Originalmente, a PHDA era considerada uma perturbação da infância e o seu diagnóstico não era realizado na idade adulta, no entanto, ao longo dos últimos 30 anos vários estudos mostraram claramente que uma proporção significativa das crianças com PHDA mantém critérios para a perturbação na idade adulta. A ideia de que a PHDA existe no adulto começou a ser defendida nos anos 80 e reforçada nos anos 90 com a evidência trazida pelos estudos em neurociências baseados na imagem cerebral. Efetivamente a investigação tem permitido perceber que as mesmas dificuldades na organização neurológica das crianças com PHDA estão presentes nos adultos.

Os dados apontam para uma prevalência de PHDA na população adulta de cerca de 3%, mas nem sempre é fácil reconhecer a perturbação nesta fase, uma vez que ocorrem alterações na sua expressão clínica com o avançar da idade.

O adulto com PHDA pode apresentar uma combinação variável de sintomas nas seguintes vertentes:

- Desatenção: Faz erros “básicos” porque tem dificuldade em tomar atenção às tarefas ou instruções; “começa as coisas” não as acaba; tem dificuldade em programar e organizar tarefas; considera-se ou é considerado pelos outros “distraído” ou “esquecido”.

- Agitação motora: está “sempre a mexer”, nomeadamente fazendo movimentos repetitivos das mãos ou pernas ou tem dificuldade em “estar quieto”; sente-se “internamente inquieto”; frustra-se por ter que esperar (por exemplo, em filas).

- Impulsividade: age antes de pensar; interrompe os outros quando eles estão a falar; toma decisões ou age de forma intempestiva.

De forma mais específica podemos dizer que os sintomas da PHDA no adulto se estruturam em torno de um conjunto de sintomas que clinicamente se descrevem como:

DIFICULDADES DE GESTÃO DO TEMPO – “O tempo escapa-me e não consigo geri-lo de forma eficaz como outros adultos conseguem”. O adulto com PHDA frequentemente atrasa-se para compromissos pessoais, sociais e laborais; frequentemente não termina tarefas dentro de prazos estabelecidos; frequentemente atribui tempos de forma incorreta a tarefas que tem de cumprir.

INQUIETAÇÃO / PERSISTÊNCIA (em direção a objetivos) – “O que pode parecer um simples objetivo para todos, torna-se um caminho sinuoso para mim”. Os adultos com PHDA desistem com facilidade das tarefas que são mais exigentes do ponto de vista da concentração e são mais monótonas na sua realização.

ORGANIZAÇÃO / RESPONSABILIDADES - “A minha mente e a minha vida são um perfeito caos. Parece que não me consigo, nunca, organizar como é suposto em adulto”. Os adultos com PHDA deixam muitas tarefas por terminar e acumulam obrigações por cumprir o que tem grande impacto na sua vida, nomeadamente a nível financeiro e judicial.

REGULAÇÃO DA ATENÇÃO/CONTROLO IMPULSO - “Sei que salto de tarefa em tarefa e que isso deixa toda a gente doida, no trabalho e em casa. “Se não fizer ou disser algo de imediato, vou esquecer-me e eventualmente nunca será feito ou dito” – Os adultos com PHDA têm frequentemente problemas relacionais com expressão laboral e/ou familiar devido à sua impulsividade.

Além disto, outros sintomas são também frequentes nos adultos com PHDA, como sintomas depressivos (por exemplo falta de motivação) e ansiosos, baixa autoestima, propensão para sentir tédio e instabilidade emocional. A comorbilidade com outros diagnósticos é a regra. É por isso muito frequente surgirem em consulta adultos com queixas de depressão ou ansiedade que na sua base têm muitas vezes uma PHDA não diagnosticada, que é fundamental avaliar, de modo a que a intervenção garanta melhorias ao nível dos sintomas e da qualidade de vida, de forma mais duradoura e eficaz.

O diagnóstico na idade adulta requer um conhecimento aprofundado da trajetória de desenvolvimento e de todos os fatores de vulnerabilidade, risco e proteção em cada caso específico.

Todos os estudos recentes apontam para os enormes custos sociais de uma PHDA no adulto não tratada, nomeadamente numa maior prevalência de perturbações de abuso de substâncias e de internamentos psiquiátricos, bem como em menores níveis de escolaridade, menor nível ocupacional, socioeconómico, pior funcionamento social, maior percentagem de divórcios, mais detenções e maiores índices de mortalidade, em adultos com PHDA.

Assim a intervenção é fundamental e engloba, tal como na infância e adolescência, uma vertente farmacológica e psicossocial que devem coordenar-se para os mesmos objetivos e para a promoção da qualidade de vida de cada pessoa/família.

Ana Rodrigues, Bruno Santo e Gustavo Jesus – Consulta de PHDA no adulto

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