Defende que a fúria não é uma emoção simples. Muito pelo contrário! Considera-a "uma emoção complexa que devemos dominar por completo para não sofrer os seus efeitos desastrosos". A obra deste psicólogo, que pratica psicoterapia individual e de casal, para além de ser mediador e especialista em resolução de conflitos, "A sabedoria das nossas fúrias", publicada em Portugal pela Estrela Polar, é um guia prático.

Um manual inspirador que nos ensina, entre muitas outras coisas, a resolver os conflitos, através de um método muito eficaz, como o caracteriza. Em todo o mundo, são milhares os que diariamente têm de lidar com ela, de uma forma ou de outra. Já a seguir, encontre o lado bom da fúria, que também existe. Para começar, interiorize que, mesmo que a fonte do problema seja outra pessoa, o problema também é seu.

Como explica o psicólogo e psicoterapeuta Marc Pistorio, "antes de se expressar de forma franca, é importante tomar consciência de que o problema que está na origem do conflito é igualmente seu. Porquê? Porque, em cada caso, você é também a pessoa que não está satisfeita. Quando tiver tomado consciência da sua parte de responsabilidade no problema, vai conseguir delimitar as necessidades insatisfeitas", afiança.

Descubra, de seguida, alguns dos conselhos que o psicoterapeuta especializado em resolução de conflitos mais defende para os ultrapassar:

1. Pense num conflito real

Para que entenda o método de resolução de conflitos que Marc Pistorio denomina de win-win, ainda antes de mergulhar nas seis etapas que o compõem, deve pensar que está prestes a aplicá-lo em relação a um problema/relacionamento que a esteja a
preocupar atualmente. Concentre-se.

2. Marque um encontro

Não fuja do problema nem de aquele(s) que o causa(m). "Os conflitos destrutivos surgem muitas vezes quando o instigador se dirige a uma pessoa que não está pronta a ouvir falar de problemas", alerta Marc Pistorio. Depois de refletir sobre o problema, aborde a pessoa respetiva com uma frase de introdução explícita com o objetivo de resolver o conflito. Proponha várias possibilidades de encontros.

3. Seja preciso

Exponha o problema de forma explícita e refira as suas necessidades, já que o outro não as pode satisfazer se não souber aquilo que o contraria.

4. Assegure-se que foi bem interpretado

Depois de ter exposto o seu ponto de vista, certifique-se que o seu interlocutor percebeu bem aquilo que lhe disse.

5. Chegue à negociação

De acordo com o especialista em resolução de conflitos, "agora que o seu interlocutor e você compreendem as necessidades respetivas, o objetivo é encontrar uma forma de as satisfazer. Para isso, tente propor de início o maior número de soluções possível, depois faça a avaliação para saber quais as que respondem melhor às vossas expetativas e necessidades respetivas", aconselha o psicoterapeuta.

6. Tire partido da solução encontrada

Só poderá ter a certeza de que o acordo a que ambas as partes chegaram funciona se o experimentar. Depois disso, marque um novo encontro para determinarem, em conjunto, se houve progresso e se é necessário proceder a algumas modificações.

Como gerir os conflitos conjugais

Se os problemas fazem parte do seu dia a dia a dois, reflita, com o seu companheiro, sobre algumas questões que Marc Pistorio coloca aos casais a quem faz psicoterapia:

- Será que me sinto bem na minha relação a dois?

- Porque é que ele/ela me convém? Em que é que corresponde aos meus valores?

- Tenho um profundo sentimento de felicidade com o meu parceiro?

- Será que nós discutimos de forma construtiva ou as discussões conduzem sistematicamente (ou quase) a disputas?

- Esta relação oferece-me a possibilidade de evoluir?

- Sou livre de exprimir as minhas divergências?

- O meu cônjuge está interessado em ouvi-las?

- Será que escolhi nada dizer para evitar as longas argumentações estéreis?

Como (não) reagir às críticas

Estas são as quatro recomendações do especialista:

1. Ponha por palavras suas as críticas do outro, dizendo frases como "Se bem compreendi, o que tu me dizes é que...", aconselha Marc Pistorio.

2. Procure saber quais são as consequências que o seu comportamento trouxe para a outra pessoa.

3. Pergunte se há mais críticas , procurando escutar e não se esquecendo que o que o outro diz não é a verdade absoluta, mas o
reflexo das suas perceções.

4. Concorde com o que é verdadeiro quando uma crítica é exata quanto aos factos. Terá mais legitimidade para tomar outras posições.

A sua fúria é positiva?

Esta é outra das questões que se deve colocar em caso de dúvida sempre que se vir confrontado com este problema. Algumas fúrias "permitem (...) defender-mo-nos daqueles que nos agridem e nos desrespeitam", sublinha Marc Pistorio. Outras "são reprimidas apesar de serem necessárias ou ainda sobredimensionadas e libertadas numa perda de controlo", descreve ainda o autor de "A sabedoria das nossas fúrias".

Texto: Teresa D'Ornellas

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