciados, pois são uma porta aberta para
o mundo do trabalho.

5. Fusões e aquisições significam redução de postos
de trabalho, que nunca mais serão repostos.
Empregos temporários tendem a ser uma prática
cada vez mais comum.

6. Ter mais do que um emprego vai passar
a ser regra também.

7. Mais trabalho e menos dinheiro, sobretudo salário
fixo. As empresas apostam cada vez mais na
componente variável, indexada aos resultados.

As profissões do futuro

Com as rápidas mudanças que acontecem no
mundo profissional é difícil fazer previsões sobre
os empregos que estarão em alta dentro de uma
década. No entanto, os especialistas do sector são
unânimes em apostar que os postos de trabalho
de determinadas áreas de atividade vão crescer no
mundo inteiro. Veja a lista das mais procuradas:

Saúde

As necessidades de cuidados de saúde estão
a crescer, pelo que esta é uma área com enorme
potencial. Enfermeiros, assistentes e auxiliares de
saúde que se desloquem a casa terão muita procura.
Também os fisioterapeutas, higienistas dentários e
outros técnicos de saúde registarão grande procura.
Nos Estados Unidos, estima-se que os postos de
trabalho na área da saúde cresçam cerca de 26%
até 2020. Em Portugal, a engenharia genética e a
biotecnologia são as áreas de maior destaque.

Tecnologias

Esta é uma área em constante crescimento e
em que as profissões e funções se multiplicam
diariamente. Arquitetos de software, engenheiros
de sistemas, engenheiros de redes e analistas de
tecnologias de informação serão algumas das
atividades com maior procura.

Serviços financeiros

Contabilistas, consultores financeiros e outras
funções ligadas ao dinheiro e investimentos vão estar
em alta na próxima década. Segundo a revista Forbes,
nos Estados Unidos estas funções deverão crescer
cerca de 18% nos próximos anos.


Veja na página seguinte: Outras áreas que também estão a dar

Educação

Neste momento não há, em Portugal, grandes
saídas profissionais na área da educação, mas as
necessidades de professores educadores e outros
profissionais que trabalhem no ensino vão crescer no
mundo inteiro. Aproveite as facilidades de mobilidade
e poderá fazer uma excelente carreira internacional na
educação.

Consultoria

Seja na área dos negócios, das vendas, da saúde
ou da engenharia e construção, os profissionais de
consultoria vão continuar a dar cartas no mundo.


As empresas procuram cortar custos fixos e o
outsourcing destas áreas continuará em crescimento. Uma das áreas que ameaça ganhar alguma expressão no futuro é a da consultoria em comunicação e gestão de redes sociais.

Texto: Helena C. Peralta com Armando Vieira (consultor na área das redes sociais), Manuel Forjaz (consultor na área de vendas e gestão), Luís Paes Antunes (advogado), Maria das Dores Guerreiro (socióloga), Maria da Glória Ribeiro (especialista em executiva search) e Mário Caldeira Dias (presidente do Observatório do Emprego)

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