É mulher do actor Pedro Lima há 10 anos e tem três filhos maravilhosos, Ema, de sete anos, Mia de três e Max, de um.

Para estar mais perto do “ninho” tem o atelier de cerâmica em casa e agora vai abrir a sua primeira loja num dos locais mais trendy de Lisboa, o LX Factory. No mesmo espaço Anna Westerlund, de 33 anos, divide a sua arte com peças de design e também com um restaurante. Vale a pena conhecer este espaço.

O seu apelido lê-se “W” ou “V”?

Lê-se “V”. É de origem sueca, do meu pai. Mas nasci cá e vivi sempre em Lisboa.

Estudou o quê?

No secundário optei pela área da economia, e depois estudei publicidade na universidade. Mas desde muito cedo percebi que havia um lado que não estava a ser explorado, o meu gosto pelas artes manuais e o meu lado criativo: sempre gostei de pintar, colar, recortar, inventar.

Mas não levou isso muito a sério?

Culturalmente, intimida pensarmos que a nossa profissão vai estar ligada às artes, até porque historicamente é considerada uma profissão de certa forma marginal e talvez por isso nunca tenha levado esse meu gosto muito a sério. Até que na faculdade percebi que não era numa agência de publicidade que me via no futuro, e decidi levar mais a sério essa minha paixão e inscrevi-me em cerâmica no Arco.

Quando é que a sua actividade como ceramista começa a ganhar forma?

Enquanto estudante do Arco fui pondo algumas peças à venda numas lojas e a fazer exposições, embora não se possa dizer que haja um mercado de galerias para a cerâmica, e quando terminei o curso continuei a expor em vários sítios e as coisas aos poucos foram ganhando forma.

Trabalha onde?

Tive um atelier em Lisboa mas quando mudámos para a Linha, perdia muito tempo a vir todos os dias para Lisboa, e quando se trabalha por conta própria e ainda mais quando se tem três filhos, o tempo é tão essencial que acabei por fazer um atelier em casa. Assim posso trabalhar à noite quando eles já estão deitados para além de estar mais perto do ninho.

Os seus filhos gostam de mexer nas suas peças?

Adoram. As minhas filhas quando vão, deixam o atelier do avesso, fica um caos. Percebo logo quando elas lá estiveram e eu também gosto que elas se sintam à vontade, por isso quando elas vão para o meu atelier, gosto de lhes proporcionar liberdade. Gosto que elas experimentem e explorem os materiais e se divirtam.

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Esta loja no Lx Factory é o seu projecto mais consolidado?

Este projecto nasce da vontade de colmatar esta falha de a cerâmica não ter mercado de galerias e também a cerâmica de autor não pode ser vendida numa loja qualquer para não se confundir com a cerâmica industrial. Surgiu este convite da parte do Gustavo Brito da Paris:Sete para criarmos um projecto comum.

E veio parar à Paris Sete porquê?

Vim parar a este espaço que a Paris:Sete já tinha no Lx, com este objectivo comum de criarmos um projecto novo. Engloba as minhas peças e de outros artistas a que chamei Craft Club, juntamente com um projecto de restauração que ainda está a ser definido.

Qual é o objectivo?

Oferecer às pessoas que nos visitam um espaço inspirador que lhes permita sonhar e de onde possam tirar ideias e possam comprar estas peças de design ou de cerâmica enquanto almoçam ou jantam, até porque a comida e a cerâmica casam muito bem. Pretendemos que seja um espaço em constante mudança, já que tudo o que está cá dentro está à venda.

A loja abre quando?

Está previsto que abra em Setembro.

Este espaço é a concretização de um sonho?

Acho que ainda não interiorizei bem. Sinceramente acho que é uma oportunidade única que estou a ter, ainda por cima de me ligar a pessoas tão válidas nas suas áreas. É um privilégio enorme associar-me à Paris Sete que já existe no mercado há 25 anos, por isso é uma oportunidade que tenho de agarrar com toda a minha energia e criatividade.

Está a pensar vir à loja todos os dias?

Vou ter de estar no atelier também para garantir que as peças não vão acabar, mas vou acompanhar de perto o projeto e a ideia é estar presente praticamente todos os dias especialmente nas horas mais concorridas, como a hora do almoço, por exemplo.

Não está preocupada com a crise?

Toda a gente me lembra constantemente da crise, mas o que eu sinto é que há aqui uma oportunidade de mercado, porque as pessoas começam a ficar saturadas desta história da globalização em que de repente tudo é igual em todo o lado. Acredito que termos objetos bonitos que tem uma carga emocional de quem os faz, torna o nosso dia-a-dia mais feliz, ou pelo menos, eu quero acreditar nisso.

Sente que há lugar para um espaço que promove o trabalho de autor?

Nesse sentido não estou a pensar na crise. Até porque são objectos que se tornam compras especiais e para compras especiais temos sempre o entusiasmo de as fazer e o entusiasmo de a adquirir. É sempre uma compra mais ponderada mas que tem a ver com o lado emocional.

Já pensou em exportar as suas peças?

É um dos meus objectivos. Sinto é que tenho feito um caminho passo a passo e não quero dar um passo maior do que a perna. Quero ter tudo bem definido e seguro antes de me arriscar. Embora já tenha tido a experiência de vender muitas peças fora e de ter feito várias exposições internacionais, orgulho-me de ter tido peças à venda no Moma de Nova Iorque.

Texto: Palmira Correia

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