Tal Ben-Shahar leciona psicologia da liderança e psicologia positiva, a mais concorrida disciplina da Universidade de Harvard, nos EUA. Todos os anos, cerca de 1.400 jovens aprendem nas suas aulas a rota da felicidade. Aprendem o que também partilhou com a Prevenir. Que a felicidade é sinónimo de «experiência global de prazer e significado» e que «não se refere a um momento mas, sim, a um agregado de experiências». E que é feliz quem vive emoções positivas e, ao mesmo tempo, encontra na sua vida um propósito, ao ponto de ser possível «sentir dor emocional e ainda assim ser-se feliz».

O que mais nos afasta da felicidade?

Em primeiro lugar, acreditar que o sucesso é o caminho para a atingir e passar a vida inteira a perseguir a próxima meta, ter mais dinheiro e mais sucesso. Na verdade, alcançar estes objetivos só leva a um momento de felicidade temporária, não duradoura. Em segundo lugar, as pessoas acreditam que uma vida feliz depende da riqueza, de ter uma casa maior ou um carro melhor. Na verdade, assim que as necessidades básicas são atendidas (comida, saúde, casa, segurança e educação), o impacto que o dinheiro exerce em nós é muito pouco.

Deveriam, sim, passar mais tempo com amigos e família, sentirem-se gratos pelo que têm e exercitarem-se a esse nível. Em terceiro lugar, a ideia que as pessoas têm da felicidade é a de que a vida deve ser desprovida de emoções dolorosas, quando a tristeza e o sofrimento também fazem parte e são naturais à existência. As experiências más não são necessariamente negativas. Crescemos com elas.  A chave é que não se transformem no nosso estado permanente ou habitual de ser.

Há pessoas que parecem ter o dom de viver a experiência da felicidade duradoura…

Não é possível viver permanentemente num estado de felicidade.  A chave é gastar cada vez mais tempo neste estado, aprender a apreciar. Além disso, é importante dar ou fazer voluntariado.  Uma das melhores maneiras de alguém se tornar mais feliz é ajudar os outros.

Procurar a felicidade faz parte da natureza humana, como menciona no seu livro «Aprenda a Ser Feliz, publicado em Portugal pela editora Lua de Papel. A insatisfação em nós é também natural?

Todos passamos pela experiência da insatisfação. Há uma predisposição humana para o pessimismo e para a intranquilidade herdada dos nossos antepassados.

A pressão do tempo em que vivemos é uma das principais razões para os elevados índices de depressão?

Sim. As pessoas não têm tempo para saborear, apreciar o que têm. No meio da corrida, ignoramos o que é mais importante na vida. Além disso, em tempo de crise, muita gente é obrigada a trabalhar em empregos que não gosta ou onde é subvalorizada... A vida nunca é perfeita e, por vezes, é bastante difícil. A questão é como tirar o melhor partido da situação em que nos encontramos.

Por isso, em tempo de crise, muitas vezes temos de nos comprometer e fazer o melhor que pudermos.  A questão não é, portanto, como nos podemos tornar felizes nessas situações, mas como aumentar o nível de felicidade ou sermos mais felizes. É sempre possível fazer isso.

Veja na página seguinte: Como conseguir ter sucesso e ser feliz sem nos sentirmos escravos do trabalho

Como podemos ter sucesso e sermos felizes sem nos sentirmos escravos do trabalho?

Se o sucesso for entendido como uma vida plena e satisfatória, então, não precisamos de nos tornar escravos para trabalhar. Estudos indicam que as pessoas positivas têm mais hipóteses de ter sucesso e de serem felizes do que as pessoas negativas. Elas acreditam que o sucesso é algo que pode ser alcançado, mas é preciso passar das intenções à ação, definindo objetivos e passos concretos. As metas levam-nos a acreditar que somos capazes de ultrapassar obstáculos e conseguir.

Que rituais devemos praticar para encontrar o significado da vida?

Devemos perguntar-nos o que faríamos num mundo onde ninguém saberia o que somos ou o que fizemos. Procurar o que é importante para mim e para tornar os outros melhores.

Como encara a vida?

No livro «Aprenda a Ser Feliz» Lua de Papel), Tal Ben-shahar descreve as quatro posturas distintas que o ser humano adota perante a vida:

- Hedonista

É aquele que foge à dor e procura o prazer no presente, independentemente das consequências futuras.

- Niilista

É a pessoa que perdeu a ânsia de viver, «alguém que não aprecia o momento nem tem um sentido de desígnio futuro», refere.

- Competidor desenfreado

Procura o benefício futuro, sacrificando o presente para tirar benefícios no futuro.

- Estado da felicidade

Neste estado, estão as pessoas que «vivem seguras, sabendo  que as atividades que lhes dão prazer no presente também  as conduzirão a um futuro compensador».

Texto: Fátima Lopes Cardoso