Embora possa surgir em qualquer idade, o vitiligo é mais frequente no adulto jovem, sendo raro na primeira infância ou terceira idade. De causa ainda desconhecida, sabe-se que esta é uma doença não contagiosa, com predisposição genética, que resulta da perda local de melanócitos (células responsáveis pela produção de melanina, o pigmento que dá cor à pele).

De acordo com a médica dermatologista Helena Toda Brito, o mecanismo responsável pela destruição dos melanócitos não está ainda completamente esclarecido. "Mas pensa-se que tenha uma origem autoimune", sendo que o sistema imunitário identifica a melanina como um elemento estranho ao organismo, atacando e eliminando as células responsáveis pela sua produção.

Doenças da tiroide, diabetes, anemia perniciosa, doença de Addison ou alopecia arreata são algumas das patologias às quais o vitiligo pode estar associado. "O vitiligo caracteriza-se pelo aparecimento de manchas despigmentadas, com formas e dimensões variadas, dispersas pelo tegumento. Estas são tipicamente brancas, mas podem por vezes ter tonalidades intermédias", descreve a especialista adiantado que, embora geralmente assintomáticas, as manchas podem cursar com prurido numa fase inicial.

Face, pescoço, dorso das mãos, extremidades dos dedos e contornos dos lábios, genitais ou mamilos são às áreas mais afetadas.
"Nas zonas pilosas, como o couro cabeludo ou sobrancelhas, pode ocorrer perda da cor dos pelos, com o aparecimento de pelos brancos", refere a médica. E para além das lesões na pele, "o vitiligo pode estar associado a alterações oculares e auditivas". No entanto, estes casos são bastante raros.

Habitualmente, o seu diagnóstico é feito pela observação clínica das lesões pelo médico dermatologista. "Em alguns casos, pode ser necessária confirmação do diagnóstico por biopsia cutânea", adverte Helena Toda Brito.

Michael Jackson tinha vitiligo

O célebre cantor norte-americano foi várias vezes questionado sobre a sua progressiva mudança de tonalidade.

O médico que examinou os seus restos mortais, Christopher Rogers, confirmou à CNN que o músico sofria de vitiligo, uma doença autoimune e sem cura.

Em 1993, numa entrevista a Oprah Winfrey, o cantor admitiu sofrer de uma patologia "que não podia controlar" e que era responsável pelo clareamento progressivo da sua pele.

Tratamento

Quanto ao tratamento, uma vez que não existe cura para a doença, este apenas serve para minimizar o seu aspeto, podendo ajudar a restaurar a cor da pele. Entre as opções terapêuticas está o uso de medicamentos que induzem a repigmentação das regiões afetadas.

Podem ser ainda utilizadas tecnologias como o laser ou fototerapia, bem como técnicas de cirúrgicas com micro-enxertos de pele.

"Adicionalmente salienta-se a importância da proteção solar adequada, que tem um duplo objetivo nos doentes com vitiligo: proteger as manchas brancas das queimaduras solares (a falta de melanina torna a pele mais vulnerável aos efeitos nocivos da radiação solar, aumentando o risco de queimaduras solares e cancro de pele) e evitar que a pele em redor se bronzeie e torne as manchas de vitiligo mais óbvias", acrescenta a especialista em Dermatologia do Hospital Lusíadas Lisboa.

Apesar de se tratar de uma doença benigna não transmissível, o vitiligo pode ter um grande impacto na autoestima e qualidade de vida do doente, uma vez que ainda é encarada com algum preconceito.

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