A asma é um problema de saúde pública a nível mundial e afeta cerca de 300 milhões de pessoas. Segundo o Observatório Nacional de Doenças Respiratórias, estima-se que em Portugal o número de asmáticos ultrapasse um milhão e, apesar de sermos o país na Europa com a taxa mais baixa de internamentos, este número tem vindo a aumentar.

A asma é uma doença caracterizada por uma inflamação crónica das vias aéreas, causando pieira, dispneia e tosse. Esta patologia é reconhecida cada vez mais como uma doença muito  heterogénea, com manifestações diferentes de pessoa para pessoa e vários níveis de gravidade. A doença caracteriza-se por uma grande variabilidade mesmo em cada doente, podendo os sintomas variar conforme a altura do dia ou do ano. Ou seja, o mesmo doente  pode sentir-se tendencialmente pior por exemplo à noite ou ao acordar, ou ter sintomas que agravam numa determinada estação do ano.

As causas da asma são também diferentes, dividindo-se geralmente em asma alérgica e não alérgica, sendo a primeira a mais comum e conhecida. Pode surgir tanto na infância como já na vida adulta. Torna-se assim parte crucial do diagnóstico, a identificação de potenciais fatores externos que podem desencadear o agravamento da asma, como sejam alergénios inalados ou alimentares, exposição a fumos e poeiras, ou mesmo ar frio. A evicção destes agentes contribui significativamente para o controlo da asma.

Tendo em conta as principais causas da asma, a prevenção é importante mas nem sempre possível e é muitas vezes insuficiente para o seu controlo. O objetivo do tratamento da asma é que os doentes afetados estejam livres de sintomas e que tenham uma vida completamente normal! Os tratamentos disponíveis atualmente permitem que muitas pessoas com asma não tenham sintomas da doença durante semanas ou até meses. Mas para que isto aconteça há que fazer o diagnóstico atempadamente e iniciar o tratamento. Segundo o Inquérito Nacional sobre Asma, apesar de apenas 57% dos asmáticos terem a asma controlada, 88% dos asmáticos não controlados acha que tem a sua doença controlada. A asma não tratada durante anos, às vezes porque os sintomas são desvalorizados, acaba por entrar numa fase em que os efeitos da inflamação nos brônquios já não são completamente reversíveis e o controlo total nestes doentes torna-se um desafio muito maior.

A base do tratamento da asma são medicamentos corticosteróides que, quando administrados por via inalada e sobretudo em doses baixas ou moderadas, são bem tolerados e não têm efeitos laterais significativos. Isto é muito importante se pensarmos que os doentes fazem esta medicação a vida toda. O mesmo já não se pode dizer dos corticosteróides sistémicos (em comprimidos ou intravenosos), que podem ter efeitos secundários nefastos para o doente se forem tomados muitas vezes ou de forma crónica. A médio/longo prazo serão causa de problemas como obesidade, diabetes, hipertensão, osteoporose ou cataratas. Infelizmente, estes são frequentemente a única arma eficaz de tratamento quando o doente já  está com um ataque de asma.

A asma grave é um tipo de asma muito difícil de controlar, que se estima poder atingir até 10% dos asmáticos, em que as pessoas têm falta de ar, tosse, pieira e aperto no peito durante períodos prolongados e com ataques de falta de ar muito graves e imprevisíveis. Mesmo com doses elevadas de corticóides inalados e restante medicação tomada todos os dias, estes doentes continuam a viver diariamente com limitações importantes das suas atividades e medo de ter de uma crise.  Na tentativa de prevenir as exacerbações e aliviar os sintomas, os corticosteróides sistémicos são por vezes usados de forma crónica, apesar dos efeitos laterais que os mesmos implicam. Além disso, viver com esta doença tem um impacto significativo na vida pessoal, familiar e social, bem como um peso económico significativo em tratamentos, consultas e exames, para não falar do absentismo laboral que lhe está associado.

Nos últimos anos surgiram os chamados tratamentos biológicos para a asma. Trata-se de  anticorpos desenvolvidos em laboratório que se vão ligar a moléculas-alvo existentes no nosso corpo e que estão na base do desenvolvimento dos sintomas de asma, conseguindo-se assim controlá-los. Estes tratamentos têm demonstrado eficácia comprovada em casos devidamente selecionados e não têm os efeitos secundários associados aos corticosteróides. Para algumas das pessoas com asma grave, podem representar a esperança de recuperar a qualidade de vida e o controlo dos sintomas.

Um artigo da médica Inês Belchior, Pneumologista no Centro Hospitalar do Barlavento Algarvio.

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