Ser diagnosticada com cancro da mama é difícil só pela existência da palavra cancro. Mas passar pelo cancro, não significa viver sem sexo, sem sexualidade e sem afetividade.

Algumas mulheres sentem-se perdidas face à sua relação afetiva e sobre a sua sexualidade perante o cancro da mama, mas isto poderá ser diferente. Assim, deixo alguns conselhos para os casais abordarem a sua vida íntima e sexual, reaprendendo a viver durante e depois da doença.

Falar abertamente com a equipa médica

Inicialmente poderá sentir-se desconfortável abordando as temáticas sobre a intimidade afetiva e sexual. A grande maioria dos profissionais de saúde estão habilitados a esclarecer dúvidas sobre o campo sexual e afetivo e dentro da sua especialidade darão os melhores conselhos.

Desde o oncologista, ao cirurgião, passando pelo nutricionista, ginecologista, psiquiatra, enfermeiros, psicólogo ou sexólogo, todos poderão ajudar neste novo desafio. Daqui sai a importância da equipa multidisciplinar que tem como objetivo centralizar-se na mulher e promover qualidade de vida.

Discutir o caso com um psicólogo ou sexólogo

Se os profissionais acharem que existe benefício para a doente de esclarecer dúvidas face a disfunções afetivas ou sexuais, naturalmente será encaminhada para uma consulta desta especialidade; ou a Mulher poderá requerer a consulta de Psicologia ou Sexologia (não sinta medo ou pudor, falar de sexo e sexualidade é um tema da vida, do casal e do ser humano).

Tratar questões que geram desconforto

A Consulta de Sexologia aborda as questões associadas a uma prática sexual satisfatória, desta forma é efetuada uma história sexual da mulher ou do casal e apuram-se questões que estão a gerar algum desconforto. Os temas trazidos pela mulher com Cancro de Mama são variados: desde dificuldade em lubrificar, alteração hormonal, inibição ou ausência de líbido, dificuldade em atingir o orgasmo, dificuldade em gerir a sua imagem corporal após intervenção cirúrgica. Verificamos expectativas, colocamos em prática planos da esfera emocional e sexual, tentamos promover a melhoria na sexualidade.

Tenho de ir sozinha à consulta de sexologia?

Essa é sempre uma decisão sua. Trazer o companheiro e falar sobre os seus receios, os seus novos desafios, poderá fazer com que do outro lado exista maior empatia sobre o que sente. Damos também oportunidade ao parceiro de colocar as suas questões perante um profissional sem receio.

Fale com o seu parceiro sobre os novos desafios da sexualidade no cancro da mama

Nem só da mastectomia (remoção total da mama) existe tema para falar. A alteração hormonal, a dificuldade na gestão dos tratamentos, os efeitos secundários dos mesmos, a infertilidade, tudo isto e muito mais, poderão ser temas que os casais deverão discutir entre si, falar claramente sobre os receios de parte a parte, sem restrições e medo. Naturalmente conseguirão gerir esta nova etapa do casal, quando existir dificuldades, a abordagem do psicólogo ou sexólogo é sempre uma opção.

Desfrute da intimidade afetiva

Explore o seu corpo e novas zonas erógenas ou simplesmente peça carinho e afeto. Saia de casa, vá jantar, converse com os seus familiares e companheiro. Discuta o tema com as pessoas que gosta e que gostam de si, não se isole.

Procure ajuda da equipa multidisciplinar sempre que necessitar e viva a sua vida apostada na sua Qualidade, pessoal, afetiva, emocional, familiar e… sexual.

Para discutir estes temas em profundidade junte-se aos Encontros sobre os “Desafios da Mulher jovem com cancro da mama promovidos pela Unidade da Mama da CUF. O próximo é já dia 28 de maio no auditório do Hospital CUF Descobertas. Saiba mais aqui

Um artigo de Renata Chaleira, Psicóloga Clínica e Sexóloga no Hospital CUF Descobertas.

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